Já tá todo mundo sabendo, né?

Exatamente um mês após o show do Bob Dylan em Brasília é que eu apareço com esse ROCK (FOLK) VS COMICS. Eu não preciso dar satisfações do meu atraso, mas além das viagens pro Metal Open Air e Virada Cultural (os próximos ROCK VS COMICS), fiz umas ilustras pro encarte do novo CD de uma banda mó legal de Brazza City, mas isso ainda é segredo.

A última vez que o Suicidal Tendencies veio ao Brasil foi em 2008 e na ocasião eu aproveitei para vê-los nos festivais Maquinaria (SP) e Porão do Rock (DF). Quando anunciaram as datas pra essa mini-tour por aqui, fiz pesquisas e cálculos para decidir onde irir assisti-los. Na minha bizarra logística (essa palavra já tá enchendo!) decidi que iria na Virada Cultural de São Paulo, que tinha o problema de ser gratuito (sim, isso pode ser um problema!), mas tinha outras atrações interessantes para ver.

Cheguei às 15h do dia 5 de maio. Herman tinha chegado mais cedo e ficou me esperando no Aeroporto de Congonhas. De lá pegamos um baú e o metrô até a estação República e fomos à pé até o hotel. O centro da cidade estava movimentado e as ruas começavam a ser bloqueadas, impedindo a passagem de carros. Vários postos policiais estavam montados, o que era um bom sinal. Praticamente em cada esquina, haviam mapas com a programação do evento estampados em grandes totens e mapas de papel eram distribuidos ao público, dando indícios que a produção era de alto nível e que muito dinheiro estava sendo gasto.

Quando eu reservei o hotel, sabia que o Palco São João era perto, mas não tão perto. O hotel ficava literalmente ao lado palco e da janela do quarto, dava pra ver toda a estrutura e backstage. A menos de 500 metros dali, ficava o palco da Barão de Limeira, local onde rolariam shows importantes.

(Foto tirada da janela do quarto, o quadrado azul é o teto do Palco São João.)

Ainda conseguimos dar um rolé na lotada Galeria do Rock antes que ela fechasse. A medida que escurecia, mais pessoas tomavam as ruas. Em dias normais, essa região é desaconselhável de se frequentar à noite, mas a Virada Cultural é uma ocasião especial e durante 24 horas, pessoas de todas as idades e classes sociais recomquistam o espaço que lhes foi tirado pelo medo, pela violência e pelo crack.

O 1° show bacana foi o rock chicano da banda americana Tito y Tarantula. O bandleader mexicano Tito Larriva é conhecido por suas músicas em trilhas sonoras de filmes dos diretores Robert Rodriguez e Quentin Tarantino.

Dei mole e perdi o começo do show do Man Or Astro Man? e acabei tendo que ver o show meio de longe. A rua estava lotada e ó público demonstrava sinais de hipnose com o surf rock punk sci-fi da banda. Acompanei detalhes do palco pelo eficiente telão, mas não resisti e fui avançando aos poucos em direção ao palco. Show bom e de graça é assim, tem que driblar uma cabeçada pra ver melhor. Por incrível que pareça, eu já tinha visto a banda em Brasília em 2000 ou 2001 tocando no Teatro Garagem do SESC, mas não lembro de ter me impressionado tanto.

Meu objetivo nessa viagem era ver o Suicidal Tendencies que tocaria às 09h30, então fui dormir ao som do Os Mutantes que entrava pela janela do quarto no 20° andar (o último) até as quatro da matina. Às 09h, uma multidão já aguardava o ST na frente do palco e eu comecei a me arrepender de não ter ido ver a banda tocar em BH ou Santos. Esse barato poderia ter saido caro, mas é agora que a emoção acontece. Ví que a área de imprensa estava bem vazia e falei pro Herman que tentaria achar alguém conhecido ou da produção. Eu tinha solicitado credenciamento, mas como sempre acontece, foi negado. Não custava tentar uma abordagem mais física, daí cheguei pro segurança que tomava conta do primeira entrada e joguei o seguinte caô: “Bom dia! Eu sou de Brasília (acredite, isso pode causar reações adversas) e solicitei credenciamento de imprensa, mas não consegui falar com ninguém da produção!”. O segurança me apontou um outro segurança que ficava na segunda e última entrada e disse: “Fala lá com aquele cara pra ver se ele chama alguém pra conversar com você!” e deixou a gente entrar. Segui firme e forte já pensando em que é que eu ia dizer, mas o segurança nem tava me vendo chegar. Só quando eu tava bem perto é que o sujeito olhou pra mim e eu só disse”Bom Dia!” e entrei sem dar satisfações, o Herman veio na sequência e fez a mesma coisa. Parei na frente do palco, meio que não acreditando, dava vontade ir rir alto, mas me contive.

(Suicidal maniacs minutos antes da invasão) 

A área de imprensa encheu mais um pouco, mas ainda tinha bastante espaço. Acredito que pelo horário e pelo estilo da banda, muitos jornalistas nem se deram ao trabalho de comparecer, o que foi um grande vacilo profissional. Se queriam notícia, a notícia estava ali. Quando o Suicidal entrou no palco, cerca de 20 mil “cycos manos” começaram a se agitar e no início da primeira música (You Can’t Bring Me Down), as grades de proteção foram abaixo. Uma horda de suicidal maniacs invadiu a área de imprensa, daí ficamos realmente imprensados. Você acha que a banda se importou? Os caras estavam se amarrando em ver o que o som deles era capaz de fazer. Pra quem ainda não viu, esse é a filmagem que fiz no começo so show e tem quase 900 visualizações.

http://www.youtube.com/watch?v=hABaVqU1Pzk&list=UU9XPW-BnSioRD8h8913tNlA&index=1&feature=plcp

Por pouco não aconteceu algo mais grave, mas com certeza algumas pessoas se machucaram. Os seguranças ficaram abobalhados sem saber o que fazer. Tive que me reposicionar mais à esquerda do palco e perdi um bom campo de visão, mas ainda estava bem perto do palco. Depois da invasão, o próximo obstáculo dos “pisicos” era chegar em cima do palco, foi aí que a qualidade do show piorou significantemente. Uma barreira de seguranças ficaram na beira do palco tentado impedir que os mais afoitos conseguissem subir e acabava atrapalhando o público de ver a banda tocar. Sem saber lidar com a situação, alguns seguranças utilizavam violência e em troca recebiam cusparadas certeiras. Percebi que o pessoal da organização cogitava cancelar a apresentação, o que poderia resultar em tragédia com todo aquele povo revoltado. Do meio pro final do show, público e seguranças deram uma tregua e foi tolerado stage dives nos PAs que estavam no chão. O show durou pouco mais de uma hora, terminando com a clássica “Pledge Your Allegiance” com o coro gigantesco gritando “ST” pela Avenida São João. Se esse não foi o melhor show do Suicidal que ví (o do Gran Cicular em 1997 foi o “the best” até agora), pelo menos foi o mais tenso e perigoso, portanto especial.

A minha “virada” por São Paulo estava chegando ao fim. Eu e Herman pegamos nossas bagagens minimalistas no hotel e ainda vimos um pedaço do show do Defalla, com o sempre insano Edu K. Fomos de metro até a estação São judas e  pegamos um taxi pro aeroporto. Lá trombei com os caras do Galinha Preta, que tocaram na Virada às 01h no Palco MTV e me disseram que foi bacana.

O avião decolou às 16h, o que no total deram 25 horas em solo paulista. No geral, o saldo foi bem positivo. Ví shows legais, reencontrei amigos e passei fortes emoções. Eu só presenciei uma pequena parcela desse gigantesco evento que se estendeu por muitos pontos da cidade, mas do que eu ví, posso dizer que a organização foi bem feita e de alta qualidade. Se eu volto nas próximas Viradas? Acho que sim, vai depender da programação e da disposição de encarar um evento grátis grande como esse!

Assistir a um show do Suicidal Tendencies às 10h é o verdadeiro café da manhã dos campeões. Tô enrolado de tempo, mas em breve posto a resenha completa da Virada Cultural de São Paulo. Fiquem aê com início tumultuado do show do ST, com os suicidal maniacs invadindo a área de imprensa.

http://www.youtube.com/watch?v=hABaVqU1Pzk&list=UU9XPW-BnSioRD8h8913tNlA&index=1&feature=plcp

Desde de que voltei do Maranhão, sentia os efeitos da abstinência de um show bem barrulhento pra desentalar aquela zica. Meu tratamento começou no sábado (28/04) com o show do Hillbilly Rawhide, banda curitibana de country rock que se apresentou no Drops Rolla Pedra, realizado no Museu Nacional.

Mais tarde, naquela mesma noite, fui parar no Cult 22 Rock Bar, onde a temática da noite eram bandas femininas ou feministas. Ví alguns pedaços dos shows da brasiliense Rebel Shot Party, das goianas do Girlie Hell e das paulistas do Dominatrix. A tensão hormonal pairava no ar.

Essas foram apenas medidas paliativas, a cura mesmo, só fui encontrar na Ceilândia, durarnte o show que o Ratos de Porão fez ontem no Ferrock.

assista o video

http://www.youtube.com/watch?v=bpj-GYtY724&feature=bf_prev&list=UU9XPW-BnSioRD8h8913tNlA

Falar mal do Metal Open Air já nem tem mais graça. Foi uma grande decepção mesmo, não só pra quem foi prestigiar o evento, mas deveria ser também pra quem não foi. Já pensou se tivesse dado certo? Um festival gigante de metal todo ano? Agora que voltei do Maranhão, vejo que tem um monte de piada, gente chamando os roqueiros que estavam lá de trouxas, idiotas e tal. Ninguém ali era otário, não! Nós fomos testemunhar um grande acontecimento pra música pesada no Brasil, o que seria o primeiro de muitos, infelizmente, nós vimos o primeiro e possívelmente o último.

Quando soube das primeiras notícias que um grande festival de metal seria realizado em uma cidade do nordeste, comecei a cogitar a fazer esse rolé. Acabei virando um turista do rock, já que Brasília está fora do circuito internacional de shows. Falando em circuito, um dos motivos para ir ao festival, era justamente conhecer uma cidade nova e fugir do esquemão Sâo Paulo/ Rio de Janeiro. Sei que muita gente torceu o nariz para a inusitada escolha do local, por minha vez, acreditei (e continuo acreditando) que é importante explorar a pontencialidade da região nordeste na rota de grandes shows. Sem contar com Recife, que já está estabelecida como polo cultural e que muito de seu sucesso se deve ao posicionamento geográfico, relativamente perto de outras capitais como: João Pessoa, Maceio, Aracaju e Natal. Já São luís tem esse problema de ficar distante de outras capitais e os “produtores” deveriam ter levado isso em consideração.

As primeiras atrações confirmadas me desanimaram um pouco, não curto esse metal “voz fina com teclado”, mas quando anunciaram Anthrax e Fear Factory, já achei que valia à pena. Das 47 bandas, não conhecia muitas e outras já tinha certeza que não gostava. Muitas, eu nem chegaria a ver, porque tocariam em horários matutinos. Haveria alguns bônus como ver Ratos de Porão, Exodus e Venon. Também esperava ter alguma boa surpresa no meio do extenso line up.

No começo do ano, tomei coragem e numa lapada só, comprei as passagens, o ingresso (meia, mesmo sem ter carteirinha) e reservei três diárias de hotel, que somando tudo, deu um pouco mais de R$1.200,00. Esse valor foi até pequeno, comparado com pessoas que decidiram ir mais em cima da hora. Se por um lado, ser adiantado pode resultar em economia, também pode trazer alguns arrependimentos, como mais datas do Anthrax (com o Misfits) em outras cidades. Pra completar, nesse mesmo fim de semana rolariam o Festival Abril Pro Rock com uma programação bacana para o dia pesado e duas datas de Paul McCartney em Recife; um evento de quadrinhos em São Paulo e pra matar de raiva de vez, show do Brujeria em Brasília. Se o MOA tivesse rolado total, eu nem me importaria de ter perdido os outros eventos.

Com tudo comprado e reservado, aguardei com expextativa o dia da viagem. No dia 19 de abril (quinta-feira), véspera do primeiro dia do festival, começaram boatos que o evento poderia ser cancelado. Problemas de vários aspectos ameaçavam a sua realização, inclusive chuvas fortes que nada combinam com eventos “a céu aberto”. Essas e outras quase me tiraram o sono, já que eu pegaria um vôo para São luis na manhã de sexta-feira. Se tivessem cancelado antes, eu tentaria ir pra Recife (meu plano B), assumindo o prejuízo com alterações de passagens, provavelmente perderia as diárias já pagas do hotel e tentaria reaver a grana do ingresso posteriormente. No aeroporto, vários metaleiros ciculavam, todo mundo meio feliz, meio apreensivo. Eu e pelo menos 40 roqueiros de Brasília embarcamos no mesmo avião com a esperança de que o rock iria rolar.

Passava de meio dia quando chegamos no aeroporto, ou melhor, aerotenda da capital maranhense. Uma obra iniciada a quase dois, trasformou o aeroporto da cidade em uma ridícula tenda de lona e tapumes. A primeira impressão de quem chega, não é lá muito boa, imaginem a dos gringos! Rachei um taxi com o amigo Ciro, que escreve para o site de quadrinhos Raio laser. Ele se hospedaria em um hotel próximo ao meu e iria ao festival somente no 2° dia. Os primeiros quilômetros rodados em São Luis, mostram o que as propagandas turísticas omitem: pobreza. Fundada por franceses, invadida por holandeses, colonizada por portugueses e a décadas sendo dilapidada pela dinastia “5arney”, a cidade só poderia ser pobre e isso não é novidade. A paisagem só melhora quando nos aproximamos mais do centro e da área litorânea.

Apesar de um pouco antigo, meu hotel ficava na beira da praia de Ponta D’areia. Infelizmente, a praia era só para contemplação, pois é imprópia para nadar. Praia limpa, só muito longe dali. Dei uma descançada e às 17h fui tentar ir para o Parque Independência, onde rolaria os shows. Conversei com algumas moças locais que estavam na parada de ônibus e elas me desaconselharam a utilizar o transporte público. Ví que um cara que parecia roqueiro esperando o baú. Perguntei se ele ia pro show de rock. Ele disse “sim”! Perguntei se ele queria rachar um taxi. Resposta afirmativa. Perguntei da onde ele era. Brasília!

O lugar do evento era longe e congestionado. No trajeto, fiquei trocando idéia com o taxista, perguntando coisas da ciadade e tal. O tiozinho era meio marrento e falava pouco. Daí, perguntei se ele curtia o “5arney”, achando que ele esculacharia o velho político, mas o motorista respondeu: “Ele nunca me deu nada, mas também nunca me tirou nada!” Emendei: “Que ele nunca lhe deu nada, eu acredito, mas acho que ele pode ter tirado, você é que não percebeu!” Depois que descemos do taxi, é que eu lembrei de perguntar o nome do sujeito que estava indo comigo: “Carlos!” Ainda tivemos que andar à pé um pedação até chegar à bilheteria onde trocavam nossos convites por fitas no estilo “Sr do Bonfim”. Essa foi a primeira prova concreta de tosquidão do Festival.

A segunda prova foi na entrada, onde não havia segurança, só um casal comum. Não fomos revistados, o que indica que qualquer um poderia ter entrado armado ou com uma garrafa de pinga sem problemas. Também, não precisamos mostrar carteirinha de estudante (que eu não tinha e sei que muita gente pagou R$450,00 de inteira). Depois foram muitas outras provas na sequência. Andamos outro pedação e passamos por estábulos fedorentos, onde cavalos e outros animais ficam quando rolam feiras agropecuárias. Era exatamente ali os alojamentos pra quem veio ficar acampado e que depois se tornou escândalo quando foi noticiado a falta de condições e de respeito com os campistas. Além de estrume, carrapatos, ratos e baratas, não havia local para se tomar banho. Feio mesmo!

De longe, dava pra ver que dois palcos grandes estavam montados lado a lado e um tenda de dois andares para as mesas de som e luz. Nesse aspecto, achei que estava tudo ok, exeto pelos telões laterais colocados na vertical, o que distorcia e esticava as imagens. Outra prova de amadorismo, foram as várias barracas de cerveja montadas quase formando uma barreira a menos de 200 metros à frente do palco, impossibilitando a visão de quem estava atrás. Por sorte, a quantidade de público presente (vou chutar entre 7 e 8 mil pessoas) não enchia essa parte da arena, mas acredito que o 2° dia teria um público maior. Na real, o cara que tá afim de cerveja, anda quilômetros se for preciso. A falta de opções de comida e bebidas aliados a preços altos, também foram motivo de irritação dos presentes.

No momento que chegamos, a banda canadense Anvil estava se apresentando. Filmei a última música “Metal on Metal” (assista o video abaixo). Trobei com o Ithalo Kodó de Palmas (TO), que veio numa excursão viajando 24 horas de baú. Nessas horas é que percebo que meu esforço e decepção em ir a esse festival foi muito menor do que de muita gente que estava ali. Apesar dos pesares, os shows estavam acontecendo e o fantasma do cancelamento assustava menos.

http://www.youtube.com/watch?v=xtE9NwkTolI

Como disse no começo do texto, fui ao festival, não pelo line up e mais pelo evento em si. Nesse primeiro dia, eu não tinha muitas expectativas quanto a programação. Achei o Anvil legalzinho, mas quem escrotizou com força foi o Exodus. Showzão foda, circle pit gigante, os caras estavam afim de se destacarem no evento e conseguiram. Foi o que salvou legal.

http://www.youtube.com/watch?v=0VSK3ue2Akg&feature=youtu.be

Ví uns 20 minutos do Megadeth, que não é uma banda que me agrada muito, mas dadas as circustâncias, achei razoável. A cada música, Dave Mustaine parava, reclamava do som, falava com o povo. Para evitar confusão na saída, eu e o Carlos rachamos outro taxi. Ouvi depois que o show teve só uns 40 minutos, pois os problemas no som inviabilizaram a apresentação completa. Pelo menos os caras respeitaram o público e mesmo sem as condições ideais, cumpriram tabela.

Na volta, dava pra ver um monte de gente apinhada nos muros, vendo os shows de graça e com certeza, muitos entraram pulando. O taxista era engraçadão, foi falando mal do”5arney” e sua prole o tempo todo. Mostrava os lugares que o marimbondo fogoso era dono (emissoras de TV, rádios e jornais) e falando de suas falcatruas no estado.

No sábado à tarde, ouço boatos no hotel de que o Rock’n'Roll All Stars e Charlie Sheen haviam cancelado a apresentação. Temi pelo efeito dominó, mas mantive o otimismo de ver o Anthrax essa noite. Fui até o hotel onde Carlos e Ciro estavam hospedados pra ver se rachávamos um taxi. Não encontrei nenhum dos dois, mas tinha uma molecada metaleira que estava lá com péssimas notícias: Anthrax e várias outras bandas não tocariam mais. Além disso, estava rolando uma onda de assaltos na região. Eu não me dei o trabalho de ir ao local só pra passar mais raiva e gastar mais grana. Fiquei lá um tempo com a molecada de São Paulo e Goiânia, cada um contando sua aventura para estar em São luís. Uma coisa era certa, teríamos muitas histórias pra contar.

Volta e meia aparecia uma notícia nova, gente que ligava pra quem estava no local pra saber como estavam os shows. Na TV do bar do hotel, vimos a matéria sobre o festival no Jornal da Globo. Dava pra ver a lama formada pela chuva da madrugada anterior. Vergonha nacional via satélite. O interessante é que, se o festival tivesse dado certo, os grandes veículos da imprensa não falariam uma linha a respeito, mas como deu merda, virou notícia quente. Somente quatro bandas tocaram no sádado, enquato um dos palcos era desmontado. Ainda assim, o que se falava era que algumas bandas tocariam no domingo, entre elas Fear Factory. Ainda tinha esperança de ver um bom show antes de ir embora, esperança essa que foi enterrada na manhã de domingo, com o cancelamento oficial do agonizante evento.

Daí, foi aquela chatisse de não ter o que fazer o dia inteiro. Dei uma andada na praia, sem poder entrar no mar. Fui ao centro histórico, ver um monte prédios antigos e mal conservados, com seus famosos azulejos. Achei que lá estaria movimentado, mas parecia deserto. Quase nada aberto, só umas lojinhas fuleiras de artesanato ruim e um bar que estava cheio de metaleiros. Quando eu aponto os defeitos da cidade, eu não quero parecer arrogante ou preconceituoso, todas as capitais têm seus problemas. Só estou contando aqui o que eu e pude constatar. Se o festival fosse uma maravilha e meu humor estivesse melhor, talvez eu exergasse a cidade com melhores olhos, mesmo assim eu não eximiria o local de problemas tão visíveis.

Na manhã de segunda, mais uma andada na praia e arrumação de bagagem. Fui pro aeroporto às 15h com um taxista gente fina. Não pude deixar de perguntar sua opinião sobre o “5arney”. Ele disse saber de várias roubalheiras de El Bigodon, mas que o eterno político tinha trazido muito desenvolvimento para o estado. No fim das contas, minha pequena pesquisa tinha resultados díspares. Mas o que ví e percebi é que São Luís, prestes a completar 400 anos de sua fundação, é uma capital atrasada. Nada contra o seu povo, que sempre se mostrou simpático e receptivo, mas não tenho intenção de voltar lá tão cedo, muito menos pra ver um show de rock.

No aeroporto, uma barraca de camping armada (antes tinham mais) e um monte de metaleiros sentados na grama em frente ao prédio de lona. Equipes de filmagens entrevistam os roqueiros, que estampavam em seus rostos, um misto de cansaço e relvolta. Na reta final, todos concordavam que nosso principal prejuízo não foi o financeiro e sim, de não conseguirmos ver as bandas que queríamos. Às 17h, embarco rumo à Brasília e às 20h estou em casa, encerrando essa bad trip.

Deliberações finais:

1- A cidade de São Luís não tem culpa nenhuma do fiasco do evento e mesmo assim ficará com sua reputação manchada como um local de muitas frustações. Ela tem seus defeitos e qualidades com qualquer cidade, mas com todo o respeito, São Luís era um local inadequado por várias razões;

2- Todo ludovicense sabe que chove muito em abril;

3- Por ser a primeira edição, o festival não precisava ser tão grande. Dois dias, 20 bandas, cinco ou seis gringos já tava de bom tamanho. O preço do ingresso seria mais barato, o gasto com hospedagem e outras despesas diminuiriam. Com certeza, o público de fora seria bem maior. Dando certo, o evento tenderia a crescer naturalmente;

4- Produtores inexperientes, incompetentes e gananciosos, que deram um passo muito maior que a perna e acabaram dando uma rasteira em muita gente. Esperamos que sejam punidos;

5- Queimação de filme de nível internacional, com grave sequêlas e que ainda não sabemos o tamanho do estrago;

6- Desrespeito de algumas bandas com o público. Sabe-se que bandas internacionais que receberam todo o cachê e exigências atendidas, não tiveram peito de se apresentar. Problemas, tinham de montes, mas como ficam os fãs nessa hora? Vai lá meu irmão, sobe nessa porra de palco! Se tiver tudo uma merda, toca três músicas, pede desculpas e xinga a produção! Os fãs vão entender, mas mostrem as caras! Pelo menos finjam que estão ali por eles e não pela grana.

7- Parabéns à todos os roqueiros que lá foram e suportaram todas as adversidades com paciência, educação e paz. Não foi registrado nenhum incidente em que o público fosse o causador de violência, baderna ou depredação. Pelo contrário, o público é que foi vítima de assaltos, estelionato, incompetência, estrelismo, descaso, maus tratos e ainda assim, mostrou dignidade e força.

8- Parabéns às bandas que se dignaram a tocar e que tiraram o melhor disso tudo.

9- Parabéns às bandas que cancelaram suas apresentações, porque se sentiram lesadas e tiveram seus direitos violados;

10- Pra fechar, um pauzão no cu de você que não estava lá e que fez chacota com a situação, que torceu pra dar errado, que ficou rindo de quem se fudeu. Apesar de tudo, quem presenciou os acontecimentos, com certeza teve momentos bons, conheceu gente nova, conheceu lugares novos, deu boas risadas e até curtiram alguns shows. Pelos menos, bem ou mal, fizemos parte dessa história.

ESFOLANDO O BOB DYLAN

abril 19, 2012

Por quase duas horas, a lenda do rock Bob Dylan mostrou uma pequena parcela de seu vasto repertório para o público brasiliense. No começo do show, o som estava bem ruim e demorou pra ficar razoável. O ginásio Nilson Nelson conseguiu deixar a voz anasalada de Dylan ainda mais tenebrosa.

No palco, nada de cenários ou efeitos pirotécnicos, nem um telão foi colocado, para que as pessoas que ocuparam as longínquas arquibancadas pudessem visualizar o show. A iluminação era feita de baixo para cima, projetando as sombras dele e de “sua” His Band no simples fundo de veludo cinza e só.

Nunca fui fã ou conhecedor da obra de Dylan, só conheço mesmo alguns sucessos, que ele fez questão de excluir do set list, apenas “Like a rolling stone” foi executada com um arranjo quase irreconhecível. Também não ouvimos da boca do músico, uma só palavra, nenhum “oi!” ou “obrigado”, mas parece que ele faz isso com todos.

No final, só voltou para uma única música de bis (assista o video abaixo) e partiu para sua “never ending tour”. Sei que pra muita gente esse foi um acontecimento histórico, emocionante, inesquecível. Pra mim, foi só mais um bom show de rock clássico.

http://www.youtube.com/watch?v=0UGifFyAOag

Estou concorrendo ao Prêmio Dynamite de Música Independente na categoria “personalidade”. Já sei que vou perder pro Laerte, mas tá valendo. Quem quiser votar, é só entrar no site: http://www.premiodynamite.com.br/ .

Taí o ROCK vs COMICS da minha ida à São Paulo, onde ví (pela 2° vez) o show de Jello Biafra And The Guantanamo School of Medicine e visitei a bela exposição “Ocupação Angeli”. Fiz uma versão com vermelho só pra WEB e a uma versão P&B, que será publicado no gibi.

 

Meu fim de semana em São Paulo começou na sexta-feira (23/04) fazendo uma peregrinação pela Galeria Nova Barão, paraíso dos aficcionados pelos vinis, que não é o meu caso, mas gosto do clima do lugar. Na loja The Records, achei um livro fodão sobre Punk Rock, perguntei o preço, mas Mateus,um dos donos da loja disse que não estava à venda. Começamos um papo sobre livros e eu mostrei um dos dois únicos exemplares do “Esfolando Ouvidos” que eu tinha levado e o cara me comprou os dois na hora.

Na sequência, caminho poucos passos até a Galeria do Rock. Vou de cima a baixo pelos 6 andares do pitoresco prédio, procurando alguma coisa que eu não sabia o que era e acabei não encontrando nada que eu realmente quisesse. Pego o metro às 18h, bela hora pra me espremer nos vagões e observar os tipos paulistas. Na Estação Sé tinha uma exposição do Raul Seixas, com umas roupas que ele usava (pijama, jaqueta de couro e o manto de mago) e reproduções de manuscritos.

No sábado, faço um rolé descendo a Rua Augusta até a Galeria Ouro Fino. Lá encotro a Karla, que também veio ver o show do Jello Biafra and Guantanamo School of Medicine. Chegamos às 20h no Beco 203 e a casa nem tinha aberto ainda, isso porque estava marcado pra começar às 19h e terminar às 22h. Fila grande e uma garoa rolando. Quando conseguimos entrar, o Agrotóxico já estava tocando. O lugar é bacana, boa estrutura e não chegou a lotar, estava cheio, mas confortável. Som mecânico com clássicos do punk gringo e nacional esquentavam os tamborins.

Quase 22h e Jello passa correndo esbaforido com escolta de seguranças e entra no camarim, o público se atiça. Logo, o Guantanamo sobe ao palco e começa a tocar, Jello vem depois, usando um casaco espalhafatoso. Ele não estava usando seu uniforme padrão que é o jaleco branco, sobre uma camisa da bandeira americana e luvas de látex.

Mal o show começou e os stage dives se multiplicaram. Jello não gosta muito de contato físico e após anos de palco, tem as manhas de se livrar (esquivando e empurrando) de quem tenta abraça-lo ou beija-lo enquanto canta. As músicas do Guantanamo não são tão conhencidas, daí a platéia se comporta um pouco mais e só apavora mesmo quando as poucas músicas do DK (5 ou 6) são executadas. A primeira delas foi “California Über Alles” (video abaixo), onde o nome do ex-governador da Califa Jerry Brown foi modificado pelo atual Schwarzenegger. Me arrupiei quando tocaram “Forkboy” do Lard, música que faz parte da trilha sonora de “Natural Born killers”.

http://www.youtube.com/watch?v=WR_cN9L44-g&list=UU9XPW-BnSioRD8h8913tNlA&index=1&feature=plcp

A primeira parte do show termina, a banda sai por um minuto e volta antes que a platéia gritassem pelo bis, é que com o atraso, nem dava pra descançar. Esse video tem 12 minutos e eu filmei quase sem tremer o braço, tá meio de longe, mas é um dos momentos mais marcantes do show: primeiro Jello ajuda um cara recuperar os óculos perdidos, apresenta a banda e toca uma do Guantanamo, depois tira a camiseta e batiza os da primeira fila com seu suor, dá um longo beijo na boca de uma mina que subiu no palco e canta Holiday in Cambodia, delírio geral.

http://www.youtube.com/watch?v=XsssoDHIqV8&list=UU9XPW-BnSioRD8h8913tNlA&index=2&feature=plcp

Era pra ter acabado aí, mas como o show nem tinha completado uma hora (em Curitiba foram quase duas horas, o mesmo tempo do show que ví em 2010 no Rio). Minutos depois de negociações, eles retornam pra mais uma e adios. O lance que a casa iria fazer outro evento mais tarde e tinha que colocar todos pra fora. Quando saímos, tava caido um pé d’água escroto e ficou uma cabeçada amontoado debaixo de toldos das casas vizinhas. Atravessamos a rua e comemos focaccia com o Ícaro, outro representante de Brazza City no evento. Pra fechar a noite, demos umas voltas pelas redondezas vendo os agitos da famosa rua.

(Foto Karla Moita)

Como eu ia voltar às 15h, no domingo só deu pra visitar a expo “Ocupação Angeli” que está até dia 29 de abril no Itau Cultural. Apesar de ser um espaço pequeno, ela está muito bem montada e dá uma boa idéia da produção desse genial cartunista. Tem origianais, reproduções, muitas gavetas iluminadas com materiais de trabalho e obras que não couberam nas paredes. TVs com fone de ouvido passam depoimentos em videos (o melhor é o Angeli falando de sua relação com o rock). A cereja do bolo são dois cenários do curta Dossiê Rê Bordosa. Torço pra que essa expo venha pra Brasília.

 

 

 

 

 

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