FIQ 2009 (PARTE UM)
Outubro 14, 2009

Ir ao FIQ 2009 não foi uma decisão repentina, eu já estava articulando essa idéia há algum tempo. A tramóia era conseguir uma data para o Quebraqueixo tocar em BH num dos dias do Festival. Comecei essas negociações em maio desse ano durante o Festival Bananada em Goiânia com os caras de BH do Grupo Porco de Grindcore Interpretativo. Esse diálogo se estendeu por e-mail até descolar essa data no “A Obra” graças ao empenho do Batista e do Porquinho. Daí veio a idéia de, além dos shows, fazer a festa das revistas que estavam sendo lançadas no FIQ e que faziam parte do estande “Quadrinhos Dependentes”. Começou uma lista de discussão na internet com o pessoal das revistas Quase (ES), Prego (ES), Tarja Preta (RJ) e Samba (DF). Já no final, apareceu a revista Macaco (GO) que é da Monstro, representado pelo Márcio JR.

Tenda dos estandes ainda com pouco movimento
Eu nem tinha a intenção de lançar o gibi do Quebraqueixo esse ano, mas eu como eu já tinha um material pronto, me pareceu o timing perfeito. Herman, baixista do QQ virou meu sócio nessa empreitada e deu tempo da revista ficar pronta a tempo.
Voei pra BH no dia 6 de outubro, dia da abertura do FIQ. De Brasília à Belo Horizonte são 50 minutos de vôo, mas do Aeroporto de Confins (entendi o nome) foram quase duas horas de ônibus até a rodoviária. Ao desembarcar, comecei a procurar um hotel lá perto. Escolhi o “menos pior” pardieiro das redondezas, larguei minhas coisas lá e pedi informações para chegar ao Palácio das Artes. Cerca de 20 minutos andando, cheguei ao local. O lugar é bem bacana, com galerias, cinema, livraria, dois teatros (um pequeno e um grande), lojas e lanchonete. Os estandes foram montados na parte externa sob uma tenda central batizada de Eugênio Colonnese, em homenagem ao ilustrador italiano radicado no Brasil e que faleceu em agosto passado.
Todos os estandes são bem caretas e certinhos, exceto o dos quadrinhos dependentes que ficou lá no fundão. Também, só gente doida e os únicos provocadores de tumulto de todo o FIQ. Saca só a crew: Gabriel Góes, Mesquita e LTG de Brasília, Alex Vieira e Raul de Vitória e os cariocas da Beleléu Tiago El Cerdo, Lafa e Arruda. Durante a semana foi aparecendo mais gente do mesmo naipe.

Samba e Beleléu confraternizando de forma estranha.
O movimento no festival ainda estava meio fraco. Fui fuçar o que mais o FIQ tinha para oferecer. Um destaque foi o Supermercado Ferraille, uma loja onde você encontra embalagens com rótulos que satirizam a sociedade de consumo. Melhor ver as fotos do que eu explicar. Esse é um projeto dos quadrinistas franceses Felder e Cizo. Falaremos muito desses french guys mais adiante. Nessa primeira visita ao supermercado, talvez eu tenha feito a melhor compra de toda a viagem. Adquiri um dos quatro únicos exemplares do livro Monsieur Ferraille do desenhista Winshluss (que fez a maioria dos desenhos dos rótulos) com roteiros do Cizo. Nem precisa falar que esses livros sumiram da prateleira em minutos, LTG também é um dos felizardos. Outro detalhe: o número do código de barras é 666 2009.

Só produtos refinados.

Pizza em lata deverá existir em breve.

Essa foi feita pelo Allan Sieber.

Essa são pílulas para colocar no drink de uma gostosa e quando ela beber, você se tornará irresistível para ela. No outro dia ela esquece, mas você não. Comprei um desses, tomara que funcione!
Um dos atrativos do festival eram as mesas de debates. A primeira delas foi “Animação e Cinema” com o canadense Guy Delisle e os brasileiros Lancast e Sávio Leite. O pequeno teatro ficou apenas 1/3 cheio. Falou-se muito sobre as dificuldades de se fazer animação no passado e como hoje tudo é mais fácil e rentável. Guy, assim como todos os convidados estrangeiros, eram acompanhados de tradutores. Ele falou sobre sua experiência em trabalhar nos estúdios de animação da Coréia do Norte e cujo os relatos em forma de HQ dessa viagem lhe rendeu o livro Pyongyang. Disse também que abandonou a animação quando começou a ter prestígio como quadrinista. Na verdade, eu achei que ele fosse um cara mais engraçado pessoalmente, já que suas HQs são bem humoradas, mas impressão que tive foi de um sujeito quieto e desconfortável. No final, ele fez uma pequena sessão de autógrafos. Saí de lá com o meu já citado Pyongyang e o Crônicas Birmanesas devidamente rabiscadas. Esqueci de dizer que eu levei duas malas nessa viagem, uma com minhas roupas, mais 15 camisetas e 80 gibis do Quebraqueixo e outra menor só com gibis para serem autografados pelos artistas. Advinha qual era a mais pesada? Pesei na balança do aeroporto, 11 kg a primeira, 12 kg a segunda.

O animador desanimado Guy Delisle.

Eu ganhando meu primeiro autógrafo gringo do FIQ e preste a entregar o gibi do Quebraqueixo.
A segunda mesa foi “Humor Gráfico” com os franceses Cizo e Felder, o argentino liniers e o mineiro Duke. Dessa vez foi muito divertido, pois os três são muito engraçados e fizeram a platéia rir o tempo todo. Vou ver se coloco uns videozinhos mais pra frente. No final, mais autógrafos. Cizo dedicou o meu Monsieur Ferraille assim: “Pour Evandro, mon premie fan a Belo Horizonte”, não sei falar francês, mas entendi o que ele escreveu. Já Felder é um figuraça e estava vestido com a camisa do Atlético Mineiro. Um dia antes de viajar, soube que ele é o roteirista da ótima HQ Muerto Kid e ele desenhou o personagem no jornal da programação do FIQ pra mim. Como não existe nada publicado no Brasil desses franceses, eles se livraram logo dos chatos que pedem autógrafos e saíram fora. Já liniers não teve tanta sorte e encarou uma pequena fila de 15 pessoas. Levei minha edição argentina de Macanudo 5 já com essa intenção. Igual a todo bom quadrinista, ele demorou pelo menos 2 minutos fazendo um desenho e dedicatória para cada fã. Foi muito simpático e atencioso com todos, acho que é aí que está o diferencial do grande artista em ganhar ou perder o fã para sempre. Outra coisa que esqueci de dizer é que todos os desenhista que pedi autógrafos, ganharam um gibi do Quebraqueixo e tirei fotos deles segurando o produto na maioria das vezes. Sem exceção, de Maurício de Sousa à Craig Thompson, todos pagaram pau pra capa que o Caio Gomez desenhou.

Duke, Felder, tradutor, Cizo e Liniers.

Cizo autografando para o primeiro fã em BH.

Liniers olhando o gibi do QQ.
O FIQ encerra esse primeiro dia às 22h. Como pizza e volto a pé debaixo de uma fina chuva para o hotel. A região central é um lugar pouco recomendável para se andar de dia, quanto mais à noite. Igual a toda grande cidade, Belo Horizonte também tem seu lado escroto. Vários mendigos, malandros, putas, travecos, crakeiros e trabalhadores habitam esse universo. Não fui incomodado por ninguém, talvez seja essa minha carinha de mau. Me perdi no trajeto, mas cheguei ileso no moquifo. O Esfolando é assim: faz turismo de aventura e se adapta às regiões inóspitas do planeta. Dormi vendo Simpsons na 14”.

Meu muquifo delux.

Se beber isso, não precisará do produto abaixo.

Experimente! Se não funcionar, devolvemos seu dinheiro!
FIQ ESPERANDO AÊ!
Outubro 12, 2009

Parabéns criançada! O Esfolando está de volta, mas vamos com calma! Se você acha que eu vou vomitar informações acumuladas em seis dias em Beagá de uma só vez, está enganado. Além do mais, eu tenho uma vida (acreditem!) que ficou negligenciada nesta semana. Mas o Esfolando não irá decepcioná-los, só preciso de mais tempo para a digestão. Todos os dias foram intensos e terei um bom trabalho para reconstituí-los em meus miolos, já que nunca anoto nada. Só pra ter idéia, tirei mais de 350 fotos boas e uns 30 minutos de videozinhos preciosos. Esse post é só pra avisar que estou vivo (tristeza para alguns), que me diverti horrores, que o show do Quebraqueixo talvez tenha sido o melhor de minha vida e que vocês não perdem por esperar!
ESFOLANDO BH
Outubro 5, 2009

O Esfolando é mesmo um cidadão do mundo, cosmopolita e que mistura viagens de negócios e prazer. Dessa vez, estarei desembarcando em BH para lançar a revista “Quebraqueixo – A Banda Desenhada” durante o 6° FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos) que acontece de 6 a 12 de outubro na capital mineira. De lambuja, a banda Quebraqueixo se apresentará no tradicional bar “A Obra” no dia 8/10. Vou tentar mandar notícias e postar fotos, mas não garanto nada. Não se preocupem! De um jeito ou de outro, vocês saberão as estripulias do Esfolando em Belo Horizonte.
GIBI OU ZINE ?
Outubro 1, 2009

Capa do gibi ou zine do Quebraqueixo desenhando por Gomez.
Ontem eu passei na gráfica pra pegar o produto da minha mais nova aventura editorial. Trata-se da revista em quadrinhos “Quebraqueixo – A Banda Desenhada”. Desde o ano passado que eu estou na cola de uns sujeitos que fazem quadrinhos em Brasília para adaptarem as letras das músicas do Quebraqueixo no formato de HQs. Os primeiros trabalhos apareceram no começo desse ano e surpreenderam todos da banda com o nível artístico obtido.
Misturar música com quadrinhos não é algo exatamente novo. Só pra dar uns exemplos: Luiz Gê e Arrigo Barnabé; Marcatti e Ratos de Porão; Zimbres e Mechanics, Angeli e Raimundos. Pra essa HQ do Quebraqueixo, convoquei uns caras que eu acompanho o trabalho há algum tempo. São eles: Caio Gomez (capa), Felipe Sobreiro, Stêvz, Gabriel Góes, LTG, Daniel Carvalho e Nestablo Ramos. Como eu vi que os caras estavam demorando, eu mesmo resolvi fazer umas páginas pra revista. Sou o único pereba desse time de craques.
O lance de publicar a revista foi meio no susto. Era pra sair só no ano que vem. Como eu estava armando uma viagem pra BH pra ir ao FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos) e agilizei um show pro Quebraqueixo tocar no Bar A Obra no dia 8 de outubro, resolvi acelerar o processo. O show vai ser numa festa de lançamentos de várias revistas (Prego, Quase, Tarja Preta, Macaco e Samba) que fazem parte do estande “Revistas Dependentes” do FIQ. Juntei o material que eu já tinha recolhido e fiz pressão no pessoal que estava atrasado. Eu e o Embass montamos a revista e o Herman (baixista do QQ) entrou como sócio pra dividir os custos. Depois de BH, a revista será lançada em Brasília no dia 17 de outubro na loja Kingdom Comics com shows do Quebraqueixo, Gonorants e Nonato Dente de Ouro.
Parece que ontem foi o dia perfeito pra pegar as revistas, pois quando eu saí da gráfica, trombei com o Gabriel Góes e o LTG na W3. Dei umas revistas pra eles e conversamos rapidamente sobre o lançamento que eles farão na Kingdom Comics neste próximo sábado. Mais tarde fui ao CCBB onde os desenhistas Paulo Caruso e Caco Galhardo fizeram uma palestra sobre “caricatura e complexo”. O papo foi muito divertido até porque eles são muito engraçados. No final, peguei uns autógrafos e presenteei os dois com a revistinha nova. Quando entreguei pro Caco Galhardo ele disse: “que zine legal!”. Aí eu fiquei na dúvida: será que essa revista é um zine? Paulo Caruso disse quando pegou a revista: “eu e um monte de gente começamos assim, aprendi muita coisa sobre editoração publicando no Balão!” A revista Balão foi umas das primeiras publicações underground de HQs do Brasil. O nº1 foi lançado em 1972 e revelou nomes como: Laerte, Luiz Gê e os irmãos Caruso.

Paulo Caruso prestigia a publicação.

Caco Galhardo diz que é um zine!
Não sei se é gibi ou zine, só sei que vai custar R$5,00 com o pôster grátis (20 primeiras pessoas). Tem também a camiseta masculina e Baby Look por R$20,00 (tamanhos e cores variados). Quem quiser comprar a revista ou camiseta antes do lançamento ou não mora no DF pode fazer a encomenda pelo meu e-mail: evandro.esfolando@hotmail.com ou no fone (61) 9213 7582.

Revista, pôster e camiseta. Em breve: bonecos, video-games e iorgute.
REGGAE DE RAÇA
Setembro 29, 2009

Quem não gosta do Natiruts pode parar de ler aqui! Mesmo não gostando, eu sei que você vai continuar lendo. Devem estar perguntando: Não vai me dizer que o Esfolando foi no show do Natiruts domingo passado? Claro que fui! Te digo mais: o show foi bonzão! Não é de hoje que eu gosto do Natiruts, acompanho a banda desde o começo, quando eles ainda se chamavam Nativus. Eles são a banda brasiliense mais bem sucedida (tirando o Capital Inicial) e são (ou deveriam ser) motivo de orgulho pra Brasília. Só pra ter idéia do nível profissional, o novo CD “Raçaman” foi mixado em Londres por ninguém menos que Mad Professor e a banda começa a tour mundial em novembro na Austrália e Nova Zelândia.
Falando do show, só consegui estacionar o carro na pista que desce pro Arena. Estava um congestionamento monstro e eu e mais um monte de gente tivemos que andar cerca de 1 km pra chegar até a portaria da ASBAC. Liguei pro Júlio, antigo baixista do Quebraqueixo e que há alguns anos é um dos produtores do Natiruts. Foi dois palitos pra ele agilizar a cortesia. Caí pra dentro e percebi que o bagulho estava atochado de gente, bem mais que 10 mil pessoas. O calor contribuiu pra que um monte de gostosas usassem shortinho, mas acho que se estivesse frio, elas iam se vestir da mesma maneira. Maravilha! A Prainha da ASBAC é o lugar perfeito pra esse tipo de evento. O palco montado na beira do lago ficou com visual de litoral. Bota fé que eu vi um surfista do lago Paranoá? O cara esta em pé num longbord com um remo no meio de vários barcos estacionados atrás do palco. Fui pro backstage onde estava rolando um esquemão. Camarins bem servidos faziam a festa de intrusos feito eu.
Quando o show começa, todo mundo abandona os bastidores e vão pra frente do palco. Sucessão sucessiva de sucessos (frase horrenda!). Sei que muita gente torce a cara pro Natiruts, acham que é som de playboy, que os caras são vendidos, tocam nas rádios e de vez em quando aparecem em programas horríveis de TV. Mas e daí? Eles usam essas mídias mais do que são usados. Por mais pop que possa parecer, existe uma rebeldia na raiz, uma postura arredia que poucos podem manter sem comprometer a integridade ao atingir o topo. Só uma pessoa muito tosca não é capaz de assimilar a qualidade da música, arranjos, letras e produção musical. Se mesmo assim você não gostar do Natiruts, vá ao show, pelo menos por causa das gostosas.
UM ANO ESFOLANDO E 100º POST
Setembro 26, 2009

Eu tava achando que o aniversário do blog era hoje, daí eu fui olhar direito e descobri que foi no dia 23 de setembro de 2008 que eu postei no “Esfolando” pela primeira vez. É que o Esfolando é um desnaturado. Ah, esse aqui é o centésimo post, great shit!
Parte da culpa do Esfolando Weblog existir são do Biu e da Roberta AR que me pediram textos para o blog “Facada Leite Moça” e daí eu não parei mais. Um ano depois eu percebo que escrever num blog é um viciozinho safado, parece um Tamagochi que a gente tem que ficar alimentando senão os “leitores” vão te abandonar. É por isso que eu agradeço aos amigos que estão sempre passando a vista nas minhas cretinices. Também agradeço aos comentários, mesmo os ofensivos, o espaço taí pra se discutir e colher opiniões. De todos os posts, com certeza o “Michael Jackson não morreu” foi o mais polemico e bateu recordes de audiência. Teve um dia que chegaram a 490 visitas e 74 comentários. Mó sacanagem do Esfolando, o sujeito comovido procurava um ombro amigo no “GUGOL” pra confortá-lo nesse momento de dor e caía nessa página. Foi engraçado no começo, quando eu respondia os impropérios, mas depois enchi o saco e deixei eles falando sozinhos. Eu ia fazer as contas de quantos shows, festivais e eventos em que o Esfolando estava presente, mas achei que ia dar muito trabalho, então se alguém realmente tem interesse em saber, olhe as postagens antigas e me conte depois.
O “Esfolando Weblog” não tem muitas perspectivas e pode acabar a qualquer momento. Não ganho nem um real pra ficar escrevendo essas paradas, talvez porque não valham nem um real mesmo. Pelo menos eu me divirto e falo quanto palavrão eu quero e conto de toda maconha que foi legal fumar por aí. Por enquanto, o Esfolando é só um monstrinho que eu peguei pra criar. Talvez ele continue do tamanho de uma lagartixa, talvez um dia ele destrua Tókio. Vai saber!
LITTLE QUAIL & THE MAD BIRDS VOAM ALTO NO PORÃO
Setembro 24, 2009

LQ&MB no palco principal do Porão do Rock. Clicado por Patrick Grosner
Chegar de van no Porão do Rock foi uma beleza, principalmente porque estacionar na Esplanada em dia de evento é uma verdadeira merda. Descemos na área dos camarins, palco principal e área de imprensa. Prestativos voluntários nos encaminharam ao camarim destinado ao LQ&MB. Ganhamos credenciais especiais que nos davam acesso ao palco principal. Ainda faltavam 2 horas pro show e eu saí pra dar um role. Passei na banca do Natinho e vi uns pedaços de shows do Trampa e Kanela Seca no Placo Pílulas.
Quando voltei, o camarim foi compartilhado também pelo Raimundos e virou festa. Voltei 20 anos no tempo quando aquela mesma galera que ensaiava na casa do Berma. Assisti no palco, as músicas finais do Maskavo Roots. Que banda boa, né? Presenciei a confraternização dos integrantes atrás do palco após o show. Sei que todo mundo é ali tem seus projetos, além das questões do outro Maskavo, mas eles bem que podiam se animar e fazer outras reuniões como aquela.
Enquanto o palco era preparado para receber o Little Quail, a Codorna aquecia suas asinhas dedilhando o baixo. Ele já estava deveras elegante com a camiseta que eu dei pra ele do Quebraqueixo, mas perto do início do show, Zé Ovo arranca as calças e fica com um short que parece (ou era) uma cueca samba canção. Agora sim ele está com o figurino adequado. A banda vai pra frente do palco e Gustavo Ceará anuncia uma das atrações mais aguardadas do festival. Gabriel convoca os amigos que estão de sobreaviso para abrirem o show de forma apoteótica com 1,2,3,4. Eu e uma cabeçada fomos pra frete cantar uma das músicas mais emblemáticas do trio. Daí em diante, foi um passeio sonoro com as músicas que foram trilha para a juventude de muitas pessoas ali presentes e que se mantém viva através de uma nova geração de fãs.
Fiquei revezando nas filmagens com a Larissa em um dos lados do palco. Chegou um bebum vestindo roupa laranja (será que ele queria aparecer?) e ficava perturbando. Frango chamou os seguranças que tiveram trabalho pra tirar o cara de lá sem usar de violência. Deu cinco minutos e o cara invade o palco novamente, dessa vez a equipe de segurança não foi muito delicada. O show parou até a hora que o elemento foi arremessado na platéia. Tinha que ter baixaria! Fora as piadinhas e agradecimentos que deram o tom irreverente de todo o show, a química entre Bacalhau, Gabriel e Zé Ovo ficou evidente. Carisma, autenticidade e amizade verdadeira são a formula certeira do sucesso. Não do sucesso fácil e passageiro, mas do sucesso que deixa marca. São por essas e outras razões que essas três caras estão no pequeno hall da fama do rock brasiliense.

A Codorna batendo asas. Clicado por Patrick Grosner
Epílogo:
Depois do show do Raimundos, o público foi minguando. Voltamos pro camarim para as festividades finais. Eram quase 4h quando eu, Berma, Zé Ovo e Salsicha pegamos uma van de volta pro hotel. Passamos ao lado da estrutura do festival um pouco antes do show do MCA, não tinha quase ninguém e uma chuva fina começava a cair. No quarto, Gabriel já estava deitado, quase dormindo. Zé Ovo apertou o derradeiro béqui. A aventura chegava ao fim. Salsicha foi embora na seqüência. Segui seu exemplo minutos depois. O Berma ficaria até às 6h pra aplicar o golpe do café da manhã chique do hotel. A chuva tinha aumentado, mais de longe ainda se ouvia música vindo do palco do Porão do Rock.
PS: Um dia eu coloco outras fotos e videos desse show.
LITTLE QUAIL ENSAIANDO PARA O PORÃO DO ROCK 2009
Setembro 23, 2009

Pássaros loucos voando juntos novamente. Clicado por Esfolando
Na sexta-feira passada eu estava na Biblioteca Nacional pegando credencial e convites pro Porão do Rock 2009 quando o celular tocou. Era o Gabriel me ligando de Goiânia. Ele queria que eu arrumasse um estúdio pro Little Quail ensaiar no sábado e domingo. Na seqüência, liguei pro Jadson do Estúdio Degraus, que remanejou a agenda e descolou os horários que eles queriam.
Meio dia de sábado eu passo no hotel onde as bandas e imprensa de outras cidades estão hospedadas. Encontro a Mariana, irmã do Zé Ovo com o marido PH e o casal de filhos. A Codorna chega cumprimentando os parentes e amigos. Fico feliz em vê-lo, já que não é uma figurinha fácil de se achar. Gabriel aparece minutos depois e vamos pro estúdio na 207 norte, no mesmo subsolo onde o Festival Porão do Rock foi concebido. Bacalhau não pode ensaiar, pois logo mais tocaria com o Orgânica e daria entrevistas.

O piloto de Autoramas. Clicado por larissa kodama
Ao contrário de seus companheiros de banda que fazem shows direto, Zé Ovo estava meio enferrujado. Há muito tempo ele não tem nenhum baixo e a última vez que tocou foi em fevereiro, na tumultuada reunião da banda em São Paulo. Gabriel, que fez dois shows em Goiânia com o Autoramas na noite passada (um acústico e outro plugado em lugares diferentes) e chegou em Brasília ás 10h, nem parecia cansado. Os dois passaram as músicas enquanto eu anotava o set list.
Já passava das 14h quando voltamos pro hotel. Confusão no saguão, muita gente ainda não conseguia fazer o check in. Encontro amigas de Goiânia e o pessoal de várias bandas, inclusive as gringas flanando por lá. Depois de muita conversinha e do almoço no shopping, me despeço dos caras.
Domingo, mais ou menos no horário do dia anterior, passo pra levá-los pro estúdio. Bacalhau chega depois com a Candyda, a vocalista do Orgânica. Berma e Beavis aparecem por lá também. Larissa, que está produzindo comigo o documentário do “Esfolando Ouvidos”, chega munida de filmadora e máquina fotográfica para um registro a altura do acontecimento.

Reality show BBB - Beavis, Bacalhau e Berma, o verdadeiro biguí brodí braziu. clicado por Larissa Kodama
Foi muito bom ver os três juntos novamente, dava pra ver a felicidade que eles estavam sentindo. A “alegria” estava contagiando, até o Berma que foi lá tirar umas fotos, ficava pogando na sala que nem um doido. O set list foi aumentando e o Gabriel lembrou de “A pista”, clássico do Filhos de Mengele. Eu ensaiei a música com eles, mas na hora do show, a produção do festival encurtou o tempo e várias músicas ficaram de fora. Uma pena! Seria uma bela homenagem à velha guarda do punk rock brasiliense.

Conhece o cheiro de Bacalhau suado? Clicado por larissa Kodama
Voltamos pro hotel para deixar os instrumentos. A MTV aguardava a banda para uma entrevista na cobertura. Lá estava Leandro Leospa, que substituiu o Bacalhau no Rumbora e trabalha para a emissora. Depois da gravação, Zé vai pro quarto dormir. Eu, o Berma e Gabriel fomos comer no mesmo shopping. Berma resolve ficar com os caras no hotel até a hora de ir pro show. Eu volto pra casa, mas chego no hotel às 20h. Queimamos mais um dos bons béquis que o Zé trouxe e pegamos a van pro festival. Era a vez deles me darem carona.
PS: Tô tentando colocar uns videozinhos!
Próximo post: camarim, palco, camarim e hotel.
RALADINHAS DO PORÃO
Setembro 21, 2009
São raladinhas, pois não chegam a esfolar. Não dá pra falar quase nada do Festival Porão do Rock, porque não vi nem 30% shows e só vou falar do que gostei.
Sábado: O Melda fez um showzão no palco pílulas, agradou tanto que o público pediu bis e ganhou mais um sucesso solitário de Claudão Pilha. A melhor notícia do dia foi o Sepultura tocar antes do Angra, fazendo que e eu e um monte de gente pudéssemos ir embora mais cedo pra casa.
Domingo: Maskavo Roots foi bom demais! Little Quail foi genial! Esse ano eu vi um monte de shows do Raimundos, mas ainda não consegui enjoar. Bem que eles podiam apresentar pelo menos uma musiquinha nova, né?
Eu vou fazer um post grandão sobre o Little Quail. Eu colei com os caras, fui aos ensaios no sábado e no domingo antes do show. Fizemos muitas filmagens e fotos exclusivas. Também ouvi muitas historinhas interessantes, mas a maioria é impublicável. Vai ser mó trabalheira, mas pretendo colocar o post essa semana. Fiquem ligados!
MEDO(S) DO ESCURO
Setembro 17, 2009

Essa dica é do atirador de facas Biu, que me passou um DVD piratex da animação Fear(s) 0f The Dark. Muito foda! São 6 pequenos filmes em P&B, com estéticas diferenciadas. O nome mais conhecido entre os diretores é o do quadrinista Charles Burns. Quem conhece as HQs do cara, sabe o quanto ele é escroto. A animação foi bem fiel ao seu traço estiloso e inconfundível. As outras animações não ficam atrás. Se você tem medo do escuro, assista de dia!