REGGAE DE RAÇA

setembro 29, 2009

natruts1

Quem não gosta do Natiruts pode parar de ler aqui! Mesmo não gostando, eu sei que você vai continuar lendo. Devem estar perguntando: Não vai me dizer que o Esfolando foi no show do Natiruts domingo passado? Claro que fui! Te digo mais: o show foi bonzão! Não é de hoje que eu gosto do Natiruts, acompanho a banda desde o começo, quando eles ainda se chamavam Nativus. Eles são a banda brasiliense mais bem sucedida (tirando o Capital Inicial) e são (ou deveriam ser) motivo de orgulho pra Brasília. Só pra ter idéia do nível profissional, o novo CD “Raçaman” foi mixado em Londres por ninguém menos que Mad Professor e a banda começa a tour mundial em novembro na Austrália e Nova Zelândia.

Falando do show, só consegui estacionar o carro na pista que desce pro Arena. Estava um congestionamento monstro e eu e mais um monte de gente tivemos que andar cerca de 1 km pra chegar até a portaria da ASBAC. Liguei pro Júlio, antigo baixista do Quebraqueixo e que há alguns anos é um dos produtores do Natiruts. Foi dois palitos pra ele agilizar a cortesia. Caí pra dentro e percebi que o bagulho estava atochado de gente, bem mais que 10 mil pessoas. O calor contribuiu pra que um monte de gostosas usassem shortinho, mas acho que se estivesse frio, elas iam se vestir da mesma maneira. Maravilha! A Prainha da ASBAC é o lugar perfeito pra esse tipo de evento. O palco montado na beira do lago ficou com visual de litoral. Bota fé que eu vi um surfista do lago Paranoá? O cara esta em pé num longbord com um remo no meio de vários barcos estacionados atrás do palco. Fui pro backstage onde estava rolando um esquemão. Camarins bem servidos faziam a festa de intrusos feito eu.

Quando o show começa, todo mundo abandona os bastidores e vão pra frente do palco. Sucessão sucessiva de sucessos (frase horrenda!). Sei que muita gente torce a cara pro Natiruts, acham que é som de playboy, que os caras são vendidos, tocam nas rádios e de vez em quando aparecem em programas horríveis de TV. Mas e daí? Eles usam essas mídias mais do que são usados. Por mais pop que possa parecer, existe uma rebeldia na raiz, uma postura arredia que poucos podem manter sem comprometer a integridade ao atingir o topo. Só uma pessoa muito tosca não é capaz de assimilar a qualidade da música, arranjos, letras e produção musical. Se mesmo assim você não gostar do Natiruts, vá ao show, pelo menos por causa das gostosas.

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UM ANO ESFOLANDO E 100º POST

setembro 26, 2009

bolo2

Eu tava achando que o aniversário do blog era hoje, daí eu fui olhar direito e descobri que foi no dia 23 de setembro de 2008 que eu postei no “Esfolando” pela primeira vez. É que o Esfolando é um desnaturado. Ah, esse aqui é o centésimo post, great shit!

Parte da culpa do Esfolando Weblog existir são do Biu e da Roberta AR que me pediram textos para o blog “Facada Leite Moça” e daí eu não parei mais. Um ano depois eu percebo que escrever num blog é um viciozinho safado, parece um Tamagochi que a gente tem que ficar alimentando senão os “leitores” vão te abandonar. É por isso que eu agradeço aos amigos que estão sempre passando a vista nas minhas cretinices. Também agradeço aos comentários, mesmo os ofensivos, o espaço taí pra se discutir e colher opiniões. De todos os posts, com certeza o “Michael Jackson não morreu” foi o mais polemico e bateu recordes de audiência. Teve um dia que chegaram a 490 visitas e 74 comentários. Mó sacanagem do Esfolando, o sujeito comovido procurava um ombro amigo no “GUGOL” pra confortá-lo nesse momento de dor e caía nessa página. Foi engraçado no começo, quando eu respondia os impropérios, mas depois enchi o saco e deixei eles falando sozinhos. Eu ia fazer as contas de quantos shows, festivais e eventos em que o Esfolando estava presente, mas achei que ia dar muito trabalho, então se alguém realmente tem interesse em saber, olhe as postagens antigas e me conte depois.

O “Esfolando Weblog” não tem muitas perspectivas e pode acabar a qualquer momento. Não ganho nem um real pra ficar escrevendo essas paradas, talvez porque não valham nem um real mesmo. Pelo menos eu me divirto e falo quanto palavrão eu quero e conto de toda maconha que foi legal fumar por aí. Por enquanto, o Esfolando é só um monstrinho que eu peguei pra criar. Talvez ele continue do tamanho de uma lagartixa, talvez um dia ele destrua Tókio. Vai saber!

LQ&MB no palco principal do Porão do Rock. Clicado por Patrick Grosner

LQ&MB no palco principal do Porão do Rock. Clicado por Patrick Grosner

Chegar de van no Porão do Rock foi uma beleza, principalmente porque estacionar na Esplanada em dia de evento é uma verdadeira merda. Descemos na área dos camarins, palco principal e área de imprensa. Prestativos voluntários nos encaminharam ao camarim destinado ao LQ&MB. Ganhamos credenciais especiais que nos davam acesso ao palco principal. Ainda faltavam 2 horas pro show e eu saí pra dar um role. Passei na banca do Natinho e vi uns pedaços de shows do Trampa e Kanela Seca no Placo Pílulas.

Quando voltei, o camarim foi compartilhado também pelo Raimundos e virou festa. Voltei 20 anos no tempo quando aquela mesma galera que ensaiava na casa do Berma. Assisti no palco, as músicas finais do Maskavo Roots. Que banda boa, né? Presenciei a confraternização dos integrantes atrás do palco após o show. Sei que todo mundo é ali tem seus projetos, além das questões do outro Maskavo, mas eles bem que podiam se animar e fazer outras reuniões como aquela.

Enquanto o palco era preparado para receber o Little Quail, a Codorna aquecia suas asinhas dedilhando o baixo. Ele já estava deveras elegante com a camiseta que eu dei pra ele do Quebraqueixo, mas perto do início do show, Zé Ovo arranca as calças e fica com um short que parece (ou era) uma cueca samba canção. Agora sim ele está com o figurino adequado. A banda vai pra frente do palco e Gustavo Ceará anuncia uma das atrações mais aguardadas do festival. Gabriel convoca os amigos que estão de sobreaviso para abrirem o show de forma apoteótica com 1,2,3,4. Eu e uma cabeçada fomos pra frete cantar uma das músicas mais emblemáticas do trio. Daí em diante, foi um passeio sonoro com as músicas que foram trilha para a juventude de muitas pessoas ali presentes e que se mantém viva através de uma nova geração de fãs.

Fiquei revezando nas filmagens com a Larissa em um dos lados do palco. Chegou um bebum vestindo roupa laranja (será que ele queria aparecer?) e ficava perturbando. Frango chamou os seguranças que tiveram trabalho pra tirar o cara de lá sem usar de violência. Deu cinco minutos e o cara invade o palco novamente, dessa vez a equipe de segurança não foi muito delicada. O show parou até a hora que o elemento foi arremessado na platéia. Tinha que ter baixaria! Fora as piadinhas e agradecimentos que deram o tom irreverente de todo o show, a química entre Bacalhau, Gabriel e Zé Ovo ficou evidente. Carisma, autenticidade e amizade verdadeira são a formula certeira do sucesso. Não do sucesso fácil e passageiro, mas do sucesso que deixa marca. São por essas e outras razões que essas três caras estão no pequeno hall da fama do rock brasiliense.

 

A Codorna batendo asas. Clicado por Patrick Grosner

A Codorna batendo asas. Clicado por Patrick Grosner

Epílogo:

Depois do show do Raimundos, o público foi minguando. Voltamos pro camarim para as festividades finais. Eram quase 4h quando eu, Berma, Zé Ovo e Salsicha pegamos uma van de volta pro hotel. Passamos ao lado da estrutura do festival um pouco antes do show do MCA, não tinha quase ninguém e uma chuva fina começava a cair. No quarto, Gabriel já estava deitado, quase dormindo. Zé Ovo apertou o derradeiro béqui. A aventura chegava ao fim. Salsicha foi embora na seqüência. Segui seu exemplo minutos depois. O Berma ficaria até às 6h pra aplicar o golpe do café da manhã chique do hotel. A chuva tinha aumentado, mais de longe ainda se ouvia música vindo do palco do Porão do Rock.  

PS: Um dia eu coloco outras fotos e videos desse show.

Pássaros loucos voando juntos novamente. Clicado por Esfolando

Pássaros loucos voando juntos novamente. Clicado por Esfolando

Na sexta-feira passada eu estava na Biblioteca Nacional pegando credencial e convites pro Porão do Rock 2009 quando o celular tocou. Era o Gabriel me ligando de Goiânia. Ele queria que eu arrumasse um estúdio pro Little Quail ensaiar no sábado e domingo. Na seqüência, liguei pro Jadson do Estúdio Degraus, que remanejou a agenda e descolou os horários que eles queriam.

Meio dia de sábado eu passo no hotel onde as bandas e imprensa de outras cidades estão hospedadas. Encontro a Mariana, irmã do Zé Ovo com o marido PH e o casal de filhos. A Codorna chega cumprimentando os parentes e amigos. Fico feliz em vê-lo, já que não é uma figurinha fácil de se achar. Gabriel aparece minutos depois e vamos pro estúdio na 207 norte, no mesmo subsolo onde o Festival Porão do Rock foi concebido. Bacalhau não pode ensaiar, pois logo mais tocaria com o Orgânica e daria entrevistas.

 

O piloto de Autoramas. Clicado por larissa kodama

O piloto de Autoramas. Clicado por larissa kodama

Ao contrário de seus companheiros de banda que fazem shows direto, Zé Ovo estava meio enferrujado. Há muito tempo ele não tem nenhum baixo e a última vez que tocou foi em fevereiro, na tumultuada reunião da banda em São Paulo. Gabriel, que fez dois shows em Goiânia com o Autoramas na noite passada (um acústico e outro plugado em lugares diferentes) e chegou em Brasília ás 10h, nem parecia cansado. Os dois passaram as músicas enquanto eu anotava o set list.

Já passava das 14h quando voltamos pro hotel. Confusão no saguão, muita gente ainda não conseguia fazer o check in. Encontro amigas de Goiânia e o pessoal de várias bandas, inclusive as gringas flanando por lá. Depois de muita conversinha e do almoço no shopping, me despeço dos caras.

Domingo, mais ou menos no horário do dia anterior, passo pra levá-los pro estúdio. Bacalhau chega depois com a Candyda, a vocalista do Orgânica. Berma e Beavis aparecem por lá também. Larissa, que está produzindo comigo o documentário do “Esfolando Ouvidos”, chega munida de filmadora e máquina fotográfica para um registro a altura do acontecimento.

Reality show BBB - Beavis, Bacalhau e Berma, o verdadeiro biguí brodí braziu. clicado por Larissa Kodama

Reality show BBB - Beavis, Bacalhau e Berma, o verdadeiro biguí brodí braziu. clicado por Larissa Kodama

 Foi muito bom ver os três juntos novamente, dava pra ver a felicidade que eles estavam sentindo. A “alegria” estava contagiando, até o Berma que foi lá tirar umas fotos, ficava pogando na sala que nem um doido. O set list foi aumentando e o Gabriel lembrou de “A pista”, clássico do Filhos de Mengele. Eu ensaiei a música com eles, mas na hora do show, a produção do festival encurtou o tempo e várias músicas ficaram de fora. Uma pena! Seria uma bela homenagem à velha guarda do punk rock brasiliense.

Conhece o cheiro de Bacalhau suado? Clicado por larissa Kodama

Conhece o cheiro de Bacalhau suado? Clicado por larissa Kodama

Voltamos pro hotel para deixar os instrumentos. A MTV aguardava a banda para uma entrevista na cobertura. Lá estava Leandro Leospa, que substituiu o Bacalhau no Rumbora e trabalha para a emissora. Depois da gravação, Zé vai pro quarto dormir. Eu, o Berma e Gabriel fomos comer no mesmo shopping. Berma resolve ficar com os caras no hotel até a hora de ir pro show. Eu volto pra casa, mas chego no hotel às 20h. Queimamos mais um dos bons béquis que o Zé trouxe e pegamos a van pro festival. Era a vez deles me darem carona.

 PS: Tô tentando colocar uns videozinhos!

Próximo post: camarim, palco, camarim e hotel.

RALADINHAS DO PORÃO

setembro 21, 2009

São raladinhas, pois não chegam a esfolar. Não dá pra falar quase nada do Festival Porão do Rock, porque não vi nem 30% shows e só vou falar do que gostei.

Sábado: O Melda fez um showzão no palco pílulas, agradou tanto que o público pediu bis e ganhou mais um sucesso solitário de Claudão Pilha. A melhor notícia do dia foi o Sepultura tocar antes do Angra, fazendo que e eu e um monte de gente pudéssemos ir embora mais cedo pra casa.

Domingo: Maskavo Roots foi bom demais! Little Quail foi genial! Esse ano eu vi um monte de shows do Raimundos, mas ainda não consegui enjoar. Bem que eles podiam apresentar pelo menos uma musiquinha nova, né?

Eu vou fazer um post grandão sobre o Little Quail. Eu colei com os caras, fui aos ensaios no sábado e no domingo antes do show. Fizemos muitas filmagens e fotos exclusivas. Também ouvi muitas historinhas interessantes, mas a maioria é impublicável. Vai ser mó trabalheira, mas pretendo colocar o post essa semana. Fiquem ligados!

MEDO(S) DO ESCURO

setembro 17, 2009

fear of

Essa dica é do atirador de facas Biu, que me passou um DVD piratex da animação Fear(s) 0f The Dark. Muito foda! São 6 pequenos filmes em P&B, com estéticas diferenciadas. O nome mais conhecido entre os diretores é o do quadrinista Charles Burns. Quem conhece as HQs do cara, sabe o quanto ele é escroto. A animação foi bem fiel ao seu traço estiloso e inconfundível. As outras animações não ficam atrás. Se você tem medo do escuro, assista de dia!

FESTIVAL MELODIA

setembro 15, 2009

fest melodia

Visando promover a música e artistas da cidade, o Melodia Studio Guitar Shop realizou o Festival Melodia no dia 12 de setembro. Das 126 bandas inscritas, 11 foram selecionadas e disputaram a final no sábado passado. O evento cuja produção foi de altíssimo nível, aconteceu na concha acústica da UNB com entrada franca. Aliás, a concha acústica da UNB é um excelente local para shows e é pouco aproveitado pela comunidade artística, devido à burocracia para a liberação do espaço. Outro ponto positivo para o Festival Melodia, foi a gravação do CD com uma faixa de cada banda concorrente, que pode ser trocado por um quilo de alimento na loja da 706 norte, bl E, 55. Os alimentos arrecadados serão doados a instituições de amparo social e lembrando que o festival não tem fins lucrativos. Como se não bastasse, a banda vencedora recebeu o prêmio de R$5.000,00 em equipamentos doados pelos fabricantes. No final das apresentações, os jurados decidiram que a banda Etno foi a melhor. Quero parabenizar ao Aldo, o Ceará e a toda equipe do Melodia pela produção do evento e fico na torcida para que o Festival Melodia de 2010 seja ainda melhor.

CHEIRO DE DEAD FISH

setembro 13, 2009

peixe morto

Passava da 1h da manhã quando saí da festa da Kingdom Comics, que estava bem animada na parte de cima do Balaio Café. Eu ia pra casa, mas a maldita curiosidade me fez passar na porta do Arena pra verificar a movimentação do show da banda capixaba Dead Fish.  Muitos carros estacionados e pouca gente do lado de fora são bons sinais. Amigos me disseram que tava tudo atrasado e resolvi entrar, já que o Galinha Preta ainda ia tocar. Acho que tinha bem uns 1000 jovens de público, talvez mais. Assisti a mais um bom show do GP e aprovei as novas músicas que entraram no próximo disco. Destaque também pro DJ Totórs tocando Miami adoidado. Dead Fish nunca foi uma banda que me interessou muito por fazerem aquele tipo de hardcore mais limpo e por vezes emotivo. Confesso que meu conceito da banda foi melhorando ao longo do show que terminou às 4h. Muita gente cantando junto e a animação da platéia fez a banda ganhar pontos. Coisa feia foram os dois seguranças gorilas que ficaram em cima do palco pra impedir os jovens de subirem. Não adiantou, a molecada subia, pulava, fazia macaquices no suporte de luz e nem se importavam de serem arremessados de volta. Agora esse peixe morto já não fede tanto assim.

FESTA DA KINGDOM COMICS

setembro 11, 2009

kingdom

A mais tradicional loja de quadrinhos de Brasília está comemorando 13 anos. A kingdom Comics convida os amigos para celebrar a data em festa chique no Balaio Café. O evento ainda homenageia os 70 anos do Batman. Vá fantasiado de vilão!

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A falta de coragem de certos jovens em Brasília chega a ser embaraçosa. Tenho acompanhado as notícias sobre o Porão do Rock nos blogs de música da cidade e fico pasmo com os comentários de certas “leitores” sobre a gratuidade do evento. A polêmica do Porão ser de graça chega a dar graça. Um bando de moleque cuzão, que tem medo de ir num evento de acesso livre na Esplanada, porque acham que só vai ser bom se for pago. São contra ser grátis porque só vai ter bandido, vão levar facada e vão roubar o precioso celular. Querem que o dinheiro os isolem da miséria e violência. Temos que lembrar que existe um monte de jovens que não tem grana pra ir num evento desse porte se for cobrado ingresso. Vocês querem privar esse jovem da feliz experiência que o rock pode proporcionar? Tem muito roqueiro pobre que é mais honesto e pacífico do que muita gente rica. Aliás, riqueza não é qualidade e quase sempre é um defeito. O que os mesquinhos não conseguem enxergar é a atitude de inclusão que o festival pode gerar. Lá vai ter bandido? Provavelmente sim, mas tem bandido em todo lugar. Você pode levar facadas até dentro de casa, como aconteceu com o casal de advogados e a empregada na 113 Sul. Jovem, seja mais corajoso e menos egoísta! Tá com medo da violência? Evite axé e pagode! Não quer se misturar com o povão? Fique em casa, o rock de Brasília não precisa de você!