O BOIS FOI PRO BREJO

setembro 7, 2009

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 O rebanho se dispersa. Uma das bandas mais simpáticas de Brasília se despediu dos palcos em grande estilo. Em atividade desde 1994 e apenas dois discos lançados, a banda Bois de Gerião fez o show derradeiro neste domingo (06/09) no Museu Nacional da República. Tinha menos gente do que eu imaginei que viesse, talvez o tempo fechado tenha espantado os medrosos e preguiçosos. Também não dá pra culpar o aquecimento global pela falta de fidelidade do público brasiliense. Conversei com o Rafinha rapidamente antes do show. Ele me disse aquilo que ele deve estar cansado de repetir pra todo mundo que o questiona sobre o fim da banda: todos os integrantes estão envolvidos em trabalhos pessoais. Na real, o que quebrou as pernas, ou melhor, as patas do Bois foi o baterista Gabriel tocar no MCA. No microfone, Rafinha dá essa mesma explicação pra platéia e embarga a voz discretamente ao agradecer aos ex-integrantes e pessoas especiais que ajudaram a banda durante todos esses 15 anos.

No início, o Bois seguia a linha ska core e chamou a atenção de jornalistas sedentos em descobrir a banda que encabeçaria a tal terceira onda do rock brasiliense. Muita responsa pruns moleques com pouca bagagem. Na época, o Raimundos ainda surfava bonito a hipotética “segunda onda” e a próxima wave nunca veio, nem marola rolou. O Bois ficou boiando. O divisor de águas aconteceu com a saída do Toco, o vocalista que tinha uma das melhores performances de palco que eu já vi. Uma vez eu assisti detrás do palco ele dar um mortal pra trás, cair de costas nas ferragens da bateria. Ele estava sem camisa e abriu um rombo sangrento nas costas e só deve ter percebido o estrago depois do show. Muitas doideras fizeram com que ele saísse da banda. O guitarrista Rafinha corajosamente assumiu os vocais e guitarras. O som também mudou, foi perdendo o ska e principalmente o core e ganhando influências do pop e (Deus que me perdoe) do rock gaúcho.

Acabei lembrando da época quando eu cantava no Macakongs 2099 e dividíamos um estúdio com o Bois e o DFC na 110 norte. A gente sempre se trombava nos ensaios e eu fumava muito béqui com o Tell, o Foca e o Vincent, acho que o Gus era careta igual ao Rafinha e o Gabriel. O show deles sempre foi bom e o público gosta das músicas, mas uma coisa que eu percebi e que ficou bem claro neste último show é que as pessoas só agitam mesmo nas que o ska e o hardcore ditam o ritmo. Queria ter ouvido “Abdução Sexual”, música que eu fiz a letra e está na 2° demo dos caras, mas não estava no set list. Pelo menos, eles encerraram as atividades com muita dignidade, tocando em um palco legal, ganhando cachê e com várias menininhas cantando junto. Como já vi muito disso acontecer, algo me diz que esse ainda não foi o último show do Bois de Gerião. Quer apostar!

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6 Respostas to “O BOIS FOI PRO BREJO”

  1. Cara, teve uma vez num show na Fábrica do SIA que tava rolando um duelo de bateras virtuoses, lance chato pacarái. Eu tava passando com o Toco e o Jason, outro doido que era batera do Bois na época. Falei de onda pro Toco jogar uma lata de cerva e o bicho jogou, hahaha, acertou a mão do cara…

    Até hoje falo com ele, que tem dois filhos, e tá mais sereno, hahahaha. Putz, e o Tell parecia m***nheiro de HQ, hahhaha. Galera gente boa e banda que a tal idéia de “sucesso” só atrapalhou.

  2. Vincent said

    Fala Evandro! Muito maneiro esse teu blog,chique o negócio!!! Valeu por ter ido ontem lá no show!!! Bons tempos esses da salinha na 110 norte… Mas ta foda, o esquema de todos terem seus projetos é real mesmo, e o Gabriel ter ido pro Móveis só complicou. Vamos ver o que rola pela frente. Estamos todos bem satisfeitos com esse ultimo show!!!! Abração!

  3. Gabriel Coaracy said

    Fala, Esfolandro!! Cara, é meio triste acabarmos, mas acho que foi importante. Esse lance de eu ter entrado nos Móveis foi apenas um catalisador, pois outras prioridades entraram na vida de cada um e o branco criativo ficou mais forte. Uma banda precisa se reinventar, a menos que queira virar nostalgia. Se nós quisermos nos reinventar mais adiante ou mesmo dar um show-nostalgia, nada impede que aconteça.
    Abraço!

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