FIQ 2009 (PARTE UM)

outubro 14, 2009

FIQ BH 2009 313

Ir ao FIQ 2009 não foi uma decisão repentina, eu já estava articulando essa idéia há algum tempo. A tramóia era conseguir uma data para o Quebraqueixo tocar em BH num dos dias do Festival. Comecei essas negociações em maio desse ano durante o Festival Bananada em Goiânia com os caras de BH do Grupo Porco de Grindcore Interpretativo. Esse diálogo se estendeu por e-mail até descolar essa data no “A Obra” graças ao empenho do Batista e do Porquinho. Daí veio a idéia de, além dos shows, fazer a festa das revistas que estavam sendo lançadas no FIQ e que faziam parte do estande “Quadrinhos Dependentes”. Começou uma lista de discussão na internet com o pessoal das revistas Quase (ES), Prego (ES), Tarja Preta (RJ) e Samba (DF). Já no final, apareceu a revista Macaco (GO) que é da Monstro, representado pelo Márcio JR.

Tenda dos estandes ainda com pouco movimento

Tenda dos estandes ainda com pouco movimento

Eu nem tinha a intenção de lançar o gibi do Quebraqueixo esse ano, mas eu como eu já tinha um material pronto, me pareceu o timing perfeito. Herman, baixista do QQ virou meu sócio nessa empreitada e deu tempo da revista ficar pronta a tempo.

Voei pra BH no dia 6 de outubro, dia da abertura do FIQ. De Brasília à Belo Horizonte são 50 minutos de vôo, mas do Aeroporto de Confins (entendi o nome) foram quase duas horas de ônibus até a rodoviária. Ao desembarcar, comecei a procurar um hotel lá perto. Escolhi o “menos pior” pardieiro das redondezas, larguei minhas coisas lá e pedi informações para chegar ao Palácio das Artes. Cerca de 20 minutos andando, cheguei ao local. O lugar é bem bacana, com galerias, cinema, livraria, dois teatros (um pequeno e um grande), lojas e lanchonete. Os estandes foram montados na parte externa sob uma tenda central batizada de Eugênio Colonnese, em homenagem ao ilustrador italiano radicado no Brasil e que faleceu em agosto passado.

Todos os estandes são bem caretas e certinhos, exceto o dos quadrinhos dependentes que ficou lá no fundão. Também, só gente doida e os únicos provocadores de tumulto de todo o FIQ. Saca só a crew: Gabriel Góes, Mesquita e LTG de Brasília, Alex Vieira e Raul de Vitória e os cariocas da Beleléu Tiago El Cerdo, Lafa e Arruda. Durante a semana foi aparecendo mais gente do mesmo naipe.

Samba e Beleléu confraternizando de forma estranha.

Samba e Beleléu confraternizando de forma estranha.

O movimento no festival ainda estava meio fraco. Fui fuçar o que mais o FIQ tinha para oferecer. Um destaque foi o Supermercado Ferraille, uma loja onde você encontra embalagens com rótulos que satirizam a sociedade de consumo. Melhor ver as fotos do que eu explicar. Esse é um projeto dos quadrinistas franceses Felder e Cizo. Falaremos muito desses french guys mais adiante. Nessa primeira visita ao supermercado, talvez eu tenha feito a melhor compra de toda a viagem. Adquiri um dos quatro únicos exemplares do livro Monsieur Ferraille do desenhista Winshluss (que fez a maioria dos desenhos dos rótulos) com roteiros do Cizo. Nem precisa falar que esses livros sumiram da prateleira em minutos, LTG também é um dos felizardos. Outro detalhe: o número do código de barras é 666 2009.

Só produtos refinados.

Só produtos refinados.

Pizza em lata deverá existir em breve.

Pizza em lata deverá existir em breve.

Essa foi feita pelo Allan Sieber.

Essa foi feita pelo Allan Sieber.

Essa são pílulas para colocar no drink de uma gostosa e quando ela beber, você se tornará irresistível para ela. No outro dia ela esquece, mas você não. Comprei um desses, tomara que funcione!

Essa são pílulas para colocar no drink de uma gostosa e quando ela beber, você se tornará irresistível para ela. No outro dia ela esquece, mas você não. Comprei um desses, tomara que funcione!

Um dos atrativos do festival eram as mesas de debates. A primeira delas foi “Animação e Cinema” com o canadense Guy Delisle e os brasileiros Lancast e Sávio Leite. O pequeno teatro ficou apenas 1/3 cheio. Falou-se muito sobre as dificuldades de se fazer animação no passado e como hoje tudo é mais fácil e rentável. Guy, assim como todos os convidados estrangeiros, eram acompanhados de tradutores. Ele falou sobre sua experiência em trabalhar nos estúdios de animação da Coréia do Norte e cujo os relatos em forma de HQ dessa viagem lhe rendeu o livro Pyongyang. Disse também que abandonou a animação quando começou a ter prestígio como quadrinista. Na verdade, eu achei que ele fosse um cara mais engraçado pessoalmente, já que suas HQs são bem humoradas, mas impressão que tive foi de um sujeito quieto e desconfortável. No final, ele fez uma pequena sessão de autógrafos. Saí de lá com o meu já citado Pyongyang e o Crônicas Birmanesas devidamente rabiscadas. Esqueci de dizer que eu levei duas malas nessa viagem, uma com minhas roupas, mais 15 camisetas e 80 gibis do Quebraqueixo e outra menor só com gibis para serem autografados pelos artistas. Advinha qual era a mais pesada? Pesei na balança do aeroporto, 11 kg a primeira, 12 kg a segunda.

O animador desanimado Guy Delisle.

O animador desanimado Guy Delisle.

Eu ganhando meu primeiro autógrafo gringo do FIQ e preste a entregar o gibi do Quebraqueixo.

Eu ganhando meu primeiro autógrafo gringo do FIQ e preste a entregar o gibi do Quebraqueixo.

A segunda mesa foi “Humor Gráfico” com os franceses Cizo e Felder, o argentino liniers e o mineiro Duke. Dessa vez foi muito divertido, pois os três são muito engraçados e fizeram a platéia rir o tempo todo. Vou ver se coloco uns videozinhos mais pra frente. No final, mais autógrafos. Cizo dedicou o meu Monsieur Ferraille assim: “Pour Evandro, mon premie fan a Belo Horizonte”, não sei falar francês, mas entendi o que ele escreveu. Já Felder é um figuraça e estava vestido com a camisa do Atlético Mineiro. Um dia antes de viajar, soube que ele é o roteirista da ótima HQ Muerto Kid e ele desenhou o personagem no jornal da programação do FIQ pra mim. Como não existe nada publicado no Brasil desses franceses, eles se livraram logo dos chatos que pedem autógrafos e saíram fora. Já liniers não teve tanta sorte e encarou uma pequena fila de 15 pessoas. Levei minha edição argentina de Macanudo 5 já com essa intenção. Igual a todo bom quadrinista, ele demorou pelo menos 2 minutos fazendo um desenho e dedicatória para cada fã. Foi muito simpático e atencioso com todos, acho que é aí que está o diferencial do grande artista em ganhar ou perder o fã para sempre. Outra coisa que esqueci de dizer é que todos os desenhista que pedi autógrafos, ganharam um gibi do Quebraqueixo e tirei fotos deles segurando o produto na maioria das vezes. Sem exceção, de Maurício de Sousa à Craig Thompson, todos pagaram pau pra capa que o Caio Gomez desenhou.

Duke, Felder, tradutor, Cizo e Liniers.

Duke, Felder, tradutor, Cizo e Liniers.

Cizo autografando para o primeiro fã em BH.

Cizo autografando para o primeiro fã em BH.

Liniers olhando o gibi do QQ.

Liniers olhando o gibi do QQ.

O FIQ encerra esse primeiro dia às 22h. Como pizza e volto a pé debaixo de uma fina chuva para o hotel. A região central é um lugar pouco recomendável para se andar de dia, quanto mais à noite. Igual a toda grande cidade, Belo Horizonte também tem seu lado escroto. Vários mendigos, malandros, putas, travecos, crakeiros e trabalhadores habitam esse universo. Não fui incomodado por ninguém, talvez seja essa minha carinha de mau. Me perdi no trajeto, mas cheguei ileso no moquifo. O Esfolando é assim: faz turismo de aventura e se adapta às regiões inóspitas do planeta. Dormi vendo Simpsons na 14”.

Meu muquifo delux.

Meu muquifo delux.

Se beber isso, não precisará do produto abaixo.

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Experimente! Se não funcionar, devolvemos seu dinheiro!

Experimente! Se não funcionar, devolvemos seu dinheiro!

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3 Respostas to “FIQ 2009 (PARTE UM)”

  1. Faaaaala Evandro!
    Ficou massa teu diário.
    Quero minha Quebraqueixoooo!
    Abração

  2. Ah! E também foi foda ter te conhecido e ter conhecido todo o pessoal.
    É nóis!!!

  3. esfolando said

    E aê Lafa! Eu deixei um gibi do QQ pra cada um da Beleléu, deve estar com o Stêvz ou levaram balão! Abraço!

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