De vez em quando é bom visitar os vizinhos e ver o que eles estão aprontando. Quando rola o Bananada e Noise, a minha curiosidade e voyeurismo musical acabam vencendo a preguiça e eu passo pelo menos um dia na capital goiana. Motivos não faltam: assistir shows, rever os amigos, conhecer gente nova, fofocar e fazer negócios.

 

 

Fui no sábado à tarde e voltei de madrugada, no esquema “bate e volta” só pra esfolar o 15º Festival Goiânia Noise. Realizado no Centro Cultural Martim Cererê, o Noise desse ano inovou na disposição do espaço. A área que normalmente é restrita para as bandas e imprensa foi liberada para o público circular. Deixei meus livros e gibis nos estandes e comecei a maratona de shows. Entrava em um teatro, dava dois minutos pra banda que estava tocando me convencer a assistir um pouco mais. A primeira que conseguiu essa façanha foi a carioca Confronto. A banda é boa e lembra o Pantera nos bons tempos.

 

 

Depois vi o esquisito trio suíço Mama Rosin. A formação é um baterista, um guitarrista que também toca aqueles coletes de ferro que é tipo um reco-reco e um vocalista que toca uma sanfona pequena (acho que é uma harmônica). Parecia uma mistura de Baião com música caipira americana.

 

 

O show do Mechanics reservou boas surpresa. Pra começar, tinha um cara preso dentro de um saco e pendurado na beira do palco. Ele ficava se contorcendo e a luz permitia que víssemos sua silhueta. Depois subiram ao palco, dois caras que ficavam juntos, um de costas pro outro, com um pano unindo as duas cabeças. A performance do Grupo Empreza durou até o cara conseguir se libertar do saco. O efeito visual tinha tudo a ver com o som da banda, que é muito boa e agora estão cantando em português. Assista ao vídeo do começo do show e entenda o que eu estou dizendo!

 

 

As Mercenárias me decepcionaram. Elas estão mal ensaiadas e eu não tive paciência pra assistir mais que 10 minutos. O Black Drawing Chalks lotou um dos teatros e não consegui nem entrar. Já os americanos do Dirty Projectors tiveram menos de 30 segundos de minha atenção, quando eu vi que eles eram daquelas bandas vagarosas que eu acho um saco, saí de perto rapidinho.

 

Com o fim das atrações musicais, as pessoas foram saindo. Fiz meus últimos business, me despedi dos amigos e peguei o rumo de casa. Agora só em 2010.

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LA MÍNIMA É O MÁXIMO!

novembro 27, 2009

O grupo La Mínima é uma companhia de teatro que mistura circo e palhaçada e é comandada pelos atores Domingos Montagner e Fernando Sampaio. Eu já os vi em cena no espetáculo “A Noite dos Palhaços Mudos” por duas vezes (uma em SP e outra no DF). O roteiro dessa peça é baseado na HQ homônima do quadrinista Laerte. O grupo esteve em Brasília essa semana no Teatro da Caixa, onde pude conferir a peça “Reprise”. O teatro estava cheio de crianças, que se divertiram tanto quanto os adultos. A peça é bem leve, de teor ingênuo e com muita participação da platéia. Ainda tem uma sessão do “A Noite dos Palhaços Mudos” nessa sexta-feira (27/11). A sessão começa às 20h e custa R$10,00 a inteira. Imperdível!

SEM PENA DO GALINHA PRETA

novembro 26, 2009

Cartaz do filme.

Só pode ter sido macumba ou praga de crente! Tirei uma onda escrota com essa parada do filme d’O Galinha Preta e meio que quebrei a cara. No domingo passado (22/11), o Cine Brasília estava cheio até a tampa, mó expectativa pra ver o filme e o filme não passou. Os produtores alegaram que não conseguiram terminar a parte do áudio. Com o anúncio do cancelamento da sessão, mais da metade da platéia deixou o cinema revoltada e não assistiram aos curtas. No lado de fora, vi boa parte do elenco do Galinha reunido tentando saber o que tinha acontecido, mas o estrago já estava feito. Algumas horas depois, surge a notícia de que o filme seria exibido na segunda-feira às 17h. Eu reconvidei alguns amigos, mas não dei garantia de que ele passaria realmente. Umas 200 pessoas vieram pra sessão, o que foi até bastante se considerarmos o dia e hora ruins. Eu já tinha visto duas versões do filme e sabia mais ou menos os defeitos e qualidades, as novidades foram as animações dos créditos iniciais e a trilha sonora mais encorpada (a música “Conto do Vigário” do Quebraqueixo toca nos créditos finais). Apesar do áudio apresentar problemas e as promessas da diretora Cibele Amaral em fazer alguns ajustes na narrativa, senti que o filme agradou quem assistiu. Foi feio pra caralho o filme não ter sido exibido no domingo e a sensação era de que O Galinha Preta perdeu o timing que estava rolando no Festival, mas pelo menos ele desentalou. Pra quem não viu, agora só em 2010 nos cinemas ou na feirinha del Paraguay mais perto de você!

 

ESFOLANDO O CINEMA NACIONAL

 Eu nunca fui muito de freqüentar o Festival de Brasília do Cinema Nacional, principalmente por não curtir muito os filmes brasileiros. Por conta do ataque planejado pela crew da Revista Samba e do Esfolando Empreendimentos de montar um camelô durante o evento, acabei indo a todos os dias do FBCB. No primeiro dia, eu, o LTG e o Gabriel Góes chegamos cedo pra garantir nosso lugar ao lado da bilheteria. Depois que nós arrumamos as mesas e colamos os cartazes, veio um tiozinho e seguranças para nos expulsar do local. Fizemos duas mudanças até descolarmos um lugar maneiríssimo no lounge da praça de alimentação. Durante os seis dias, nós perturbamos e fomos perturbados pelos freqüentadores. Quem deu uma força legal pro estande foi o Pedro das camisetas “Nem Um Nem Outro” e de vez em quando, Gabriel Mesquita aparecia antes de cair na cadência do samba. O saldo foi altamente positivo: rimos bastante, conhecemos várias gatas e colocamos algum dinheiro no bolso. Pra provar que somos chiques, saiu até nossa foto e entrevista no  Correio Braziliense.

 

 

MUERTEEN EM CARNE E OSSO

novembro 20, 2009

Foi Biu que me disse “agora que você inventou o Muerteen, nunca mais vai precisar se preocupar em desenhar bonito!”. Em parte ele tem razão, eu gosto do jeito econômico que a tira se resolve, sem preenchimento de preto e de poucos recursos estilísticos. Mesmo assim eu demoro quase um par de horas pra finalizar uma página, o que não é nada comparado com desenhistas cabulosos que ficam até mais de um dia em cima de um único desenho. E outra coisa, eu quero desenhar bonito sim! Tenho outros projetos que me exigirão maior habilidade no traço. Mas com o Muerteen é desse style largadão mesmo. E nas tiras de hoje, fica claro a minha autocrítica. Continuem respirando!

ESTAMOS NO FESTIVAL DE CINEMA

novembro 19, 2009

Eu e o pessoal da Revista Samba estamos com um estande chique no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Procure a gente na praça de alimentação e conheça nossos novos títulos de gibis e livros. Vou aproveitar e fazer propaganda dos filmes que estamos participando. O Lucas Gehre (LTG) trabalhou nos filmes Reticências” de Jackson Villela e “Verdadeiro ou Falso” de Jimi Figueiredo fazendo respectivamente a direção de arte e a cenografia. E tem aguardado longa-metragem “O Galinha Preta”, que é baseado no meu conto “Trabalho do Galinha Preta” que está presente no livro “Grosseria Refinada”. A direção é da Cibele Amaral, eu sou um dos roteiristas, fiz uma “ponta” no filme e o Quebraqueixo está na trilha (numa versão rap que ainda não ouvimos). O filme será exibido uma única vez e depois só em 2010 quando entrar em cartaz. Então tá todo mundo convidado pra assistir o filme no domingo (22/11) às 16:30 e é de graça. Para saber mais sobre a programação do festival visite o http://www.festbrasilia.com.br/

 

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Fazer escambo é uma das praticas comerciais mais antigas da humanidade. Como bom camelô que sou, estou sempre trocando meus livros, CDs e gibis por outras mercadorias culturais. Os meus “produtos” servem de moeda e fazem com que os bagulhos circulem por outros territórios e achem o público consumidor certo. Nesses dois últimos meses, fiz ótimas aquisições e estou disponibilizando esses materiais no Esfolando Weblog para quem interessar (e) possa. Primeiro vou postar só os livros de rock, mais pra frente será a vez do gibis “dependentes”.Os pedidos e infos devem ser feitos pelo e-mail evandro.esfolando@hotmail.com, lembrando que possuo poucas unidades de cada, então é melhor se garantir logo. Pra quem mora no DF, posso entregar as encomendas no Conic. Para quem quiser receber pelo correio (inclusive DF) acrescente R$3,00 pelo primeiro produto e mais R$1,00 por cada produto adicional.

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Guitarra e ossos quebrados (SP). Diário de tour pela Europa, dessa vez com as bandas Leptospirose e Merda. Escrito por Quique Brown, como o título sugere, o fim do relato quase termina em tragédia intercontinental. 144 pgs R$15,00

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Una Gira En Sudamerica: Com o Conjunto de Música Rock MERDA) (ES). O grupo Merda fazendo uma tour pelo Brasil e países sul-americanos dentro de um carro Gol. Hilárias aventuras descritas por Fabio Mozine, também guitarrista da banda Mukeka di Rato. 159 pgs R$15,00

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Jason 2001: uma odisséia na Europa (RJ). Diário de uma tour da banda Jason pelo continente europeu escrita pelo guitarrista Leonardo Panço. Ótimo pra quem planeja viajar com a bandinha pra gringa ou fazer turismo punk. 132pgs R$15,00

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Breganejo Blues – Novela Trezoitão (MA). Novela com inspiração nos gibis de bang bang e música brega escrito por Bruno Azevedo. 132 pgs R$15,00

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Esfolando Ouvidos – Memórias do Hardcore em Brasília (DF). Escrito por mim sobre a cena HC do DF entre 1984 e 2004. 132 pgs preço especial R$10,00

Grosseria Refinada (DF). Livro de contos malvados escrito por mim. 116 pgs preço especial R$10,00

Quebraqueixo – A Banda Desenhada (DF). Gibi com as letras da músicas da banda Quebraqueixo adaptadas para os quadrinhos na mão de artistas brasilienses. Vem com pôster grátis. 20 pgs R$5,00

SEXTA 13 COM MUERTEEN

novembro 13, 2009

Essas tirinhas são pra agradecer aos blogs http://facadaleitemoca.wordpress.com e o http://rockbrasiliadesde64.blogspot.com que estão publicando o Muerteen e pra dar os parabéns pelo primeiro aniversário da Revista Samba. Boa sorte!

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The Exploited após a passagem de som no Arena.

Quando os primeiros boatos sobre a vinda do The Exploited pra Brasília começaram, eu fiquei com pé atrás. E não é que os caras vieram mesmo, eu e mais umas 800 pessoas temos como provar essa façanha.

"Um legítimo escocês no cerrado"

Pra me garantir, cheguei cedo no Arena pra ver a passagem de som. O Lobotomia também estava lá, tomando cerva e vendo um monte de tiozinho jogando “futiba” de pedreiro. De repente aparecem uns figuras com cara de gringo, entre eles estava um sujeito com um moicano vermelho choque na cabeça. Ele é mais baixo e barrigudo do que eu pensava, mas era o bom e velho Wattie em pessoa.

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Enquanto o batera, o guitarra e o baixista do The Exploited se ajeitavam no palco, Wattie ficou colado na grade, onde mais tarde os fãs mais fervorosos da banda estariam espremidos. Comecei a tirar umas fotos pra tomar coragem e vocês conhecem o Esfolando, não deixei por menos. Wattie viu minha aproximação, apertamos as mãos e eu lhe entreguei um gibi do Quebraqueixo (mais um pra lista).

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No meu “bad english”, expliquei que era sobre a banda e que foi desenhado por artistas da cidade. Ele foi bem simpático e pareceu ter gostado do presente. Pedi pra tirar uma foto com o gibi, depois o Álvaro tirou uma de nós dois. Se o punk rock tivesse um cheiro, esse cheiro seria igual a que eu senti perto do Wattie, o sujeito fedia, mas era o cheiro de suor de um cara que está há 30 anos percorrendo o globo terrestre mandando os Estados Unidos se fuder. Agradeci e me afastei, quando olhei novamente, ele estava folheando o gibi demoradamente e depois o guardou a mochila. Filmei duas das três músicas que eles tocaram na passagem de som e você pode assistir “Troops Of Tomorrow” com exclusividade aqui.

A programação do evento estava muito melhor do que a de muitos festivais brasileiros. Começou com três times da primeira divisão do HC brasiliense: Os Cabeloduro, Galinha Preta e DFC, só eles já valiam o ingresso. A produtora Mundano mandou bem e ainda escalou o Mukeka di Rato (ES) e o Lobotomia (SP). Todos os shows de abertura foram bons e tiveram uma boa resposta do público. Acho que alguns idiotas não foram no show com medo de treta e por causa dos carecas. Eu não vi e não soube de nenhuma porrada séria, a não ser a pogação comendo quente e os bebuns caindo torto.

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Quando os gringos começaram o show, o Cascão disse pra mim: “a gente conhece esse cara desde moleque!”. Respondi: “o Wattie é um verdadeiro ícone, ele e a caveira moicana são como marcas registradas!”. O público presente mostrou estar com bom preparo físico, agitando do começo ao fim. Era só uma música acabar que começava o coro: “Fuck the USA”. Já no fim, uma cabeçada subiu no palco e cantou, se não me engano “Sex & Violence”. Não rolou bis, aquele bis cu doce que a banda sai e depois volta. Os caras tocaram o que tinham que tocar e saíram do palco escoltados por seguranças até o camarim.

Apesar da proteção, muitos fãs conseguiram fotos e autógrafos antes e depois do show. Wattie e sua crew são boa praça e acredito que ainda os veremos por aqui de novo.

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PS: Não estou conseguindo colocar legenda nas fotos. Paciência!

MAIS MUERTEEN

novembro 6, 2009

Taí a primeira página que fiz do “Muerteen” e outra que desenhei no dia das bruxas. Aproveitem a vida!

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CIGANO IGOR VOLTOU!

novembro 5, 2009

Macakongs 2099 em formação de play-back. Eu, Baleia, Natinho, Cabelinho, Phú e Fabrício.

Você conhece o Cigano Igor? Não estou falando de um pífio ator de uma novela cujo personagem se chamava Cigano Igor! Pra quem não sabe, eu fui vocalista da banda Macakongs 2099 da primeira formação em 1998 até 2002 e adotei esse simpático codinome. Depois da minha saída, fiz participações esporádicas em shows enquanto a banda amargava mais uma das inúmeras mudanças de integrantes. No período que estive na banda, gravei os três primeiros CDs e fiz quase duas centenas de shows.

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Durante as gravações do disco Tropicanália (2007), banda estava sem vocalista e chamou um monte de gente pra cantar as músicas. Pra esse disco, eu e o Natinho gravamos a música “Brazza City” em parceria. Há alguns meses, o Macaca sofreu baixas significativas em sua formação, sobrando apenas o incansável Phú e o guitarrista Fabrício. Mesmo capenga, a banda continua na pista e está gravando um split em vinil para ser lançado em Portugal. Semana passada, Djalma me ligou dizendo que ia fazer um clipe de “Brazza City” e era pra eu o Natinho participarmos. Lógico que aceitamos, uma boiada dessas não acontece todo dia.

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 Pra completar o time de dubles estavam o baterista Cabelinho e o guitarrista Baleia. O sabadão passado foi punk com as filmagens de Luis Derek e mais uma equipe bacana. Foram quase 6 horas de filmagem e vou te dar o papo, ficar fazendo play-back é cansativo pra caralho. Fica o meu agradecimento de todo mundo que participou e colaborou com o projeto e com as risadas. Como esse videoclipe vai demorar um pouco pra ser visto, assista ao clássico clipe de “Evil Elvis”, que foi filmado nos EUA e que tem cenas do filme trash “Cannibal Maniac” do mesmo diretor!