Nunca entendi direito o termo “world music”, mas se tem alguém que consegue fazer sua música ser entendida por diversos povos, principalmente os latinos, esse alguém é Manu Chao. É espanhol? Francês? Inglês? Português? Seria esperanto ou esperanza? Não sei, mas eu e umas mil pessoas que estavam no Arena na sexta-feira passada entendemos tudo o que ele disse. E deve ser assim por onde ele passa deixando sua mensagem em língua universal.

Pouco antes do início do show, fiz meus preparativos: Fui ao banheiro, peguei uma água e sorrateiramente fui me posicionando perto da grade. Reparo nas melhorias que a estrutura do local recebeu. O palco está mais largo e confortável, mas ainda está baixo. Como Manu Chao não é um cara alto, as pessoas que assistiram o show de longe, provavelmente tiveram dificuldades em ver o artista em ação.

 Uma da manhã quando ele e os dois companheiros da banda Radio Bemba, Madji (guitarra e violão) e Gambacito (bateria), subiram ao palco. Comecei a filmar com minha máquina fotográfica os 10 primeiros minutos depois desliguei, primeiro porque meu braço já estava doendo e depois porque é um saco postar vídeos grandes no YouTube. Quase 10 minutos depois, essa primeira música (ou músicas) acaba. É difícil saber quando uma música termina e outra começa, não importa.

Pra minha surpresa, esse vídeo tinha 65 exibições antes de ser postado no blog.

 Na metade da apresentação, Madji troca a viola por uma guitarra e a sonoridade muda completamente, dando um ar mais roqueiro pro evento. Como a música de Manu Chao é extremamente flexível, ele passa de um Reggae para um hardcore num estalar de dedos, fazendo a playboyzada pular como se estivesse numa micarê. Ninguém mais lembra da madrugada fria, perto do palco a suadeira é soberana como um bom show deve ser. Gambacito nem usa Ton Tons em seu simples set de bateria e toca um HC 4×4 seco e sem firulas. Em outros lugares, aquilo viraria uma imensa roda de pogo, mas o público chique dessa noite nunca faria algo do tipo.

Depois de duas horas quase ininterruptas de show, Manu Chao ameaça sair do palco. O público não deixa, eles tocam mais 20 minutos e tentam escapar. Novamente o público intervém querendo mais. Com sinceros sorrisos nos rostos, o trio repete mais duas músicas do set list e se despedem cumprimentando as pessoas espremidas na grade de proteção e distribuem garrafas de água do palco. Muita gente ainda pediu para eles voltarem, mas aí já era demais. Para conter os ânimos dos afoitos, DJ Barata entra em cena tocando a música do “Show de Calouros” do Silvio Santos (aquela que chamava os jurados) em ritmo de ska, dispersando a turba. Hora de colocar o casaco e partir. 

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Pra quem não está entendendo toda essa polêmica da aliança entre o Brasil e o Irã, o Pombas y Bombas explica: os Estados Unidos estão putos com o Brasil por estarem fazendo acordos comerciais de energia nuclear com o Irã. Então, pau no cú do Obama por ele achar que o Brasil não tem soberania para se aliar com seus inimigos. Em contrapartida, pau no cú do Lula por estar se metendo com o Mahmoud, que é um louco assassino. Pra fechar, pau no cú do Irã por estar fingindo enriquecer Urânio apenas para produzir energia, quando está na cara que eles querem é fazer bombas e usá-las. Simples assim!

ESFOLANDO O FERROCK

maio 19, 2010

Nos dias 15 e 16 de maio de 2010, o Festival Ferrock comemorou 25 anos de atuação revolucionária pela cultura do Distrito Federal. Tive a honra de fazer parte desse evento me apresentando com o Quebraqueixo na tarde de sábado.

 A praça da Administração da Ceilândia demorou para encher na noite de sábado. E ainda que o ingresso simbólico fosse de apenas 2 kilos de alimento, houve que preferisse ficar do lado de fora. A grande atração dessa noite foi o lendário blues man americano Johnny Winter. No backstage, encontrei com o amigo Fred Casquilas (ex-guitarrista do Restless) que é da equipe de roadies que acompanhava a turnê do músico no Brasil, preocupado com a escada que leva ao palco. Disse que Winter teria dificuldades em subir os degraus, pois tem a saúde debilitada e problemas de visão. Mesmo assim, Winter fez uma apresentação histórica com sua afiada banda de apoio. Tirei fotos e filmei o show bem de longe, já que não consegui entrar na área reservada em frente ao palco, apesar de estar credenciado.

O domingo estava reservado para as bandas de som brutal e público metaleiro compareceu em peso. Temi pela frágil saúde de Felipe CDC, que a qualquer momento podia ter um troço devido a emoção em dividir o palco com seus ídolos. Não vi nenhuma atração local, pois cheguei na hora em que o Suffocation (penúltima banda) iria se apresentar. Por sorte, reciclei a pulseirinha do dia anterior e pude assistir o show na área reservada. O death metal desses americanos é bastante competente e empolgou o público apreciador do gênero.

Enquanto os roadies preparavam o palco para o Napalm Death, fui perambular no backstage. Lá trombei com o Shane Embury, baixista da banda. Pra variar, tirei umas fotos com o cara segurando o gibi do Quebraqueixo. Depois de filmar os caras subindo no palco, corri para assistir ao brutal espetáculo. Só tenho a dizer que foi muito, muito escroto mesmo ver o Napalm Death tocando assim tão de perto.

Quero dar os parabéns para a produção do evento e dizer que estamos na expectativa de que a edição de 2011 seja ainda melhor do que a desse ano.

           Brasília tem umas coisas estranhas, tipo um fim-de-semana sem porra nenhuma rolando e no outro, tumulto total. Entre sexta e domingo, nada menos que quatro atrações internacionais desembarcaram na cidade. Foi difícil (e prazeroso) acompanhar essa bendita invasão dos gringos, mas valeu. Sabe-se lá quando eles baixarão aqui novamente!

 

          Começamos bem com o Living Colour na sexta-feira. Tava meio na cara que esse show não ia bombar forte. Pouca divulgação e ingressos salgados para uma banda, que apesar de ser da melhor qualidade, está afastada da mídia e da moda. Acho que só umas 600 pessoas compareceram no evento, dando indícios que foi mó prejú. Esse lance de fazer área vip com open bar foi uma grande roubada, se não houvesse a segregação de público, o ingresso seria mais barato e mais gente iria. E o open bar é uma coisa estúpida, o que mais se via era idiotas fazendo chuva de cerveja, duvido que se eles estivessem pagando, não fariam isso.

 

          Vamos ao show! Passava da 1h da manhã quando o quarteto subiu ao palco para duas horas de um show eletrizante. Eu estava com a impressão de que iria rolar um flashback com todo aquele lance do Funk Metal dos anos 90, mas o que eu ouvi foi música moderna, futurista e atemporal.

 

          Todos os caras tocam muito, muito mesmo. Presença de palco, carisma e a interação com o público foram perfeitas, tanto que o baixista Doug Wimbish desceu do palco e tocou no meio da galera. Uma bandeira brasileira e uma faixa de boas-vindas foram entregues por fãs ao sorridente vocalista Corey Glover. O guitarrista Vernon Reid mostrou que é bem humorado e falante com a platéia. O baterista Calhoun teve seu momento solo no escuro, usando baquetas com luzes e acompanhado com um beat eletrônico. Depois de uma pausa rápida para o bis, os quatro voltam com o clássico “Evis is Dead” com o vocalista puchando o coro em bom português: “Elvis está morto!” e fazendo um punhado de bebuns entrar numa roda de pogo desajeitada.

         

          O show termina com o vocalista desejando uma “bona noche e obrrigahdo!”. Passava das 3h e o povo ainda estava dando prejuízo no “bar aberto”. Ví uma movimentação no palco e fui averiguar. Doug Wimbish e Corey Glover voltaram para cumprimentar alguns fãs. Cheguei na hora em que Glover desceu do palco e tirou fotos com alguns afortunados (inclusive eu) e dando lição de humildade aos estrelas.

 

 PS: as fotos foram tirados do meu celular e ficaram ruins.

Próximo post: Especial Ferrock com Johnny Winter, Suffocation e Napalm Death.  Dessa vez levei minha máquina e tirei boas fotos e fiz uns videozinhos bacanas, inclusive do backstage. Aguardem!

MECÂNICOS SUJOS

maio 13, 2010

Cheios de novidades, os goianos da banda Mechanics se apresentaram no sábado passado em Brasília. Eles fizeram o show de abertura da banda Matanza, que lotou o Cedec. O Mechanics continua sujo e barulhento, só que agora o monstro Márcio Jr solta seus impropérios em nosso idioma e estão registrados no novo CD “12 Arcanos”. A edição caprichada é conceitual e tem inspiração em cartas do tarô. Ao invés de um encarte convencional, o CD vem com 12 cartas ilustradas pelo veterano fanzineiro Lauro Roberto. Bem loco! Pra saber mais visite http://www.myspace.com/mechanicsrock .   

 

Há algum tempo, venho planejando a 2º edição do “Esfolando Ouvidos para 2011. Quero fazer algo diferente, um formato novo e com o conteúdo revisado e ampliado. O problema estético da primeira edição é que só tem foto de gente feia. Por estar trabalhando com quadrinhos, eu já tinha pensado em adaptar umas histórias para HQs para tornar o livro mais atraente. Ao ler “O Pequeno livro do Rock”, já bateu a vontade de fazer algo parecido. De repente até incluir bandas dos primórdio do rock brasiliense e outras que não tem nada haver com o hardcore, mas tem relevância na cena musical da cidade. Com esses meus primeiros rascunhos já pude imaginar a trabalheira monstro que Hervé Bourhis teve e na grande enrascada em que eu vou me meter caso realmente encare um projeto como esse. Esses sketches eu fiz olhando o livro e sei que precisarei de muito treino e material de referencia. Então já peço a quem quiser colaborar, que mande material antigo já digitalizado para o e-mail exclusivo do projeto esfolandohq@gmail.com. Vale fotos, matérias de jornais, capas de discos, demos e panfletos. Já imagino um monte de gente puta comigo porque eu desenhá-lo mal. Paciência!

VIDA EM MARTE

maio 5, 2010

O canal FX voltou a apresentar o seriado “Life on Mars” na sua grade de programação. Vou te dar o papo, esse é a melhor série de TV que eu acompanhei ultimamente. O bom é que é uma única temporada de 17 episódios que termina de forma surpreendente. Em poucas palavras, o detetive Sam Tyler (Jason O’Mara) sofre um acidente em 2008 e acorda em 1973. O cara quase enlouquece querendo descobrir o que aconteceu e tentando voltar para o presente. A cenografia, figurinos e trilha sonora são fodas. O elenco é de primeira e tem o excelente Harvey Keitel como um delegado linha dura. Misturando ficção científica e drama policial, “Life on Mars” é vida inteligente na telinha.