ESFOLANDO A FLIP 2010 – PARTE DOIS

agosto 13, 2010

Viajar até Paraty no período da FLIP não é tarefa fácil nem barata. Ao anunciarem a vinda de Robert Crumb e Gilbert Shelton para esse evento literário, comecei a me programar com dois meses de antecedência, pois já sabia que o negócio era embaçado. Iniciei a pesquisa de preços nas pousadas da região e para minha surpresa, muitas delas já estavam lotadas nesse período, sem contar que os preços simplesmente triplicam. Tipo se uma diária em um dia normal custa R$100,00, na FLIP ela passa para R$300,00 brincando e se você não reservar logo (pagando 50% do valor) periga de dormir na rua. Consegui uma pousada mais afastada que custou R$660,00 por seis diárias, uma verdadeira pechincha já que só pelos quatro dias da FLIP, a maioria das pousadas fuleiras estava cobrando R$1200,00. Pra garantir, eu e a Karla compramos as passagens aéreas pro Rio (R$250,00 ida e volta cada um) e de ônibus do Rio pra Paraty (R$100,00 ida e volta cada um) com antecedência pra evitar contratempos.

 

 Também tentamos comprar os ingressos na “Tenda dos Autores” para as mesas do Crumb/ Shelton e da mesa do Lou Reed no dia em que foram colocadas à venda. Eles se esgotaram em segundos (depois descobrimos a tramóia dos ingressos) e tivemos que nos contentar com a “Tenda do Telão”, que logo se esgotaram também. Puta balde de água fria! Deu até vontade de desistir da viagem, mas com tudo comprado, o jeito era ir. Depois que o Lou Reed cancelou sua participação, fiquei grilado com a possibilidade dos velhos quadrinistas undergrounds também pipocassem. Eu nem sou fã do Lou Reed, mas é que a programação da FLIP estava tão careta, que me pareceu interessante assistir o cara falar qualquer coisa que fosse.

 

 De vez em quando, eu olhava o site que vendia os ingressos pra ver se apareciam mais alguma vaga e não é que uma semana antes da viajem conseguimos comprar os disputados ingressos pra vê-los ao vivo. Animei tanto, que pedi pro Natinho pintar 22 camisetas com desenhos do Crumb pra fazer um camelô no esquema, também levei mais um monte de camisetas do Quebraqueixo, livros e gibis, quase pago uma grana de sobrepeso na bagagem. Um dia antes da viajem, recebemos a bela notícia que estava rolando caos aéreo, mas nosso vôo “só” atrasou uma hora. Esperamos duas horas na rodoviária do Rio e depois de sacolejar quase cinco horas no baú, enfim, desembarcamos em Paraty. R$20,00 é o preço “tabelado” dos táxis pra qualquer corridinha. A primeira boa notícia foi a pousada ser melhor do que a gente previa, ela era nova e o pessoal de lá é bem gente fina. Depois de arrumar os trambolhos no quarto apertado, caminhamos uns 2 km até o centro histórico. Era véspera da abertura da FLIP e muito da estrutura ainda estava sendo montada. Caminhar por ruas centenárias, onde as pedras são irregulares requerem atenção e equilíbrio, mulheres devem evitem salto alto a todo custo. Sentamos em um bar para jantar e uma horda de hippies sujos e chatos (pleonasmo) tentam nos empurrar poesia e bijuterias por qualquer moedas. Funcionáros de fiscalização fazem seu trabalho de tirar os ambulantes de circulação, o que me deixou bastante preocupado, pois uma das intenções da viajem era fazer um camelô e pelo jeito seria difícil.

 

 Na manhã de quarta-feira, vamos pra praia Jabaquara, que fica perto da pousada. As praias de Paraty não são bonitas e o mar é flat, mas deve ser legal no verão, principalmente se você mora a mais de 1000km do oceano mais próximo. O céu estava nublado e coberto de névoa, fazia frio. Fumamos um béqui e só molhamos o pé na água gelada. É incrível a quantidade de cães vadios (Kães-Vadius) vivendo livremente nas praias e no centro.

 A noite, a cidade começava a fervilhar de turistas. Muita gente velha com cara de inteligente desfilava nos estandes. De um lado da ponte, estava a “Tenda dos Autores” onde Fernando Henrique Garboso discorria sobre Gilberto Freyre, o homenageado desse ano. Do outro lado, “a Tenda do Telão”, pra quem pagou para assistir sentado e um outro telão para que não tem ingresso e pode assistir do lado de fora em pé.

 Ali perto, ficava a loja que vendia os produtos da FLIP, tipo camisetas, canecas, moleskines e outras traquitanas que levam o nome do evento. Ao lado, ficava a Livraria da Vila, onde vários livros gringos do Crumb eram vendidos a preços abusivos. Destaque pro livro R. Crumb’s Heroes Of Blues, Jazz And Country que vem com um CD de músicas raras escolhidas pelo próprio Crumb e uma coletânea grossa que deve ter tudo do Freak Brothers, inclusive histórias coloridas. Apesar da tentação, não quis gastar mais grana e carregar mais peso, já que havíamos trazido vários books, na esperança de serem autografados. Um funcionário da livraria me dá a péssima notícia de que seriam distribuídas apenas 50 senhas para autógrafos no dia da mesa do Crumb / Shelton. Fui dormir preocupado.  

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5 Respostas to “ESFOLANDO A FLIP 2010 – PARTE DOIS”

  1. paulo marchetti said

    Muito bom! Pois é. Ler não é nada barato, imagine então participar da Flip. Será que é por isso que no Brasil mais de 60% dos municípios nem livraria tem?

    • esfolando said

      Não vamos nem falar nem das escolas sucateadas, professores despreparados e falta de bibliotecas. Livro não deveria ser artigo de luxo e sim, produto de cesta básica.

  2. didiu said

    Vc omitiu ao nosso encontro!!!!! Porra!!!! quero a minha foto ai!!!!!
    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    E Não esquece q fui eu q garanti um lugar na fila da esperança, hehehe

    Didiu tava na área tbm!!!!
    http://mundomocoh.blogspot.com/2010/08/flip-2010-crumb-shelton-didiu.html

    ps: O Oreia Seca ta perguntando c vc recebeu as fotos

    • esfolando said

      Porra Didiu, tu tá estragando a surpresa! Eu só escrevi até quarta-feira e a gente só se trombou no sábado! Fala pro Robson que eu só recebi aquelas duas fotos que vc me mandou. Vou te mandar umas fotos da comemoração na praia. Aquela charge da dilma, que vira lula, que vira sarney, que vira demônio é da hora! Abraço!

  3. didiu said

    Vc omitiu ao nosso encontro!!!!! Porra!!!! quero a minha foto ai!!!!!
    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    E Não esquece q fui eu q garanti um lugar na fila da esperança, hehehe

    Didiu tava na área tbm!!!!
    http://mundomocoh.blogspot.com/2010/08/flip-2010-crumb-shelton-didiu.html
    ps: O Oreia Seca ta perguntando c vc recebeu as fotos

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