ESFOLANDO A FLIP – FINAL (FINALMENTE)

agosto 29, 2010

Nós estávamos no começo da fila e parecia um show de rock. Primeiro liberaram a entrada dos convidados, imprensa e preferenciais. Depois fomos nós, à procura de um lugar bom e perto da saída. Eu estava carregando a mala com rodas e tivemos que ficar perto do corredor, pois sairíamos antes do final, para tentarmos pegar as senhas dos autógrafos. Logo, os 850 lugares disponíveis foram tomados. Alguns minutos depois ouvimos as instruções de não fotografar, nem filmar em versão bilíngüe (não obedeci). Os ilustres convidados sobem ao palco ao som de fervorosas palmas. O mediador Sérgio Dávila (a princípio seria o Angeli), foi lastimável em todos os momentos. Ao apresentar os artistas, leu um texto que parecia ter sido copiado e colado da wikipedia, tamanho o despreparo do sujeito. Pra completar, meu fone com a tradução simultânea estava bichado. Eu fiquei me virando com meu ingleizinho de 5° séria. Só de raiva, fiquei filmado e fotografando (sem flash), mas nenhuma foto ficou boa e existem filmagens melhores no youtube. Após um tempo, Karla tem a brilhante idéia de pedir a um dos funcionários que trocasse o meu transmissor. Consegui entender melhor a conversa, o problema que a tradução do Crumb era feito por uma mulher, o que deixava a situação um pouco esquisita. Acabou que eu nem usei muito tempo, pois preferia ouvir a voz original, mesmo sem entender direito.

 

Crumb disse não entender o porquê do convite, já que se considera um cara ranzinza e avesso às badalações. Já Shelton, disse que se amarra em ganhar viagens grátis pra conhecer lugares bonitos. Lá pelo meio da conversa, o mediador chama Aline, a mulher do Crumb para se sentar com eles. O cara tenta ser engraçado falando das intimidades do casal e leva um fora desconcertante. Quando foi anunciada a última pergunta da noite, eu e Karla saímos do auditório com presa. Atravessamos a ponte pra chegar na mesa de autógrafos e estava rolando mó confusão. As senhas já haviam sido distribuídas e muita gente irritada (incluindo nós) estava reclamando. Uma fila enorme já estava formada atrás das pessoas com senhas. Lá no meio, encontro o Didiu, que fala pra eu ficar ali com ele e o Robson, pois ali era a “fila da esperança”. Deixei minha mala com eles e fui procurar a Karla, que havia sumido. Eu a encontro no finzinho da fila e a levo pra onde estão os amigos. Ficamos grilados se as pessoas de trás iriam reclamar da furada de fila. Como ninguém se manifestou, ficamos lá na cara dura. Fizemos amizade com um casal que estava na nossa frente (não lembro o nome deles), mas eles disseram que tinham vindo ano passado e que a fila para o Neil Gaiman estava muito maior (mais de 300 pessoas), mas ele autografou pra todo mundo.

 

Novo rebulço: eram Crumb e Shelton chegando. Logo a fila começou a andar. Didiu falou pro Robson ir tirar umas fotos. Pouco tempo depois, começaram a distribuir mais 50 senhas, nós pegamos, mas Robson, que não estava presente, ficou sem. Didiu tentou argumentar com a pessoa, mas não rolou. Só umas seis ou sete pessoas atrás de nós receberam senhas. Quando Robson voltou, tivemos que dar a má notícia. O cara quase pirou. Acabou que o Didiu deu a senha pra ele, pois sabia que Robson iria atormentá-lo com essa história pelo resto da vida. Foi chegando a nossa vez e toda aquela afobação. Eu coloquei dois gibis do Quebraqueixo numa sacola com as camisetas do Crumb e tinha a camiseta do Quebraueixo que eu ia dar pro Shelton, mais os livros e a sacola que eu tava carregando. Robson foi o primeiro e acabou conseguindo que os dois autografassem os livros do Didiu também. Karla malandra, pediu pra tirar uma foto com o Crumb e ele e a mulher deixaram. Ela deu um beijo nele e ele deu um beijo nela. Nessa hora mó galera começou a gritar. 

 

(reparem na titia de azul, apontando pra mim e mandando o segurança me tirar)

Na minha vez, entreguei a sacola pro Crumb, que deu uma olhada rápida no conteúdo. Infelizmente a foto do gibi não ficou boa, mas cumpri mais um item da lista da minha missão. Depois de pegar o livro autografado pelo Crumb, entreguei uma camiseta do Quebraqueixo por Shelton, que pareceu ficar feliz, já que todo mundo só ficava paparicando o seu colega megastar. Era incrível como muita gente que conseguiu a senha, só queria autógrafos do Crumb. Caralho, estamos falando do pai dos Freak Brothers! Idiota tem mais é que se fuder mesmo! Quando o Shelton estava autografando o meu livro, um cara da segurança começou a me empurrar pra fora, dizendo que eu estava tumultuando a fila. Dei um chega pra lá no cara e disse que só sairia dali com o livro autografado. Uma mulher da organização, que deve ter mandando o cara me tirar, falou que eu estava demorando demais e que os velhinhos estavam super cansados. Isso tudo deve ter rolado em menos de três minutos. Eu esperei mais de uma semana pra chegar nesse momento crítico e aquela titia queria cortar minha onda. Deu vontade de mandar tomar no cu, mas eu estava tão feliz na hora, além do mais, ela se fudeu depois (mais pra frente eu conto). Os últimos felizardos receberam seus autógrafos e Crumb sai escoltado por seguranças. Várias pessoas tentaram segui-lo pedindo autógrafos, mas acho que ninguém mais conseguiu.

 

Depois disso, só nos restava comemorar. Eu, Karla, Didiu, Robson e o casal fomos cafifar uns béquis na praia. Antes, eu pude colocar minha mala dentro do carro do Robson, o que foi a segunda maior alegria da noite, pois eu não aguentava mais carregar aquela parada. Depois fomos num buteco chique pra fechar aquela noite especial. Bebi uma limonada de R$5,00 como se fosse champanhe.

 

Domingão, almoçamos na beira da praia. Recebi uma ligação de um cara que tinha me comprado duas camisetas do Crumb no dia anterior. Ele queria mais uma camiseta, a última que eu tinha trazido do Crumb. Perfeito! Missão cumprida na integra, só faltou fumar unzinho com o Shelton. Quando chegamos no centro, a cidade tinha esvaziado. Depois de meio-dia, quando encerram as diárias, o povo abandona Paraty. A programação da Flip de domingo propositalmente mais fraca, já que quem mora em RJ ou SP vaza pra pegar a estrada e trabalhar no dia seguinte. Lemos no site de um importante jornal (que também patrocina o evento) sobre a noite anterior, onde o jornalista comenta sobre a falta de organização na noite de autógrafos do Crumb/Shelton. Ele começa o artigo dizendo que quem conseguiu um autógrafo dos quadrinistas, podia se considerar um sujeito de sorte. Fala também da falta de educação dos seguranças da titia que queriam me tirar à força. Toma titia! Quem mandou se meter com o Esfolando!

 

Passamos na frente da ousada Marquesa, onde a maioria dos autores convidados se hospedava, na esperança de ver alguém. Não é que a Aline, Shelton e sua esposa estavam na portaria! Sentamos no murinho em frente e ficamos só olhando até eles desaparecerem no saguão. Sem ter muito mais o que fazer, assistimos uma apresentação musical na Casa de Cultura (um lugar maneiro de se conhecer) e uma performance de um palhaço com seu “Circo de Pulgas” na rua. Á noite, voltamos pra pousada, arrumamos nossas tralhas. No fim da manhã de segunda-feira, pegamos o ônibus pro Rio e depois um avião pra Brasília. Chegamos quase onze da noite.

 

Deliberações finais: de positivo, tenho que concordar que a FLIP é um evento importante, bem estruturado e que enaltece o objeto “livro”. Em compensação, é um evento careta, meio manipulado pela indústria livreira, que tentam forçar seus autores e produtos.  Paraty é bonita, charmosa, mas ficar mais de dois dias lá, enche o saco. Na semana dá FLIP, o comércio fica ganancioso e tenta faturar o que não consegue nos outros 360 dias do ano. Se eu volto pra FLIP? Vai depender da programação! Pelo menos, os “organizadores” da FLIP perceberam que trazer celebridades dos quadrinhos pro evento é extremamente lucrativo. Quem sabe, nas próximas edições eles convidem o Moebius, Manara…

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4 Respostas to “ESFOLANDO A FLIP – FINAL (FINALMENTE)”

  1. Dagmar said

    Muito boa a saga de vocês em um evento como este; essa coisa comercial que envolve uma produção é tão forte que a feira de Brasília pode acabar por falta de “verba” e “espaço” para a instalação – para mim, tem haver com “interesses” ou falta a deles
    – bom, aí a cultura, informação e tal, fica em segundo plano…
    sua sobra na foto da praia ficou muito “cool”.
    um abraço.

    • esfolando said

      Na discusão “cultura” X “mercado”, a grana sempre fala mais alto. A questão da “Feira do Livro de Brasília” é uma coisa sinistra. Os estandes são alugados por verdadeiras fortunas, as atrações são as mais xoxas possíveis (exeto o Ziraldo) e o governo dá uma verba imensa pra eles fazerem um evento fuleiro daqueles. Valeu Dagmar!

  2. ê. said

    ouvi dizer que o manara vem na comicon do rio, em novembro.

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