ESFOLANDO O JELLO BIAFRA

novembro 17, 2010

Jello Biafra é um dos caras mais importantes e admirados do punk rock e hardcore mundial, não só pela música, mas pela sua postura política. Assistir a um show do Jello Biafra há muito tempo estava na minha grande lista de “coisas a fazer antes de morrer” e vê-lo ao vivo no Rio de Janeiro foi um golpe de sorte sinistro. Primeiro eu cogitei em ir pra São Paulo, mas depois que houve toda aquela fofoca de que o show iria acontecer em Brasília (no lago Sul com o Sepultura?), eu resolvi concentrar minhas economias monetárias no Rio Comicon. Comprei as passagens pra RJ com mais de 30 dias de antecedência e para minha surpresa, no mesmo dia em que soube que o show daqui havia sido cancelado, fiquei sabendo que haveria um no Rio, exatamente no dia em que eu chegaria na “cidade maravilhosa’. Destino? Cagada? Nem o Esfolando saberia responder!

 

O Teatro Odiséia é uma casa de show bem bacana situada na Lapa. Tem três andares e cabe umas 300 pessoas “tochadas” no térreo. O palco é alto e com equipamento de boa qualidade. No som mecânico daquela noite, só punk rock gringo e nacional da melhor qualidade, nunca vi isso em nenhum outro lugar. Encontrei vários conhecidos na área, todo mundo muito feliz de estar ali. Entrei no lugar já procurando a banquinha do merhandising do astro. Infelizmente não tinha mais discos, mas comprei uma camiseta, adesivos e bottons. Não prestei atenção na banda de abertura, pois a expectativa era grande e afinal todos estavam ali para ver o mestre Jello Biafra acompanhado da Guantanamo School of Medicine. Sabendo que o show iria ser bem agitado, comecei a procurar um lugar onde eu pudesse ver e registrar o show com minha câmera. Ao ver um casal ficando em pé em cima de um banco de madeira em uma das paredes laterais, resolvi imitá-los. Foi o lugar perfeito, onde pude ficar perto do palco e longe da confusão que logo se instalaria. Confiram os primeiros minutos de show!

Apesar dos 52 anos nas costas e estar um pouco acima do peso, Eric Reed Boucher (Jello Biafra para os milhões de íntimos fãs) continua um moleque no palco, fazendo suas mímicas malucas e discursando contra a política, guerras e grandes corporações. Empurra quem sobe no palco e de vez em quando se arrisca num stage dive. O show é basicamente composto de músicas do disco “The Audacity Of Hype”, que são muito boas, mas seria uma desfeita muito grande se eles não tocassem alguns sucessos do DK. Nessas horas, o povo, que já estava enlouquecido, apavorava de vez.

Apesar do calor e suor, nem o público, nem a banda davam sinais de cansaço. O show durou quase duas horas, isso porque a banda voltou ao palco pro bis três vezes. Só depois que começaram a desmontar o palco, foi que as pessoas acreditaram que realmente não haveria mais nenhuma música.

E vocês sabem que o Esfolando não se contenta em apenas assistir ao show, ele quer dar gibi, tirar foto e trocar idéia com o artista. Dessa vez estava bem embaçado, já que todo mundo que estava ali também queria o mesmo. Eu já estava me conformando com a idéia de que ter assistido aquele incrível espetáculo bastaria, mais eis que surge a providência divina: ouço alguém me pergunta: “você veio de Brasília só pra ver o show?”. Olho pro lado e vejo o Cesinha, um cara que tocou em várias bandas de SP e trabalha de tour manager de gringos. Eu o conheço há um bom tempo desses roles com o Macakongs 2099 pelo Brasil. E adivinha? O cara estava acompanhando a banda nessa turnê e me deixou entrar no camarim.

 

Eu mó nervoso, entreguei um gibi do Quebraqueixo e um “Esfolando Ouvidos”, mesmo sabendo que o Jello não conseguiria ler nada. Ele ficou bem interessado no livro, perguntou se tinha alguma coisa falando do “Eletric Abortion”, que eu demorei pra entender que era o “Aborto Elétrico”. Pedi pra ele autografar a capa do CD “Bed Time for Democracy”, ele ficou inspecionando se não era um produto pirata ou que não fosse licenciado da Alternative Tentacles e só então assinou. Agradeci e me despedi, já que ele ainda teria que agüentar outros chatos que nem eu. Eu já estava quase saindo, quando ele me pediu pra dar um recado pra uma pessoa aqui de Brasília e eu me prontifiquei a transmitir a mensagem pessoalmente.

 

Pra fechar a noite, peguei carona com um amigão de Brasília que está morando em RJ e tomamos um coco em um quiosque na beira da praia de Copacabana às quatro da manhã. Às duas da tarde, eu estava chegando na Rio Comicon, e esse role você ficará sabendo nos próximos posts. Tenham paciência! Estou enroladaço e sem tempo.

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2 Respostas to “ESFOLANDO O JELLO BIAFRA”

  1. Leo Capotone said

    Do caralho o show dele né?
    Tu é cagado de sorte cigano!

    Abraço!

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