ESFOLANDO A RIO COMICON 2010 FINAL

novembro 26, 2010

Apesar de ter dormido pouco por conta da festa da noite passada, tento acordar mais cedo pra ver se consigo dar um “tibum” no mar. Olho pela janela do meu quarto de hotel vejo o tempo fechado, o suficiente pra me esparramar por mais um par de horas no colchão de cheiro estranho. O hotel onde me hospedei foi escolhido pela internet e no site eles não diziam que o endereço fica na subida do Morro do Cantagalo. Pelo menos era bem localizado, no fim de Ipanema e começo de Copacabana (ou é o contrário?). Todo dia quando eu saia do hotel, virava à esquerda pra chegar na rua onde eu pegaria o ônibus. Nessa rua só tinha umas biroscas e por falta de opção, eu acabava sempre almoçando num bistrô meio chulé. Essa era a terceira vez consecutiva que eu encarava o “PF” do local. Minha viagem não estava sendo nada gastronômica, já que na Rio Comicon só tinha pizza safada e a barraca do “Rei do Jiló”. Já vi festa junina de colégio pobre com mais opções.

 

Como tinha gente suficiente atendendo no estande quando cheguei (valeu Jéssica!), tentei em vão assistir a palestra com o Angeli, Laerte e Ota, pois o auditório estava abarrotado. Aproveitei o tempo livre pra ver com mais calma e fotografar a exposição “Manara in Brasile”, com originais do genial artista italiano.

 

As outras exposições eram reproduções em painéis que formavam meio que de labirinto. A parte de quadrinhos independentes teve a curadoria de Tiago lacerda (não ator global, mas um dos cabeças da Revista Beleléu), que soube valorizar os artista de Brasília, expondo trabalhos do pessoal da SAMBA e Caio Gomez.

 

Parece que a vedete (no bom sentido) do evento foi o Laerte vestido de mulher. Na verdade ele estava fazendo o estilo meio senhora comportada, quem sabe se no futuro ele incremente seu guarda-roupa com modelitos mais ousados. Eu falo isso brincando, pois tenho o maior respeito pelo artista e acredito que sua opção de vida só prova que o ditado “o hábito não faz o monge” é mais verdadeiro do que nunca. Laerte é genial e fim de papo!

 

Uma das coisas mais legais do evento, foi conhecer uns caras cujo trabalho com quadrinhos eu admiro e acompanho. Só pra citar alguns estavam lá Fábio Zimbres, Rafael Sica, Caeto, Gabriel Renner, Fábio Lyra e Arnaldo Branco. O estande ao lado do nosso era formado pelo time de quadrinistas jovens que mais tem se destacado na HQ mainstren: Grampá, os gêmeos Moon e Ba e Rafael Coutinho. A coisa mais fácil dessa Comicon era tropeçar em alguém que trabalhasse diretamente com quadrinhos, além de um monte de talentos promissores que logo ganharão destaque.

 

No fim da tarde, Karla chega de Brasília trazendo em sua bagagem mais cinco exemplares do Quebraqueixo. Assistimos a palestra com Kevin O’Neil e Melinda Gebbie. Era de se esperar que muito do assunto girasse em torno da experiência de ambos em trabalhar com o roteirista Alan Moore. Um dos momentos mais engraçados da palestra foi protagonizado por Mateuzinho (o 4º SAMBA Boy), que foi fazer um pergunta em inglês e acabou se enrolando todo, ninguém entendeu nada e a platéia toda riu do embaraço.

 

O agito da noite Off-Comicon foi na loja “istaili” La Cucaracha de El Capitão Presença Matias Maxx. Nossa guia no táxi foi a Jeanne, garota muy simpática que foi adotada pelo nosso estande. Eu sabia que a loja ficava perto do hotel, mas só quando o táxi passou pela entrada da subida do Cantagalo e virou à direita, um novo mundo se abriu. A poucos metros à direita do hotel estava a Praça General Osório, com vários restaurantes bares e lanchonetes. Quase chorei ao lembrar do bistrozinho fuleiro que eu encarava no almoço. E na La Cucaracha o bagulho estava literalmente fervendo: sonzinho bacana, fumaça, muchachas e personalidade da HQ nacional estavam presentes. Sinal de que os eventos paralelos organizados pelo Sal, Juca e outros bravos destemidos estavam surtindo efeito.

 

Na manhã de sábado, nova tentativa de ir à praia. Eu e a Karla chegamos até o calçadão, mas uma chuvinha fina acabou tirando nossa coragem de entrar no mar. Voltando por uma rua desconhecida, ouço alguém gritar meu nome. Olha pra cima e vejo o Gomez na janela de um apartamento. Coincidência? Não! Os editores do Calendário Pindura estavam na área e mais tarde Gomez, Juliana, Daniel Ilustróide e Sarah ocupariam um disputado espaço no estande “Dependentes”.

 

Já na Estação Leopoldina recebo uma péssima e uma ótima notícia quase ao mesmo tempo: as senhas para os autógrafos do Manara tinham esgotados, mas uma amiga querida cochicha em meu ouvido que tinha uma senha guardada pra mim. Ufa! Passei quase duas horas na fila do autógrafos. Matias aproveitou pra furar a fila onde eu estava e me contou que o Melinda Gebbie e Jeff Newelt foram flagrados pela polícia, quando queimavam unzinho, mas não rolou nada. Na tão aguardada hora, entrego um livro do Quebraqueixo pro Manara, que gasta um tempinho folheado a publicação. Depois faz um desenho na minha edição italiana do “X-Man” que ele desenhou pra Marvel e só assinou o “Viagem a Tulun”. Depois foi a vez do Matias, que arrancou um sorriso do artista ao dizer que se masturbava muito vendo os livros dele.

 

Como era previsto, a Comicon bombou forte no sábado e todo mundo vendeu super bem. O Pindura chamou bastante atenção pelo projeto gráfico inovador e muitos dos participantes do calendário foram lá pegar o seu exemplar. Só fui descansar um pouco, quando sentei pra assistir a concorrida palestra de Milo Manara. Os irmãos Chico e Paulo Caruso foram os impagáveis mestres de cerimônia, que só não foi perfeita por conta da tradutora que não estava preparada para a ocasião.

 

Terminamos a noite em um bar no Leblon. Os mais animados ainda foram pra um festa onde o Grupo Porco de Grindcore Interpretativo (banda escrota de BH) havia feito um de seus maravilhosos espetáculos grotescos. Foi mal Batista, Porquinho e Leo Pyrata, da próxima vez o Quebraqueixo toca com vocês em BH de novo.

 

No domingo, último dia do evento, boa parte do público veio reverenciar Maurício de Sousa. Filas enormes, molecada correndo solta e até gente grande passando mal com a emoção de ver o ídolo da infância. Eu botei pilha dos Sambas entregarem uma revista Kowaski pro Maurício e não é que o Góes teve a pachorra de fazê-lo. Pra quem não sabe, a revista contém uma história onde os personagens da Turma da Mônica usam drogas, cometem um assassinato e praticam zôonecrofilia. Ficou uma galera observando a cena pra ver a reação de ambos. Parece que ficou tudo bem e até agora, os advogados do Maurício ainda não entraram com o processo.

 

Eu e a Karla aproveitamos que o francês Killofer estava tentando curar a ressaca em um dos bancos perto dos trens e compramos na Livraria da Travessa, dois exemplares do “676 Aparições de Killofer”. Pedimos que ele autografasse e como ele se auto desenhou na dedicatória, acho que nossos exemplares passam a ter “677 aparições”. Vale ressaltar o excelente trabalho do editor S. Lobo, frente à editora Barba Negra.

 

Ainda assistimos à última palestra do evento onde vários artistas convidados subiam ao palco e citavam três personalidades que influenciaram suas obras. A iniciativa era boa, mas alguns deles demoravam demais e acabou que a parada foi ficando enfadonha. Não conseguimos ficar até o fim. No estande rolava as últimas vendas e os livros do Quebraqueixo já tinha acabado fazia tempo. No encerramento, já sendo expulso pelos seguranças do local, recolhemos tudo o que ainda tinha ficando. Até combinamos de nos encontrar em um bar, mas com o cansaço latente, pipocamos da idéia. Na manhã de segunda-feira, arrumamos nossas malas (eu com 20kg de papel a menos) e fomos pra praia. Dessa vez, o tempo nublado não nos impediu de entrar no mar. Apesar da água estar gelada e dos coliformes fecais, esse mergulho no mar coroou de vez essa bem-sucedida viagem ao Rio de Janeiro. Não ouvi nenhum tiro, nem vi sangue, muito menos carros sendo incendiados. Pra mim, o Rio foi só alegria!  

 

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8 Respostas to “ESFOLANDO A RIO COMICON 2010 FINAL”

  1. Gomez said

    Titiu, suas coberturas são as melhores.

  2. Nem fui e me senti quase lá…
    contou bem o RioComiccon Evandro.
    Valeu!

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