Uma das coisas mais legais que fiz no ano passado foi participar do Calendário Pindura. Fui um dos 122 colaboradores desse projeto, cujo o tema era “elevador”. Cada participante deveria ilustrar três elevadores, seguindo um modelo. Não sei bem porque, mas desenhei como se fossem banheiros. Na maioria das vezes o resultado dos trabalhos ficaram incríveis, mas tem uns mais fuleiros como o meu. Como não pindurei o meu “Pindura”, só há pouco tempo descobri que as folhinhas dos dias que desenhei já foram rasgadas pelos que cometeram o sacrílégio de utilizar o calendário da forma correta, que é arranca-las.

 

 

Pra quem quiser saber mais sobre o Pindura, visite http://calendariopindura.blogspot.com/ .

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No sábado, mais dois argentinos se juntam ao time de portenhos no festival, é Domingo Mandrafina e Nico Di Mattía. Antes do almoço, passo no local do evento pra ver como está tudo e conheço o pessoal gente fina da produção. A movimentação é grande, todos fazendo os últimos ajustes antes da abertura. Almoçamos em um restaurante vegetariano que foi meio frustante, a comida estava bonita, mas sem nenhum sabor.

Começo a arrumar minha muamba no stand que tem o meu nome e que fica ao lado do Nico. Ele é um artista de pintura digital muito conceituado e é editor da revista de HQ e humor “La Murciélaga”. Veja os trabalhos do cara http://nicodimattia.blogspot.com/! Às 14h, é liberada a entrada do público, que paga cerca de R$20,00 o ingresso por dia. Em compensação, os primeiros mil pagantes recebem o gibi “Pactando con el diablo” de Rolando Salvatore, que foi o vencedor do concurso do evento desse ano. A perspectiva da produção é que duas mil pessoas por dia circulem no local. Uma coisa que eu estranhei no começo é que os homens se cumprimentam com um beijo no rosto e não tem nada de viadice, é uma coisa comum deles e dos argentinos. Tentei evitar esse tipo de contato, mas em algumas vezes não teve jeito.

 

O Montevideo Comics não é um evento só de quadrinhos, mas também de cinema de animação e games. Logo na portaria, está está exposto um cenário de um filme de stop motion chamado “Selkirk” que parece ser bem bacana, além de uma programação variada de filmes que fazem parte da programação na sala de cinema. Os stands foram ocupados por comiquerias da cidade e de editoras do Uruguay e Argentina. Há um espaço grande para os artistas da cidade mostrarem seus trabalhos e um local para a exposição dos originais dos artistas argentinos. Abaixo estão os originais de Juan Gimenéz.

Usei de propósito, uma camiseta do Autoramas pra testar a popularidade da banda na cidade, muita gente comentou comigo que gosta da banda. Por causa da camiseta, conheci os caras da banda uruguaia The Supersónicos. Eles ficaram surpresos por eu ter visto o show deles no Porão do Rock de 2006 e de ter o CD Neptunia. Tito, que é um dos guitarristas é um grande ilustrador e participava do evento com o pessoal da publicação Guacho. Nós cambiamos (trocamos) um kit do QQ por uma edição da Guacho e um CD & DVD da banda. Esse CD & DVD é um projeto muito doido, onde os caras inventaram o personagem Bobby Holly, que seria o primeiro roqueiro da América Latina e o DVD é um documentário de ficção sobre a vida do suposto músico.

As vendas começarm um pouco fracas no começo, mas foram melhorando aos poucos. As remeras (camisetas) do Quebraqueixo e do Crumb que levei pra vender fizeram sucesso, assim como os livros e CDs do Quebraqueixo e as revistas do pessoal da Samba. Boa parte do público veio fantasiado de cosplay (e cospobre), pois haveria um concurso cujo o prêmio é ir ao Brasil para competição maior. Lá pelas 19h o Cina plaza estava lotado e a circulação das pessoas no ambiente começou a ficar complicada.

Às 20h, eu, Nico e a alemã Birgit Weyhe fizemos nossa charla, ela tinha uma tradutora e eu tive que me virar no meu portunhol vagabundo. Antes da viagem, eu dei uma estudadinha numas frases em espanhol e enriqueci o vocabulário com palavras essênciais. Os uruguaios já estão acostumados com os brasileiros e se falarmos mais devagar, eles nos compreendem bem. Contei sobre sobre o projeto do Quebraqueixo em adaptar as letras das músicas pros quadrinhos, o que gerou bastante interesse da platéia. Depois voltamos pro stand e ficamos lá até quase meia-noite, que era o horário de encerramento desse primeiro dia de evento.

No domingo, os argentinos, eu a Karla e mais o uruguaio Nicolás Peruzzo e o peruano Chiqui fomos passear na tradicional Feira Tristán Narvaja. Muitos camelôs de antiguidades, livros, discos e produtos piratas. Tem que ficar ligado com os “mãos leves” da área, Karla evitou que um malandro abrisse o ziper da mochila que estava nas costas de Nico.

Como estava ficando tarde, eu e a Karla nos separamos do grupo e fomos almoçar e na sequeência fui pro evento. Essa foi a minha sorte, pois muitos que vieram no dia anterior voltaram com grana e fiz la fiesta. Nico só chegou depois das 18h e com certeza perdeu várias vendas. O local lotou novamente e as atrações principais do dia eram a charla de Juan Gimenéz e a final do concurso de cosplay. Já no fim do evento, fiz as últimas cambiadas me despedi dos novos amigos dibujadores.

(Brasil, argentina e Uruguay. Eu, Nico e Augustín, o (in)responsável pela minha participação no evento.)

Meu objetivo financeiro nesse camelô era cobrir os gastos com as minhas passagens de avião e consegui isso com uma pequena folga. Isso sem contar com os gibis que recebi de regalo e as trocas que fiz com o meus produtos por coisas realmente interessantes. Vou passar um bom tempo lendo e treinando espanhol com o que há de melhor na atual produção inpendente do Uruguay e Argentina. As únicas coisas que comprei pra mim em toda a viagem foi um boneco tosco do Scott Ian (guitarrista do Anthrax) e uma caneca de recordação do evento.

(cambiadas, regalos e compras)

Na manhã de segunda-feira, tomamos café e deixamos a bagagem no guarda volumes do hotel. Finalmente consegui que Juan autografasse os livros da “A casta do Metabarões” que eu havia trazido. Ele me chamou de brazilian boy e ficou examinando os livros, já que ele não conhecia a edição brasileira. Mostrei uma foto minha com o Jodowski, dizendo que ele tinha ido ao Brasil pra falar de Tarô. Juan disse rindo: “E ainda lhe pagam muito dinheiro pra fazer isso!”. Depois tiramos fotos e nos despedimos. Também nos despedimos de Nico e Gustavo e saímos pra um último rolê pela cidade. Almoçamos num outro restaurante vegetariano chamado “Bosque Bambu”, dessa vez a comida estava boa e o ambiente era muito agradável. Troquei meus milhares de pesos por centenas de reais e pegamos um taxi pro aeroporto. Pelo preço fixo de 550 pesos, fizemos o trajeto mais curto pelo centro de Montevideo. Foi bom para ver outro lado da cidade que era inédito para nós.

Chegamos em cima da hora pro embarque, mas ainda deu tempo pra Karla comprar uns perfumes e chocolates no Free Shop. Deixamos Montevideo às 16h e após uma escala de duas horas em porto Alegre, chegamos em Brasília à 23h. Apesar de curta, esta viagem foi intensa e proveitosa. Os urugaios são gente boa, a cidade é tranquila, fiz amigos, conheci um pouco da cultura local e me diverti bastante. Foi uma honra ter participado do 9° Montevideo Comics e espero que outros quadrinistas e editores brasileiros comecem a estreitar laços com o imenso mercado sul americano de historietas. Hasta la vista! Saludos! 

O Esfolando é mesmo um farsante, mas de vez em quando ele dá as suas cacetadas. Passei quatro dias agradáveis na simpática Montevideo, onde participei da 9° Montevideo Comics. Novamente o turismo e os negócios se misturaram, sendo muito lucrativo para os dois quesitos. Fiquem agora com a primeira e mais turística parte dessa empreitada.

Pra começar a falar dessa viagem, tenho que voltar até novembro do ano passado, durante o Rio Comicon. Foi lá que conheci Augustín, um historietista uruguaio que estava divulgando seus zines. Enquanto conversávamos, ele me falou da convenção de quadrinhos Montevideo Comics e me disse que quando fosse rolar a próxima edição do evento, iria me convidar. Achei que aquele papo fosse da boca pra fora, mas há uns dois meses, recebi seu email dizendo a data da convenção e me perguntado se eu estava na disposição de ir por conta própria. Ele já havia falado com os produtores do evento e se eu viesse, já teria um stand garantido. Isso me pegou meio de surpressa e antes de responder um “sim ou não”, resolvi pesquizar o preço das passagens.

A ida e volta a Montevideo custaria cerca de R$680,00, o que é apenas um pouco mais caro que as passagens de avião para o nordeste. Pensei: Tô com grana em caixa e me parece uma muy buena oprtunidade de fazer turismo e um camelô numa cidade gringa. Respondi que estava na pilha de ir e pouco tempo depois recebi emails da produção oficializando o convite. Eu teria meu próprio stand de vendas e a diária do hotel ficaria em U$40. Pra mim, que vou nessas convenções sempre me bancando e ainda por cima tenho que dividir os custos dos stands com meus companheiros dos “Quadrinhos Dependentes”, essa oferta era inrrecusável. Quando a Karla soube da viagem, também quis ir e daí aceitei o convite e compramos as passagens.

Como iriamos investir uma grana nas passagens, decidimos ir dois dias antes do evento pra poder conhecer um pouco mais da cidade. Uma semana antes da viagem, o produtor Matías me disse que eu faria uma “charla” (um bate papo) que estava na programação oficial do evento e ainda eles pagariam a estadia no hotel. Agora eu era um dos seis invitados internacionales. Nada mal, hein? .

Saímos de Brasília no dia 12 de maio às 10h e chegamos às 17h (com escala em Porto Alegre). O Aeropuerto Internacional de Carrasco é lindaço, moderno e novinho em folha, o que só me faz pensar na vergonha que passaremos na Copa do Mundo e Olimpíadas. Pegamos um taxi que fez (lógico) o caminho mais longo, porém, mais bonito pela orla. O bairro de Carrasco é o mais chique e a maioria das mansões têm um ar de chalés europeus e dá uma ótima primeira impressão da cidade. Depois seguimos pela Rambla (a orla marítima de Montevideo), com as praias limpas e bem cuidadas. As casas do barrio de los Pocitos são uma atração à parte. O verão lá deve ser bacana, mas com o frio de 18 graus, ninguém se atreve a encarar o mar gelado.

Quando entramos no centro, a paisagem muda para uma arquitetura mais urbana, com prédios comerciais dos anos 70 e 80 (nada muito moderno) misturado com construções de mais de um século. Lembra um pouco o centro de São Paulo e do Rio de Janeiro. O trajeto até o hotel foi longa e nos custou 700 pesos, uns R$65,00 (1 Real vale quase 11 Pesos Uruguaios). O Hotel Lancaster, onde ficamos hospedados é bem localizada, fica na Plaza Cagancha, beirando a Av. 18 de Julio, a principal avenida comercial da cidade e também a poucos metros do Cine Plaza, local do Motevideo Comics. O hotel diz ter três estrelas, mas digamos que são estrelas um pouco velhas. Como era de graça, não tínhamos do que reclamar. Deixamos as bagagens (só a minha mala de muamba pesava 21kg) na habitación (quarto) e fomos em uma das centenas casa de câmbio da cidade para trocar la plata e começar a bater perna pela 18 de Julio. A longa avenida é cercada de lojas, galerias, restaurantes, muitas livrarias e até uma igreja universal que parece um shopping. Entramos num Cassino e um segurança me chamou a atenção por eu estar fotografando o estabelecimento com o celular. Jantamos pizza entupida de morrones (pimentão). A pizza lá quase sempre é quadrada e o queso mussarela vem por cima do recheio e pode ser comida com a fainá, uma massa fina de farinha de milho meio sem graça.

Minha manhã de sexta-feira 13 começa com muita sorte. Quando fomos tomar café, ví um cara desenhando na mesa do refeitório e perguntei se ele estava lá para a convenção. Sim, ele era o argentino Gustavo Sala e me apresentou o também argentino Juan Giménez, que tomava café com sua esposa em outra mesa. Nos cumprimentamos de loge dizendo “Buenos dias! Como estás?”. Pra quem não sabe, Juan é o desenhista da série “A Casta dos Metabarões”, escrita por Jodorowski. Ele parecia estar de bom humor e quando estava saindo, me deu um tapinha nas costas.

Como tínhamos andado por quase toda a parte de cima da avenida na noite anterior, fizemos a direção inversa. Uma coisa muito boa na cidade é que ela tem poucos carros e não há congestionamentos. As calçadas são largas e as pessoas andam muito à pé. Com pouco tempo de caminhada, chegamos ao começo da Avenida onde está a A Plaza Independecia, com mausoléu e estátua de Gervásio Artigas, um herói nacional.

Lá perto estão a Puerta de la Ciudadela, onde começa a Ciudad Vieja (Cidade Velha). Passamos pelo Teatro Solís, galerias de arte e o Museo Torres Garcia. Há muitos ambulantes (companheiros camelôs) vendendo quinquilharias e antiguidades. Continuamos a descer em busca do mar, passando pelo bairro de Sarandí, com casas e pequenos prédios de no máximo três andades, até chegar na Escollera Sarandí, um pequeno porto e local de pesca. Mesmo com o frio e vento seco, fazia sol e preferi ficar sem casaco. Fomos até a zona portuária e vimos um monte de âncoras gigantes e canhões antigos. Voltamos pelo Mercado del Puerto, onde há vários restaurantes e lojas de artesanato.

À noite, mais andanças para escolher onde comer, as refeições são fartas e custam cerca de 200 pesos sem a propina (gorjeta obrigatória). O café expresso é bom, mas meio caro, vale 50 pesos e apesar da baixa temperatura, los helados (sorvetes) são buenos a qualquer hora.

CAMELÔ INTERNACIONAL

maio 12, 2011

Quem diria, agora o Esfolando cruzará a fronteira para seu primeiro camelô internacional. Estou indo a convite para o 9° Montevideo Comics que acontece nos dias 14 e 15 de maio. Vou aproveitar e dar uma perambulada pela capital uruguaia e vender muchas historietas e camisetas. Dá uma olhada na programação, farei uma “charla” com um argentino e uma alemã! De convidado especial, ninguém menos que Juan Giménez, o desenhista de “A Casta Dos Metabarões”, escrito por Jodorowsky. http://www.montevideocomics.com.uy/.

MAIS RESENHA EM HQ

maio 1, 2011

 Tenho me divertido fazendo essas resenhas de shows gringos em HQ, então resolvi que, na medida do possível, vou ilustrar eventos já passados. O primeiro é minha viagem à SP, onde fiz o lançamento do CD/HQ do Quebraqueixo e ví o show do Sick Of It All.