ESFOLANDO EM MONTEVIDEO – PARTE UM

maio 19, 2011

O Esfolando é mesmo um farsante, mas de vez em quando ele dá as suas cacetadas. Passei quatro dias agradáveis na simpática Montevideo, onde participei da 9° Montevideo Comics. Novamente o turismo e os negócios se misturaram, sendo muito lucrativo para os dois quesitos. Fiquem agora com a primeira e mais turística parte dessa empreitada.

Pra começar a falar dessa viagem, tenho que voltar até novembro do ano passado, durante o Rio Comicon. Foi lá que conheci Augustín, um historietista uruguaio que estava divulgando seus zines. Enquanto conversávamos, ele me falou da convenção de quadrinhos Montevideo Comics e me disse que quando fosse rolar a próxima edição do evento, iria me convidar. Achei que aquele papo fosse da boca pra fora, mas há uns dois meses, recebi seu email dizendo a data da convenção e me perguntado se eu estava na disposição de ir por conta própria. Ele já havia falado com os produtores do evento e se eu viesse, já teria um stand garantido. Isso me pegou meio de surpressa e antes de responder um “sim ou não”, resolvi pesquizar o preço das passagens.

A ida e volta a Montevideo custaria cerca de R$680,00, o que é apenas um pouco mais caro que as passagens de avião para o nordeste. Pensei: Tô com grana em caixa e me parece uma muy buena oprtunidade de fazer turismo e um camelô numa cidade gringa. Respondi que estava na pilha de ir e pouco tempo depois recebi emails da produção oficializando o convite. Eu teria meu próprio stand de vendas e a diária do hotel ficaria em U$40. Pra mim, que vou nessas convenções sempre me bancando e ainda por cima tenho que dividir os custos dos stands com meus companheiros dos “Quadrinhos Dependentes”, essa oferta era inrrecusável. Quando a Karla soube da viagem, também quis ir e daí aceitei o convite e compramos as passagens.

Como iriamos investir uma grana nas passagens, decidimos ir dois dias antes do evento pra poder conhecer um pouco mais da cidade. Uma semana antes da viagem, o produtor Matías me disse que eu faria uma “charla” (um bate papo) que estava na programação oficial do evento e ainda eles pagariam a estadia no hotel. Agora eu era um dos seis invitados internacionales. Nada mal, hein? .

Saímos de Brasília no dia 12 de maio às 10h e chegamos às 17h (com escala em Porto Alegre). O Aeropuerto Internacional de Carrasco é lindaço, moderno e novinho em folha, o que só me faz pensar na vergonha que passaremos na Copa do Mundo e Olimpíadas. Pegamos um taxi que fez (lógico) o caminho mais longo, porém, mais bonito pela orla. O bairro de Carrasco é o mais chique e a maioria das mansões têm um ar de chalés europeus e dá uma ótima primeira impressão da cidade. Depois seguimos pela Rambla (a orla marítima de Montevideo), com as praias limpas e bem cuidadas. As casas do barrio de los Pocitos são uma atração à parte. O verão lá deve ser bacana, mas com o frio de 18 graus, ninguém se atreve a encarar o mar gelado.

Quando entramos no centro, a paisagem muda para uma arquitetura mais urbana, com prédios comerciais dos anos 70 e 80 (nada muito moderno) misturado com construções de mais de um século. Lembra um pouco o centro de São Paulo e do Rio de Janeiro. O trajeto até o hotel foi longa e nos custou 700 pesos, uns R$65,00 (1 Real vale quase 11 Pesos Uruguaios). O Hotel Lancaster, onde ficamos hospedados é bem localizada, fica na Plaza Cagancha, beirando a Av. 18 de Julio, a principal avenida comercial da cidade e também a poucos metros do Cine Plaza, local do Motevideo Comics. O hotel diz ter três estrelas, mas digamos que são estrelas um pouco velhas. Como era de graça, não tínhamos do que reclamar. Deixamos as bagagens (só a minha mala de muamba pesava 21kg) na habitación (quarto) e fomos em uma das centenas casa de câmbio da cidade para trocar la plata e começar a bater perna pela 18 de Julio. A longa avenida é cercada de lojas, galerias, restaurantes, muitas livrarias e até uma igreja universal que parece um shopping. Entramos num Cassino e um segurança me chamou a atenção por eu estar fotografando o estabelecimento com o celular. Jantamos pizza entupida de morrones (pimentão). A pizza lá quase sempre é quadrada e o queso mussarela vem por cima do recheio e pode ser comida com a fainá, uma massa fina de farinha de milho meio sem graça.

Minha manhã de sexta-feira 13 começa com muita sorte. Quando fomos tomar café, ví um cara desenhando na mesa do refeitório e perguntei se ele estava lá para a convenção. Sim, ele era o argentino Gustavo Sala e me apresentou o também argentino Juan Giménez, que tomava café com sua esposa em outra mesa. Nos cumprimentamos de loge dizendo “Buenos dias! Como estás?”. Pra quem não sabe, Juan é o desenhista da série “A Casta dos Metabarões”, escrita por Jodorowski. Ele parecia estar de bom humor e quando estava saindo, me deu um tapinha nas costas.

Como tínhamos andado por quase toda a parte de cima da avenida na noite anterior, fizemos a direção inversa. Uma coisa muito boa na cidade é que ela tem poucos carros e não há congestionamentos. As calçadas são largas e as pessoas andam muito à pé. Com pouco tempo de caminhada, chegamos ao começo da Avenida onde está a A Plaza Independecia, com mausoléu e estátua de Gervásio Artigas, um herói nacional.

Lá perto estão a Puerta de la Ciudadela, onde começa a Ciudad Vieja (Cidade Velha). Passamos pelo Teatro Solís, galerias de arte e o Museo Torres Garcia. Há muitos ambulantes (companheiros camelôs) vendendo quinquilharias e antiguidades. Continuamos a descer em busca do mar, passando pelo bairro de Sarandí, com casas e pequenos prédios de no máximo três andades, até chegar na Escollera Sarandí, um pequeno porto e local de pesca. Mesmo com o frio e vento seco, fazia sol e preferi ficar sem casaco. Fomos até a zona portuária e vimos um monte de âncoras gigantes e canhões antigos. Voltamos pelo Mercado del Puerto, onde há vários restaurantes e lojas de artesanato.

À noite, mais andanças para escolher onde comer, as refeições são fartas e custam cerca de 200 pesos sem a propina (gorjeta obrigatória). O café expresso é bom, mas meio caro, vale 50 pesos e apesar da baixa temperatura, los helados (sorvetes) são buenos a qualquer hora.

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3 Respostas to “ESFOLANDO EM MONTEVIDEO – PARTE UM”

  1. Tá com tudo, hein Cigano!?!?

  2. Raw said

    Gracias por participar del evento!
    Me encantaron tus trabajos 😉

    XOXO
    M
    MVDComics | Produccion&Fotografia

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