ESFOLANDO EM MONTEVIDEO – FINAL

maio 22, 2011

No sábado, mais dois argentinos se juntam ao time de portenhos no festival, é Domingo Mandrafina e Nico Di Mattía. Antes do almoço, passo no local do evento pra ver como está tudo e conheço o pessoal gente fina da produção. A movimentação é grande, todos fazendo os últimos ajustes antes da abertura. Almoçamos em um restaurante vegetariano que foi meio frustante, a comida estava bonita, mas sem nenhum sabor.

Começo a arrumar minha muamba no stand que tem o meu nome e que fica ao lado do Nico. Ele é um artista de pintura digital muito conceituado e é editor da revista de HQ e humor “La Murciélaga”. Veja os trabalhos do cara http://nicodimattia.blogspot.com/! Às 14h, é liberada a entrada do público, que paga cerca de R$20,00 o ingresso por dia. Em compensação, os primeiros mil pagantes recebem o gibi “Pactando con el diablo” de Rolando Salvatore, que foi o vencedor do concurso do evento desse ano. A perspectiva da produção é que duas mil pessoas por dia circulem no local. Uma coisa que eu estranhei no começo é que os homens se cumprimentam com um beijo no rosto e não tem nada de viadice, é uma coisa comum deles e dos argentinos. Tentei evitar esse tipo de contato, mas em algumas vezes não teve jeito.

 

O Montevideo Comics não é um evento só de quadrinhos, mas também de cinema de animação e games. Logo na portaria, está está exposto um cenário de um filme de stop motion chamado “Selkirk” que parece ser bem bacana, além de uma programação variada de filmes que fazem parte da programação na sala de cinema. Os stands foram ocupados por comiquerias da cidade e de editoras do Uruguay e Argentina. Há um espaço grande para os artistas da cidade mostrarem seus trabalhos e um local para a exposição dos originais dos artistas argentinos. Abaixo estão os originais de Juan Gimenéz.

Usei de propósito, uma camiseta do Autoramas pra testar a popularidade da banda na cidade, muita gente comentou comigo que gosta da banda. Por causa da camiseta, conheci os caras da banda uruguaia The Supersónicos. Eles ficaram surpresos por eu ter visto o show deles no Porão do Rock de 2006 e de ter o CD Neptunia. Tito, que é um dos guitarristas é um grande ilustrador e participava do evento com o pessoal da publicação Guacho. Nós cambiamos (trocamos) um kit do QQ por uma edição da Guacho e um CD & DVD da banda. Esse CD & DVD é um projeto muito doido, onde os caras inventaram o personagem Bobby Holly, que seria o primeiro roqueiro da América Latina e o DVD é um documentário de ficção sobre a vida do suposto músico.

As vendas começarm um pouco fracas no começo, mas foram melhorando aos poucos. As remeras (camisetas) do Quebraqueixo e do Crumb que levei pra vender fizeram sucesso, assim como os livros e CDs do Quebraqueixo e as revistas do pessoal da Samba. Boa parte do público veio fantasiado de cosplay (e cospobre), pois haveria um concurso cujo o prêmio é ir ao Brasil para competição maior. Lá pelas 19h o Cina plaza estava lotado e a circulação das pessoas no ambiente começou a ficar complicada.

Às 20h, eu, Nico e a alemã Birgit Weyhe fizemos nossa charla, ela tinha uma tradutora e eu tive que me virar no meu portunhol vagabundo. Antes da viagem, eu dei uma estudadinha numas frases em espanhol e enriqueci o vocabulário com palavras essênciais. Os uruguaios já estão acostumados com os brasileiros e se falarmos mais devagar, eles nos compreendem bem. Contei sobre sobre o projeto do Quebraqueixo em adaptar as letras das músicas pros quadrinhos, o que gerou bastante interesse da platéia. Depois voltamos pro stand e ficamos lá até quase meia-noite, que era o horário de encerramento desse primeiro dia de evento.

No domingo, os argentinos, eu a Karla e mais o uruguaio Nicolás Peruzzo e o peruano Chiqui fomos passear na tradicional Feira Tristán Narvaja. Muitos camelôs de antiguidades, livros, discos e produtos piratas. Tem que ficar ligado com os “mãos leves” da área, Karla evitou que um malandro abrisse o ziper da mochila que estava nas costas de Nico.

Como estava ficando tarde, eu e a Karla nos separamos do grupo e fomos almoçar e na sequeência fui pro evento. Essa foi a minha sorte, pois muitos que vieram no dia anterior voltaram com grana e fiz la fiesta. Nico só chegou depois das 18h e com certeza perdeu várias vendas. O local lotou novamente e as atrações principais do dia eram a charla de Juan Gimenéz e a final do concurso de cosplay. Já no fim do evento, fiz as últimas cambiadas me despedi dos novos amigos dibujadores.

(Brasil, argentina e Uruguay. Eu, Nico e Augustín, o (in)responsável pela minha participação no evento.)

Meu objetivo financeiro nesse camelô era cobrir os gastos com as minhas passagens de avião e consegui isso com uma pequena folga. Isso sem contar com os gibis que recebi de regalo e as trocas que fiz com o meus produtos por coisas realmente interessantes. Vou passar um bom tempo lendo e treinando espanhol com o que há de melhor na atual produção inpendente do Uruguay e Argentina. As únicas coisas que comprei pra mim em toda a viagem foi um boneco tosco do Scott Ian (guitarrista do Anthrax) e uma caneca de recordação do evento.

(cambiadas, regalos e compras)

Na manhã de segunda-feira, tomamos café e deixamos a bagagem no guarda volumes do hotel. Finalmente consegui que Juan autografasse os livros da “A casta do Metabarões” que eu havia trazido. Ele me chamou de brazilian boy e ficou examinando os livros, já que ele não conhecia a edição brasileira. Mostrei uma foto minha com o Jodowski, dizendo que ele tinha ido ao Brasil pra falar de Tarô. Juan disse rindo: “E ainda lhe pagam muito dinheiro pra fazer isso!”. Depois tiramos fotos e nos despedimos. Também nos despedimos de Nico e Gustavo e saímos pra um último rolê pela cidade. Almoçamos num outro restaurante vegetariano chamado “Bosque Bambu”, dessa vez a comida estava boa e o ambiente era muito agradável. Troquei meus milhares de pesos por centenas de reais e pegamos um taxi pro aeroporto. Pelo preço fixo de 550 pesos, fizemos o trajeto mais curto pelo centro de Montevideo. Foi bom para ver outro lado da cidade que era inédito para nós.

Chegamos em cima da hora pro embarque, mas ainda deu tempo pra Karla comprar uns perfumes e chocolates no Free Shop. Deixamos Montevideo às 16h e após uma escala de duas horas em porto Alegre, chegamos em Brasília à 23h. Apesar de curta, esta viagem foi intensa e proveitosa. Os urugaios são gente boa, a cidade é tranquila, fiz amigos, conheci um pouco da cultura local e me diverti bastante. Foi uma honra ter participado do 9° Montevideo Comics e espero que outros quadrinistas e editores brasileiros comecem a estreitar laços com o imenso mercado sul americano de historietas. Hasta la vista! Saludos! 

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9 Respostas to “ESFOLANDO EM MONTEVIDEO – FINAL”

  1. ê. said

    mandou bem, titiu!

  2. esfolando said

    Se tivesse umas Beleléu(s) pra levar pra lá…

  3. MaGnUs said

    Evandro! Me gusto mucho haberte conocido, y espero verte el año proximo en MC. Veo una de las GAS3K que trocamos en una esquina de la foto. Me alegro que hayas disfrutado tu estadia.

    De tus dudas, te aclaro que si, Tito es uno de los guitarristas de Supersonicos, y el peruano que te acompaño en un paseo fue Jose Antonio “Chiqui” Vilca.

    Saludos!

    • esfolando said

      Hey MaGnUs, como estás? Curti muito ter conhecido Montevideo e os artistas talentosos da cidade. Espero voltar e levar outros artistas de Brasília e do Brasil. Gracias pelas infos, já as corrigi! Saludos!

  4. MaGnUs said

    Eso, mas brasileros el año que viene! Saludos!

  5. PAULO CESAR CASCÃO said

    O intergaláctico rocker brasiliano Evandro rompendo fronteiras no Mercosul. Caráter, Criatividade e Persistência… hasta pronto!!!

  6. By Tito said

    Estupendo reporte. Obrigadisimo pelos comentarios. Mas quiero aclarar uma cosa, tem certeza que Bobby Holly nao existiou? ehin?

    Foi bom voce ter ido no Tristan Narvaja, quase um tesouro para Paulistas escrupulosos que compran antiguedades a preco baixo e venden nas casas de antiguedades de la por cem vezes o valor. Coisa de doido.

    Hace dos dias acabe de leer o livro e escutar o CD. Ambos som boms!. Se bem au nao curto o Hard Core ache que a banda nao e soo isso, e foi o que mas me gusto. PARABENS! as letras som boas e combinaran fantastico com o livro. OPTIMA IDEIA!!! Fique maravilhado com o trabalho de Gomez (que jamais tinha visto), Daniel Carvalho, Goes (sozonho e com Mesquita) e por supuesto a do tal “evandro”!!!. O arte da capa e insuperavel!

    So estou esperando o momento que Quebraquixo enfrenten Gorilaz e so reste polvo dos gringos!

  7. By Tito said

    Na ultima foto do auto antigo: fique com saudade ja que a VW que aparece de fundo, foi a camioneta que usaram os supersonicos por mas de 12 anhos para fazer os shows e giras…

    snifff

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