ESFOLANDO A GIBICON – FINAL

julho 27, 2011

 

Como eu ia dizendo, cheguei às 10h no Memorial para assistir o debate “Publicando na Europa”. Apesar do horário cruel, boa parte do auditório estava ocupado. Antes de chamarem os convidados, um dos apresentadores disse que haveria uma surpresa para quem ficasse até o final. Daí José Aguiar foi chamando os convidados: o francês Hervé Bourhis, o alemão Jens Harder, o brasileiro Ricardo Manhães e os italianos Fábio Civitelli Lucio Filippucci, todos acompanhados de tradutores.

Achei que muito do que os italianos falaram foi repetição do debate do dia anterior e o tempo ficou curto para os outros convidados. Ricardo Manhães é um brasileiro que publica há mais de 10 anos no mercado franco-belga e acabou que ele nem teve muito tempo pra falar. Eu já tinha visto o alemão Jens Harder no FIQ de 2009 e acho os trabalhos dele muito bons, apesar de não ter nada dele publicado por aqui. Já o francês Hervé Bourhis é conhecido no Brasil pelos livros “O Pequeno Livro do Rock” e o “O Pequeno Livro dos Beatles”. Sou muito fã desse cara, infelizmente a sua tradutora era sofrível e comprometeu seus depoimentos. Veja o video onde essa mina começa a tradução sempre com: “e na verdade…”.

Já perto do final, o cara que estava sentado a duas cadeira do meu lado saiu fora. E depois dos aplausos de despedida para os convidados, anunciaram no microfone que tinham dois vale-presentes grudados embaixo dos bancos. Corri olhar o meu, depois o do lado e justamente na que o cara que saiu estava sentado, estava o papel. Era um presente do Hervé, que tinha uma sacola exclusiva da FNAC com desenhos dele sobre músicos brasileiros (tem até do Ronnie Von), mais um livro “O Pequeno Livro do Rock” já autografado e com um desenho do David Bowie e mais uns postais e um botton do evento. Maravilha!

Depois dessa cagada, fui almoçar. No caminho, me deparo com uma passeata da “Marcha das Vadia”. Umas 300 mulheres e GLS gritavam slogans tipo:”a buceta é da mulher e ela dá pra quem ela quiser!”. Sapequei um PF e voltei pro Memorial. Fiz um rápido lançamento do Quebraqueixo junto com uns quadrinistas de São Paulo e encarei uma fila grande pra conseguir autógrafos dos italianos.

Já a fila pros autógrafos do Hervé estava tranquila. A meu pedido, ele desenhou um Joey Ramone no livro do rock e um Ringo no dos Beatles. Dei um Kit do Quebraqueixo pra ele e pedi que ele olhasse meu portifólio (eu imprimi as páginas do “Rock vs Comics” e outras HQs pra mostrar pro povo do evento) e expliquei no meu “bad english” que eram resenhas dos shows gringos que eu tinha visto e ele pareceu achar legal.

Uma das filas de autógrafos mais concorridas (só perdendo pros italianos) foi a do lourenço Mutarelli e nessa eu nem entrei porque tenho quase tudo dele autografado. Quem foi esperto e comprou os livros gringos de Jens Harder se deu bem, ele capricha nos desenhos, utilizando vários lápis de cor e demorando cerca de cinco minutos em cada livro.

 No fim da tarde, eu, o quadrinista Pedro Franz e o amigo Carlos (que vieram de Florianpólis) fomos ver o debate “Novos Quadrinistas, Novos Quadrinhos” com o Raffa, Galera, DW e Rômulo no Paço da Liberdade.

 

De lá, vazei pro hotel e descansei até meia noite. Daí fui pra festa do evento no Jokers Pub, lugar maneiro com tema de decoração de circo, principalmente de palhaços. Eram fotos antigas, roupas originas molduradas na parede e cartas de baralhos grudadas no teto.

No domingo, cheguei no Memorias às 14h. Uma tradicional feira de artesanato ocupava o Largo da Ordem de cima a baixo. Fiquei um tempo cuidando do camelô do Rafael e troquei idéia com o argentino Salvador Sans sobre Faith No More. Aproveitei pra pegar autógrafo dele no álbum “Noturno” lançado recentemente pela Zarabatana e é altamente recomendável. Também pedi para Hervé desenhar outro Joey, só que dessa vez em uma folha A4 pra eu moldurar e pendurar na parede.

Às 18h, o evento já estava de final, então trocamos a mesa do cameLô por uma mesa de um bar prôximo, onde eu, Olga, Raffa, Pedro e Carlos vimos o Brasil perder vergonhosamente para o Paraguay nos pênaltis. O frio curitibano finalmente resolveu aparecer e terminamos a noite em um bar de temática teatral perto do Teatro Guaíra. Mais tarde, Pedro e Carlos pegaram um ônibus pra Floripa, Olga foi dormir e eu, o Raffa e Daniel Werneck ficamos até 01h conversando sobre séries televisivas, rock, paternidade e lógico, sobre quadrinhos.

Na segunda-feira volto pra Brasília com a certeza de que Curitiba estará nas minhas próximas rotas de viagens. Talvez antes mesmo da Gibicon N°1.

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2 Respostas to “ESFOLANDO A GIBICON – FINAL”

  1. A Marcha das vadias não foi nada disso que você citou acima, inclusive ninguem usou a palavra ‘buceta’ como vc citou… A título de esclarecimento estou encaminhando nosso manifesto!

    “A Marcha de todas as bandeiras”
    O Movimento Slutwalk surgiu no Canadá, no início de 2011, e ganhou o mundo levantando a bandeira contra a culpa da mulher em casos de agressão sexual.

    Em Curitiba, a organização da Marcha gerou calorosos debates. Muitos jovens, mães de família, políticos, expressaram a compreensão da urgência em se realizar um ato a favor do RESPEITO. O respeito ao outro, personalizado na mulher, na criança – em todas as vítimas de agressão que todos os dias são atendidas em delegacias e hospitais. O respeito à todas as vítimas anônimas, humilhadas, abandonadas e destruídas. Infelizmente a civilidade curitibana não afastou esse fantasma e não podemos mais ser coniventes com todas as formas de desrespeito que presenciamos todos os dias.
    Por isso queremos todas as bandeiras na nossa marcha!
    * A bandeira da luta contra a violência sexual, a submissão, a exploração do corpo da mulher. A luta contra o conservadorismo que nos diz que, se não quisermos ser estupradas, não devemos provocar.
    * A luta contra o moralismo, que nos diz que não podemos usufruir de nossa sexualidade, sensualidade e beleza. Contra o machismo que impede que a mulher seja livre e impõe que seja apenas um objeto.
    * O feminismo, renovado, que acolhe as mulheres e orienta na melhor forma de exercer a feminilidade, com força, determinação e respeito.
    * A cidadania, que busca a criação de políticas públicas efetivas de proteção aos direitos da mulher, que puna agressores e estupradores.
    * O fim do preconceito contra os grupos LGBT, pelo respeito às diferentes formas de orientação sexual.
    * A assistência às prostitutas, maiores vítimas de violência e agressão sexual, pelo reconhecimento profissional e por uma condição mais digna, sem exploração.
    * O apoio às mulheres agredidas, que tenham a segurança de o Estado irá defendê-las de seus agressores.
    Acompanhamos as discussões acerca da dificuldade de ressignificar um termo tão carregado de preconceito, como VADIA, e consideramos que é urgente que todos os nomes pejorativos como puta, biscate, vagabunda, piranha, “mulher fácil” sejam reapropriadas e que a discussão sobre a sexualidade feminina, e tudo o que ela representa, seja pauta política e social.
    Se você também não concorda com uma sociedade que aplaude piadas sobre estupro, que segue lideranças que afirmam que, se a mulher foi estuprada, é porque de alguma forma ela consentiu, que banaliza a agressão física, moral e sexual, marche com a gente.
    Na “Marcha de todas as bandeiras” traga o seu respeito.
    Vista-se como quiser, traga a família, ensine ao mundo que as mulheres devem ser respeitadas.
    Diga não à violência!

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