ESFOLANDO O PORÃO DO ROCK 2011

agosto 2, 2011

Dizem que o Porão do Rock é o maior festival de música independente do país, talvez seja mesmo. A estrutura é grandiosa, o número de atrações é enorme e a quantidade de público é bastante respeitável.

Nos dias 29 e 30 de julho, o PDR apresentou 43 atrações (cinco internacionais) para um público de 35 mil na sexta-feira e 15 mil no sábado. A discrepância de público podem ser justivicadas por dois fatores: as atrações de maior apelo na sexta e a canseira provocada pela distância entre os três palcos talvez tenha afastado o público no sábado. Vou te dar o papo: é preciso preparo físico para aguentar a maratona dos dois dias!

Foto: Amaranta Reis

O Quebraqueixo foi a segunda banda a tocar no Palco Extremo no primeiro dia. Os portões do festival foram abertos havia pouco tempo. Mesmo assim, devia ter uns 300 muleques cheios de energia que agitaram muito dentro do Ginásio Nilson Nelson. E no fim das contas, o que vale não é quantidade e sim, a qualidade do público. E se eu achava que tinha tocado pra pouca gente, fiquei supresso ao ver que tínhamos tocado pra muito mais gente que a grande maioria das bandas do sábado.

A banda à seguir foi o Bruto, que não ví pois estava usufrindo da meia hora de camarim a que tínhamos direito. Depois foi a vez do Ratos de Porão lotar o Ginásio. Já ví um monte de shows do RDP e sempre foram exelentes e esse não podia ser diferente. João Gordo contou sobre o primeiro show do Ratos em Brasília em 1986 onde levaram uma chuva de catarradas. Lembrei do show deles no Porão de 2001, onde João Gordo estava enorme e usando uma bengala. Ele fez o show sentado em uma cadeira e poucos meses depois, teve o piripaqui que quase o matou.

O grande duelo da noite foi Raimundos contra Helmet, que tocaram em palcos diferentes no mesmo horário. Pela quantidade e animação do público, o Raimundos fez a banda americana comer poeira. Ví os primeiros 15 minutos dos brasilienses sentindo uma forte tentação em ficar até o final, mas como já tinha visto uns 200 shows deles (e espero ainda ver outros 200), fui ver o Helmet. Tive a mesma impressão, quando os ví tocar no Goiânia Noise de 2008, um som arrastadão e com guitarras bem zoadas do comunicativo Page Hamilton. As últimas músicas do set eram as mais conhecidas e fez a platéia se agitar mais. Com o fim da apresentação, voltei pro palco do Raimundos e ainda peguei duas músicas finais. Com certeza, eles tiveram o maior público de todo o festival.

Quase 04h quando o Dead Fish subiu ao palco pro encerramento da primeira noite do Porão e ainda tinha bastante gente para ve-los tocar. João Gordo até tentou ver o show dos caras, mas a todo momento era importunado por marmanjos querendo tirar fotos com ele e acabou saindo fora com aquele jeitão de irritado. Eu mesmo gostaria de ter ficado até o final, mas só assisti uns 20 minutos antes de cair fora.

Depois de ficar bodado o dia inteiro e de passar gelol no pescoço e panturrilhas, cheguei quase às 22h no segundo dia do PRD. A visão era desoladora, poucas pessoas circulavam no espaço enorme e só um muvuquinha em frente aos palcos externos. O que tinha mais gente era o Extremo, mesmo assim, cerca de metade (pista e arquibancada) do Ginásio estava ocupado. Ele só ficou com uns 80% cheio no show do Krisiun.

Eu realmente não sei se gosto desse esquema do Porão ter três palcos tão distantes um do outro. E é aquele lance de você estar vendo um show e estar perdendo outros dois. Como nesse dia eu não tinha grandes favoritos, fui pingando de palco em palco.

Ví o final da apresentação da sempre charmosa Érica Martins; as três primeiras músicas do ébrio Wander Wildner; um pedaço do show desgracento (isso é um elogio) do Moretools; um pouco do “surf billy” do Dead Rocks; um pedação do som malíguino do Krisium (dava pra sentir a maldade no ar); duas músicas da “dupla trio” Lucy and the Popsonics (a Fernanda jogando um CD pro público foi hilário). Nesse rolê, devo ter andado uns 5KM.

Um show que eu nem tava botando muita fé, mas que me surpreendeu foi a da formação original do Defalla. Edu K é certamente um melhores frontmen do rock brasileiro, utilizando todos os espaços possíveis e impossíveis do palco. O seu jeito punkpopglam acaba ofuscando o restante da banda, mas acho que eles nem ligam.

Quem fechou a conta do festival foram os americanos do The Jon Spencer Blues Explosion com um gran finale apoteótico. Agora é esperar pelas surpresas que o PDR 2012 nos reserva.

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3 Respostas to “ESFOLANDO O PORÃO DO ROCK 2011”

  1. Renato said

    Aí, nesse show de 86, o Gordo e o Jão deram balão nas camisetas do Natinho e do Tupi, no Gran Circolar, tá lembrado?

  2. te vi na frente do show do WW. não fui falar contigo para não atrapalhar a audição. hehehe.
    este porão para mim foi histórico: assisti finalmente ao ww, o deus, o mito, o desgraçento (tb é elogio).

  3. biu said

    eu tenho mais uma teoria sobre porque deu tão menos gente no segundo dia: o inferno que tava entrar naquela porra no primeiro. chegaê pra pegar teus gibis, véi.

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