ESFOLANDO O 7° FIQ

novembro 16, 2011

(Adivinhem quem é o homenageado dessa edição?)

Nesses dois últimos anos, tive a oportunidade de conferir de perto os eventos mais importantes de quadrinhos no Brasil e sem dúvida, a 7ª edição do FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos) realizado em Belo Horizonte é o maior de todos eles. Maior em estrutura, maior em público e maior em diversão.

(Foto da janela do meu quarto de hotel com vista para o parque Municipal)

Cheguei em BH no dia 09 de novembro, dia da abertura do evento. Depois de me instalar no hotel (o mesmo que hospedaria os convidados do festival), arrumei minha mochila com os produtos do camelô e fui pro sagão. Eu sabia que o o local do FIQ ficava perto do hotel e quando pedi informações para o pessoal credenciado, eles me disseram pra eu ir com as três pessoas que estavam indo para lá. Primeiro fui apresentado ao Érico Assis, jornalista do Omelete que na sequência me aparesentou a americana Jill Thompson (desenhista do Sandman) e o Francês Olivier Martin. E fomos descendo até a Serraria Souza Pinto conversando. Um bom começo, hein?

(Jill Thompson dando um autógrafo em frente ao nosso estande)

Se por fora o prédio antigo da Serraria nos remete a quase um século no passado (1913), por dentro, as modernas instalações indicam que estrutura do evento foi bem planejada. Fui na captura do estande dos Dependentes e logo encontrei os “Sambas” Lucas e Gabriel Mesquita (de Góes não veio e fez falta); os “Pinduras” Daniel Ilustrôide e Sarah; os “Beleleus” Elcerdo, Arruda e Stêvz (Lafa chegou no outro dia); os “Pregos” Alex Vieira e Guido Imbrosi; Chyntia “Golden Shower”, além do Pablo “Tutti” Carranza, Yuri “Garoto Mickey” Moraes e mais uns doidos que sempre caiam por lá.

Por ser gratuito e bem localizando, o evento atraiu muita gente (que não necessáriamente curte HQ), fora as inúmeras excursões de escolas que traziam centenas de crianças enlouquecidas com a quantidade de informações. O movimento de vendas no nosso estande foi bacana. Direto encontrávamos figurinhas carimbadas nesse tipo de evento, além de um monte de quadrinistas novos que começam a publicar e aparecer. No começo da noite, eu e o Stêvz fomos tomar café no Café Nice, tradicional cafeteria de BH que está em atividade desde 1939.

O camarada Batista foi um dos responsáveis (assim como no FIQ de 2009) pela organização do já tradicional “Baile da Revistas Dependentes”. Foram três noites de programação musical no Bar Nelson Bordello, convenientemente localizado a poucos metros da Serraria e que já foi uma igreja evangélica. Nessa primeira noite, tivemos a apresentação do Chapamamba (Stêvz e Bruno); depois clássicos do punk nacional e mundial com Prego Orchestra (Alex e Guido) e fechando com Cyntêvz, que é o Chapamamba acompanhando a Cynthia cantando músicas fofas, inclusive uma sobre um vibrador com cabeça de Darth Vader. Após os shows, ainda fiquei um bom tempo trocando idéia com o Olivier e ainda apresentei um béqui pro Cyril Pedrosa.

(Chapamamba e Prego Orchestra tocando no escuro.)

Na quinta, acordo um pouco antes das 10h pra pegar o sultuoso café da manhã do hotel. No refeitório, várias estrelas dos quadrinhos, editores e jornalistas. Esse dia é bem atarefado, dou uma força no estande até a hora que os caras do Quebraqueixo chegam de Brasília. Nós fizemos uma rápida sessão de autógrafos na mesa ao lado do cultuado desenhista Bill Sienkiewicz (acabei de lembrar que ví ele autografando na segunda Bienal de Quadrinhos em 1993, no Rio de Janeiro). Se decepcionou quem esperava ganhar um pequeno sketch junto com seu próprio nome ao lado do autógrafo do ídolo. Apesar da extrema simpatia, Bill fica em pé e apenas risca sua assinatura em cima da capa dos gibis, mas tira foto com todos e estava bem animado. Esperei acabar a fila e pedi pra ele autografar a Elektra e o Demolidor que trouxe de casa. O Quebraqueixo aproveitou pra entregar o livro e o CD da banda e tiramos fotos com ele. Ele até pediu pra que tirassem uma foto nossa com sua câmera.

(Quebraqueixo e Bill)

Eu voltei pra função de vendedor até às 20h, quando fui pro hotel. Pouco tempo depois, o caras do QQ foram passar o som no bar e eu fiquei descansando até às 23h. A maioria dos dependentes já saía direto pro bar, que estava bem mais cheio que a noite anterior. Primeiro tocou o Fadarobocoptubarão, banda instrumental formada pelo Batista, Porquinho e Chico. Como já passava da 01h, podemos afirmar que o Quebraqueixo tocou no mítico dia 11/11/11. Essa foi a segunda vez que o Quebraqueixo faz show em BH, a primeira foi justamente no FIQ 2009, já que o evento é bienal. Apesar da aparelhagem não ser das melhores, o show foi bacana e divertido. Além de rodinhas de pogo, ainda teve dança das cadeiras e hematomas nas canelas. Depois das 04h, voltamos pro hotel. O vôo do Herman, Berma, Paulinho e Júlio era no começo da tarde e eu tava dormindo quando eles partiram.

(Quebraqueixo no Bordello – Foto Carolina de Góes)

Depois de almoçar, fui pro batente e o trabalho é pesado. Está quadradamente enganado quem pensa que esse trampo é moleza. Lógico que a gente se diverte o tempo todo (como todo trabalho deveria ser), mas é mó canseira e tem vezes que você já tá de saco cheio de repetir o mesmo caô pra vender os gibis. E essa sexta, o FIQ estava lotado, multidão de verdade, e o calor de rachar. Aproveitei um tempinho de folga e peguei um autógrafo do Cyril no livro “Três Sombras” e um sketch do Oliver. Às 22h, fechamos o estande com intenção de ficar direto. Do lado de fora estava rolando batalha de MCs debaixo do Viaduto de Santa Tereza e uma cabeçada da comunidade RAP estava presente. Eu e um grupo de uma dúzia de pessoas fomos parar num botecão ali perto e depois fomos pro Bordello. Essa era a última noite da programação do “OFF” FIQ e teve o lançamento da revista “A Zica 1”. Fora do bar estava bem cheio, mas dentro estava meio vazio, mesmo assim o show do Grupo Porco de Grindore Interpretativo foi bom.

(Autógrafos com os franceses Cyril Pedrosa e Olivier Martin)

Como não consegui dormir até às 07h, tomei café da manhã e voltei pra cama até as 14H. Se sexta estava abarrotado, sábado foi ainda pior (ou melhor?). Segundo a organização do evento, o FIQ recebeu 148 mil pessoas nesses cinco dias e não duvido desses números. Além do povo local e da molecada das escolas, tinha muita gente que veio de outras cidades. Os quadrinhos dependentes venderam super bem, mas nada comparado aos das duas livrarias oficiais, que tinham filas enormes pra entrar e eram especializadas em quadrinhos de super-heróis e mangá.

(Fernando Gonsales visita os Dependentes)

(FIQ visto de cima, e nem está aparecendo tudo.)

Fiquei sabendo que iria rolar show do Autoramas e do Dead Fish, daí me agilizei de ligar pro Gabriel e garantir meu nome na porta. Cheguei um pouco antes do Autoramas começar a tocar. A casa estava cheia e o show do trio foi muito interessante, pois eles tocarm várias músicas novas que estão presentes no “Música Crocante”, CD recentemente lançado. Eu estava perto da entrada do Backstage quando o Dead Fish começou o show. Primeiro veio o Bacalhau me cumprimentar e depois, pra inveja dos marmanjos, Flavinha (a baixista mais fotogênica do rock nacional) veio me passar pra dentro dos camarins. Lá cumprimentei o Gabriel e fumei um com o Bacalhau. Ví quase todo o show do lado do palco e no final, subi o mezanino pra filmar a última música do show. Esperei um pouca a banda baixar a bola e fui cumprimenta-los antes de ir embora. O melhor da noite foi ter fugido do triângulo: hotel, Fiq e Bordello.

Domingo, o último dia do FIQ é sempre mais deprê, porque a gente sabe que está acabando e muitos vão embora antes do evento terminar. Daí é aquelas despedidas, troca de gibis, reforçar parcerias e ajudas mútuas. Fiquei tipo uma hora e meia na fila da Jill Thompson pra pegar assinatuta nos livros do Sandman.

Quando eram 21h o evento esvaziou e começamos a guardar todo o material que sobrou. Muita conversa depois, fizemos um grupo que partiu pra uma cantina, chegando lá, mudamos de idéia e nos juntamos a outro grupo para comer num rodízio de massas (feijão tropeiro incluso). Na mesa, eu, Tiago, Juca, Azeitona, Santolouco, sua namorada,Wesley, Rubem, Carol de Góes e Rafael Corrêa. Dizem que o evento só é um sucesso quando alguém acaba indo pro hospital e foi lá que o Lucas LTG foi parar com uma infecção que deixou os dois pés inchados. Ele, Cynthia e Mesquita apareceram mais tarde.

(Foto institucional tirada pela Carolina de Góes)

Daí, nos despedimos, fui pro hotel, acordei às 11h, arrumei meus bagulhos. Fui de taxi pra rodoviária e de lá pro aeroporto. Ás 17h eu estava em casa, cansado, mas feliz de mais uma missão cumprida. Agora, FIQ só em 2013.

(Dominó gigante feito por vários artistas)

(Bottons do Billy Soco coletados pela Carolina de Góes)

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4 Respostas to “ESFOLANDO O 7° FIQ”

  1. Evandrão, muitíssimo obrigado pela presença forte! Nos vemos em Brasília quando a Tournée Pandemônio 2012 adentrar plagas candangas!

    Só uma pequena correção: o FIQ não tem “livraria oficial”, todo mundo pede stand igual. Felizmente, pela primeira vez no FIQ, tivemos não apenas 1, mas 3 livrarias com stands durante o evento: a Leitura, a Comix e a Itiban.

    Botei o livro do Quebraqueixo no topo da minha (enorme) pilha de gibis que vieram do FIQ, mal vejo a hora de ler! Vocês são uns insanos maravilhosos por imprimirem um livro daquele quilate!

    • esfolando said

      Werneck, eu e o Quebraqueixo te agradecemos imensamente pela boiada de nos colocar ao lado do Bill e por toda a diversão do FIQ. Quando eu falei de livrarias oficiais é no sentido delas existirem fisicamente. Eu nem contei a Itiban, porque o stand tava parecendo muito com a gente dos dependentes. Nos avise dos lançamentos do Ovelho Negra! Abração!

  2. Relatório obrigatório pros fanfarrões que só chegaram no fim de semana! (tipo eu)

    abração e 2013 tamo lá!!

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