Meu Carnival foi Psycho! Resolvi passar o carnaval em Curitiba meio de última hora e valeu muito à pena ter ido conhecer o Psycho Carnival. Essa foi a 13° edição do festival e eu tava devendo essa visita a tempos.

Cheguei na sexta-feira 17 de fevereiro, mas o evento já tinha começado no dia anterior. Fui às 22h para o Espaço Cult, quando desci do taxi ví que já conhecia a rua. O local dos shows fica em frente ao Memorial de Curitiba, o belo edifício de vidro que abrigou o Gibi Con do ano passado. Me senti em casa, sabendo que eu não precisaria mais pegar taxi porque dava pra ir e voltar à pé pro hotel. Logo trombei com alguns brasilienses, com os amigos locais Max e Paulo Pacheco, também conheci uma cambada de gente nova, entre eles o Jardel, camarada que organiza shows em Belém.

O Espaço Cult é um lugar bem bacana, com estrutura adequada pra receber cerca de 1000 pessoas em seus vários ambientes. Nos três bares do local, eram servidos exclusivamente chopes da marca Diabólica, que tem 6,66% de teor alcólico. Até eu que não bebo, dei duas goladas pra ver se eu ficava emdiabrado. Trouxe uma garrafinha da cerveja, mas não sei se vou abrir.

Curitiba no carnaval vira a Meca do rockabilly, vem gente de vários lugares do país e do mundo para prestigiar o evento, que é um dos maiores do gênero. Como era de se esperar, a maior parte do público era formada pelos billys topetudos e por lindas pin-ups super produzidas.

Essa primeira noite foi denominada de “Esquenta” e teve uma média de público de 600 pessoas. O equipamento do palco é que tava meio no osso, as bandas e o Sickeira Beavis tiveram que fazer malabarismo. Dei mole e só ví as três últimas músicas do Mullet Monster Mafia, quarteto instrumental de Power Surf Music, mas o pouco que ouvi me impressionou. Quem fechou a noite foi o Hillbilly Rawhide, banda local de Country Western Caipira Red Neck Psycho. Coxinha, conhecido por tocar baixo acústico no Sick Sick Sinners é o guitarrista e vocalista desse grupo que ainda tem um tecladista, um gaitista e um violinista.

Sábado, o local ficou abarrotado, com ingressos “sold out” disputados. Cheguei tarde e não ví os brasilienses Os Dinamites tocarem, mas o Márcio (Deceivers e NW77) disse que foi bem legal, com vários casais dançando na pista. Os alemães do The Wreck kings foram a primeira atração gringa do festival, mandaram bem em promunciar palavras e palavrões em português. Em seguida, a divertida apresentação dos cariocas Big Trep. Talvez a banda mais aguardada de todo o festival fosse o Batmobile. Esse trio holandês é um dos pioneiros do estilo e estão prestes a completar 30 anos de atividade. Na primeira música, três garotas soltaram três bolas gigantes na platéia. As bolas foram quicando com os socos do público e por vezes derrubaram o forro do teto (assista o video). O show foi bonzão mesmo.

http://www.youtube.com/watch?v=326HyQTN3cw&feature=youtu.be

No domingo, eu e o Jardel acompanhamos a Zombie Walk, que saiu às 14h da Praça Ósorio rumo às Ruinas de São Francisco. A caminhada contava com mais de 2000 participantes e a maioria veio a carater. Carnaval com muitas menininhas bonitas com o rosto pintado de caveira mexicana e muita gente lambuzada em sangue falso. O calor estava grande, mas ao longe, uma nuvem preta se aproximava. Chegando nas ruinas, uma pequena estrutura de palco estava armada e a banda curitibana Radio Cadaver tocou seu Punk Horror com pitadas de música brega e letras que falam de lendas urbanas locais. Depois foi a vez dos brasilienses Sapatos Bicolores, que tocaram com maquiagem de zumbis e agradaram geral (assista o video). Lembra da nuvem preta que eu falei? Pois ela chegou com força no começo do show da Mary Lee & the Sideburn Bros. Na terceira música, o show foi interrompido e a multidão se disperçou. Eu e Jardel batemos um rango numa hamburgueria chique esperando a forte chuva passar, caiu até granizo.

http://www.youtube.com/watch?v=kr2FISvXUXc&list=UU9XPW-BnSioRD8h8913tNlA&index=2&feature=plcp

De noite, o público foi menor do que as dois outros dias. Gostei do show do Jinetes Fantasmas, banda argentina uniformizada que distribuiu “suco do inferno”, mistura de cerveja com vinho e sei lá mais o quê. Na sequência, tocou o The Rocker Covers, trio inglês que, toca covers de músicas de bandas famosas como The Cure e Green Day em estilo rockabilly. O Sick Sick Sinners mostrou porque é uma das melhores bandas de psycho do país, botando o povo pra pogar.

http://www.youtube.com/watch?v=WECdpYnAAh8&feature=youtu.be

O último show da noite, pra mim, foi o melhor que ví em todo o festival. Com 18 anos de vida, a banda local Ovos Presley fez a apresentação mais divertida e autêntica do Psycho Carnival. Usando chapéus de isopor no formato de cascas de ovos na cabeça e jalecos sujos de tinta vermelha, o quarteto surpreendeu quem ficou até às 04h para ve-los. O vocal é muito figura, usando óculos de Elvis e camisa branca cheia de pedrarias, fez uma das melhores performances de front man que eu presenciei em todos esses meus anos de rock. O segredo deve ser a expontaniedade que o cara demonstra, dá pra ver que nada é forçado, é tudo verdadeiro. A música é o rock cru, simples e infectado pelo punk rock com letras que você ouve na primeira vez e já sai cantando na segunda. Imagina a mistura de Little Quail, Galinha Preta e Camisa de Vênus, mais ou menos por aí.

http://www.youtube.com/watch?v=wpw-PvGqInw&feature=youtu.be

Eram quase 05h quando eu e o Jardel voltávamos à pé. Resolvi acender uma ponta e fomos cafifando pelo caminho. De longe vi uma viatura da poliça e dispensei o flagrante. O camburão seguiu a gente lentamente até chegar no nosso lado. Nem nós, nem o carro parou de andar. Da janela do passageiro, o policial falou algo do tipo: “Vocês sabem que essa merda não tá legalizada, né? Vai fumar essa merda na casa de vocês!” Depois seguiram adiante sem nos incomodar, mas a onda foi cortada com faca Ginsu.

E assim terminou a minha última noite de shows no festival. Voltei pra Brasília na tarde de segunda-feira, mas o Psycho Carnival seguiu a programação até a “Ressaca” na noite de terça-feira. Se Brasília não fizer um carnaval com rock de verdade nos próximos anos, vou pro Psycho Carnival sem pestanejar.

Essa é a tricentésima vez que eu perturbo vocês nesse blog. O post de n°300 é pra dizer que meu Carnival será Psycho. Tô indo pra Curitiba curtir quatro dias de folia psychobilly. Fiquem aí com o video que fiz ontem no show do Autoramas em Brasília. O trio tocou a música W3, clássica do Little Quail And The Mad Birds.

http://youtu.be/fMsdH1HdOZU

ROCK vs COMICS DO AUTORAMAS

fevereiro 15, 2012

Esse show tá com pinta de ser SOLD OUT! Uma pequena homenagem/insulto do ROCK vs COMICS para a banda Autoramas, que toca hoje em Brasília na Noite PDR Especial. Não sei se vou, posso estar correndo o risco de apanhar do trio Flavinha, Gabriel e Bacalhau depois da gig.

Essa é a resenha ilustrada do Rock vs Comics para o interessante Festival Mundano, que rolou em outubro do ano passado e teve como atração principal o show da banda americana Bad Religion.