Meu fim de semana em São Paulo começou na sexta-feira (23/04) fazendo uma peregrinação pela Galeria Nova Barão, paraíso dos aficcionados pelos vinis, que não é o meu caso, mas gosto do clima do lugar. Na loja The Records, achei um livro fodão sobre Punk Rock, perguntei o preço, mas Mateus,um dos donos da loja disse que não estava à venda. Começamos um papo sobre livros e eu mostrei um dos dois únicos exemplares do “Esfolando Ouvidos” que eu tinha levado e o cara me comprou os dois na hora.

Na sequência, caminho poucos passos até a Galeria do Rock. Vou de cima a baixo pelos 6 andares do pitoresco prédio, procurando alguma coisa que eu não sabia o que era e acabei não encontrando nada que eu realmente quisesse. Pego o metro às 18h, bela hora pra me espremer nos vagões e observar os tipos paulistas. Na Estação Sé tinha uma exposição do Raul Seixas, com umas roupas que ele usava (pijama, jaqueta de couro e o manto de mago) e reproduções de manuscritos.

No sábado, faço um rolé descendo a Rua Augusta até a Galeria Ouro Fino. Lá encotro a Karla, que também veio ver o show do Jello Biafra and Guantanamo School of Medicine. Chegamos às 20h no Beco 203 e a casa nem tinha aberto ainda, isso porque estava marcado pra começar às 19h e terminar às 22h. Fila grande e uma garoa rolando. Quando conseguimos entrar, o Agrotóxico já estava tocando. O lugar é bacana, boa estrutura e não chegou a lotar, estava cheio, mas confortável. Som mecânico com clássicos do punk gringo e nacional esquentavam os tamborins.

Quase 22h e Jello passa correndo esbaforido com escolta de seguranças e entra no camarim, o público se atiça. Logo, o Guantanamo sobe ao palco e começa a tocar, Jello vem depois, usando um casaco espalhafatoso. Ele não estava usando seu uniforme padrão que é o jaleco branco, sobre uma camisa da bandeira americana e luvas de látex.

Mal o show começou e os stage dives se multiplicaram. Jello não gosta muito de contato físico e após anos de palco, tem as manhas de se livrar (esquivando e empurrando) de quem tenta abraça-lo ou beija-lo enquanto canta. As músicas do Guantanamo não são tão conhencidas, daí a platéia se comporta um pouco mais e só apavora mesmo quando as poucas músicas do DK (5 ou 6) são executadas. A primeira delas foi “California Über Alles” (video abaixo), onde o nome do ex-governador da Califa Jerry Brown foi modificado pelo atual Schwarzenegger. Me arrupiei quando tocaram “Forkboy” do Lard, música que faz parte da trilha sonora de “Natural Born killers”.

http://www.youtube.com/watch?v=WR_cN9L44-g&list=UU9XPW-BnSioRD8h8913tNlA&index=1&feature=plcp

A primeira parte do show termina, a banda sai por um minuto e volta antes que a platéia gritassem pelo bis, é que com o atraso, nem dava pra descançar. Esse video tem 12 minutos e eu filmei quase sem tremer o braço, tá meio de longe, mas é um dos momentos mais marcantes do show: primeiro Jello ajuda um cara recuperar os óculos perdidos, apresenta a banda e toca uma do Guantanamo, depois tira a camiseta e batiza os da primeira fila com seu suor, dá um longo beijo na boca de uma mina que subiu no palco e canta Holiday in Cambodia, delírio geral.

http://www.youtube.com/watch?v=XsssoDHIqV8&list=UU9XPW-BnSioRD8h8913tNlA&index=2&feature=plcp

Era pra ter acabado aí, mas como o show nem tinha completado uma hora (em Curitiba foram quase duas horas, o mesmo tempo do show que ví em 2010 no Rio). Minutos depois de negociações, eles retornam pra mais uma e adios. O lance que a casa iria fazer outro evento mais tarde e tinha que colocar todos pra fora. Quando saímos, tava caido um pé d’água escroto e ficou uma cabeçada amontoado debaixo de toldos das casas vizinhas. Atravessamos a rua e comemos focaccia com o Ícaro, outro representante de Brazza City no evento. Pra fechar a noite, demos umas voltas pelas redondezas vendo os agitos da famosa rua.

(Foto Karla Moita)

Como eu ia voltar às 15h, no domingo só deu pra visitar a expo “Ocupação Angeli” que está até dia 29 de abril no Itau Cultural. Apesar de ser um espaço pequeno, ela está muito bem montada e dá uma boa idéia da produção desse genial cartunista. Tem origianais, reproduções, muitas gavetas iluminadas com materiais de trabalho e obras que não couberam nas paredes. TVs com fone de ouvido passam depoimentos em videos (o melhor é o Angeli falando de sua relação com o rock). A cereja do bolo são dois cenários do curta Dossiê Rê Bordosa. Torço pra que essa expo venha pra Brasília.

 

 

 

 

 

FDS EM SP

março 22, 2012

Vou passar o fim de semana em São Paulo… ver o show do Jello Biafra… visitar a expo do Angeli… depois eu conto como foi!

 

 

Essa foi a página do ROCK vs COMICS mais trabalhosa até agora. Lá em Curitiba, durante o Psycho Carnival eu já imaginava que não daria pra fazer uma página nos moldes que eu costumo fazer. Daí pintou a idéia de fazer uma ilustra com vários elementos do evento. No canto esquerdo, no alto, tem uma Araucária (Pinheiro do Paraná), ao lado de um tipo castelo que representa as Ruínas do São Francisco, local do Zombie Walk e de alguns shows. No meio do povo, tem alguns músicos que participaram do festival, misturadas com gente fantasiada. Já falei e repito: se no próximo carnaval não tiver show de rock de verdade em Brasília, já sei pra onde vou!

No dia 24 de fevereiro, eu, o Antônio e o Herman fomos assistir ao show do Soulfly em Goiânia. A viagem de ida foi lenta, eu tava gripadão e chegamos atrasados quase meia hora, mesmo assim valeu a pena esse rolé. O show foi brutal, principalmente nas músicas (seriam covers?) do Sepultura. Max nem parecia que se recuperava de uma paralisia facial e aproveitou que esse era o primeiro show da tour do Soulfly no Brasil para apresentar seu filho Zyon de 18 anos, como novo baterista.

Nessa sexta-feira (02/03) tem show do Quebraqueixo, Valdez e Sangue Seco (GO) no Cult 22 Rock Bar. Essa é a prévia do Festival Grito Rock Brasília. Chega lá!