ESFOLANDO O ROBERT PLANT

outubro 26, 2012

Juro que fiz esse desenho entre 01h e 03h:30 dessa madrugada. Fiquei na pilha, depois de testemunhar uma hora e meia de show de Robert Plant. Não que os rabiscos tenham ficado grandes coisas, mas só usei como referência, as fotos e o anúncio do show que saíram ontem no Correio Braziliense e a memória super recente do evento. Não era nem pra eu desenhar nada desses shows que tenho visto ultimamente, já que estou na correria pra finalizar o livro com a 1° temporada de ROCK vs. COMICS. Eu tinha minhas dúvidas se iria gostar do show, pois nem sou entusiasta do Led Zeppelin e muito menos acompanho a carreira solo do ex-vocalista. Aos 64 anos de idade, Robert Plant está com a voz em dia e é bem simpático. O momento principal talvez tenha sido quando ele perguntou em bom português: “Brasília, mais?”. O ginásio Nilson Nelson lotado gritou bem alto que “SIM!”.

Nada mal passar um FDS no Rio de Janeiro, ver shows do Agnostic Front e H2O, confraternizar com amigos quadrinistas e dar um “tibum” no mar.

Na sexta-feira (05/10), cheguei em RJ às 17h. Do Galeão até Ipanema no baú Frescão foram mais duas horas e mais uma andada de 20 minutos até a espelunca onde fiquei hospedado.  Depois de descansar um pouco, peguei o metrô até a Cinelândia e andei 10 minutos até chegar aos Arcos da Lapa.

Uma das razões para ver o Agnostic Front e H2O no Rio era entrar pela primeira vez no Circo Voador. Isso mesmo, primeira vez! Achei muito interessante a arquitetura do local, uma bolota bem planejada, com vários níveis de solo e uma arquibancada eficiente. Tive minhas dúvidas se o som ficaria bom, mas não tenho do que reclamar, exceto o “DJ” que só tocava “PearJama” o tempo todo.

Pensei que fosse dar mais gente, mas fiquei sabendo que a cena HC no Rio realmente não é grande e devia ter uns 500 pagantes. Lá trombei com dois grandes amigos de Brasília que moram em RJ, um deles não quer se identificar e o outro é o Renzo, ex- batera do DFC e que deve voltar em breve pro Gangrena Gasosa. Na banquinha do merch, não vi nenhuma camiseta dos gringos que eu achasse realmente legal pra comprar e nem CDs eles levaram pra vender.

Eu não estava botando muita fé na nova-iorquina H2O, não conhecia nada da banda por considera-la meio “pirulito”. A banda carrega essa pecha de ser um dos grandes expoentes do “hardcore melódico” e SXE, mas seu som está impregnado pelo autêntico NYHC. Posso dizer que fiquei impressionado com a energia do show, que durou cerca de 40 minutos. Muitos stage dives e fãs emocionados cantando as músicas em coro. Me arrisco a afirmar, que um bom pedaço do público foi ali para vê-los em primeiro lugar. Após a apresentação, membros da banda se revessaram na banquinha para cumprimentar os fãs, tirar fotos e aquecer as venda das t-shirts. Abaixo, o vídeo de ” Nothing to Prove”, um dos momentos mais marcantes da apresentação.

http://www.youtube.com/watch?v=kWQ9r9dRdyk&feature=plcp

Passava da 01:30 quando o Agnostic Front subiu no palco. Um dos maiores ícones da cena hardcore de Nova Iorque (e mundial) estava em tour sul-americana comemorando 30 anos de atividade. Roger Miret e Vinnie Stigma não deixaram dúvidas que ainda têm muita lenha pra queimar.

Como no show anterior, vários fãs subiram no palco, mais para atrapalhar do que para abrilhantar o espetáculo. Teve um sujeito que quase fez o Stigma cair de costas e por pouco não derrubou o cabeçote da guitar. (veja isso acontecer no vídeo abaixo, mais ou menos no 05:30).

http://www.youtube.com/watch?v=LxOn9DtAyeM&list=UU9XPW-BnSioRD8h8913tNlA&index=1&feature=plcp

Nos dois shows, comecei vendo das arquibancadas e depois desci pra beira do palco. Apesar de o pogo comer solto, estava tranquilo e não vi nem soube de nenhuma treta, sinal de que o clima era de positividade. O que é bom dura pouco e o Agnostic Front tocou por uma hora cravada e fechando com “Blitzkrieg Bop” do Ramones, sem direito a bis. (assista o vídeo abaixo).

http://www.youtube.com/watch?v=vjVsPbkFoLY&feature=plcp

Passava das 03h quando eu, o Renzo e o Oscar (batera do Calibre 12) saímos do Circo e andamos pela Lapa pra rachar um taxi. O local fervia de gente de todo o tipo, de todas as classes sociais, orientação sexual, etnias e idiomas, uma verdadeira Babel.

Acordei meio estragado no sábado, mesmo assim, fui conhecer e fuçar a bacana loja “Baratos da Ribeiro”, um sebo de livros, LPs e HQs. Troquei uma ideia com o Maurício, o dono da loja, a respeito da caótica situação cultural do Rio. Ele me comprou os três únicos exemplares do “Esfolando Ouvidos” que levei. Se você é do Rio e está procurando esse livro, é lá que você vai encontrar. Não estava fazendo sol, mas a tarde estava quente e abafada, fazendo as moças cariocas usarem shortinhos que beiram a indecência. Coisa linda! Até cogitei em pegar uma praia no fim da tarde, mas a preguiça e o cansaço falaram mais alto.

Mais tarde, fui na loja La Cucaracha, do amigo Matias Max, o Capitão Presença. Estava rolando o lançamento do livro de tirinhas “Vida Besta”, do Galvão. Eu não conhecia nem o cara nem seu trabalho, mas bastaram alguns minutos de conversa pra situação mudar. Lá também conheci o Ota, que é uma das sumidades do quadrinho nacional. Depois foi o Laffa, lenda do Bairro Glória se juntar a nós.

Ouvir o Ota contar as absurdas histórias do sósia brasileiro do Alfred E. Newman (símbolo da revista americana Mad, da qual Ota foi editor por muitos anos da versão brasileira) já valeu a viagem.  Depois, nós e mais uma cambada fomos para um bar ali perto. Dessa vez, Ota nos presenteou com histórias sobre Carlos Zéfiro, o misterioso autor de quadrinhos eróticos conhecidos pelos famosos “catecismos”, pequenas revistas publicadas e vendidas de forma clandestina nas décadas de 50 a 70.

A noite terminou cedo, porque Ota e Laffa tinham que pegar o metrô antes da meia-noite. Eu os acompanhei até a estação, que ficava perto do meu hotel. No caminho, vimos várias belezocas de perna de fora. Como fui dormir cedo, acordei cedo e fui pra praia, no caminho, muito lixo eleitoral. Quase desisti de dar um tibum no mar, porque a água estava gelada, mas pensei que eu ia ser muito prego de não dar um mergulhão e caí dentro.  Depois fui rapidão pro hotel e arrumei minhas paradas. Antes que a tarde terminasse, eu estava de volta a Brasília.

QUATRO ANOS ESFOLANDO

outubro 8, 2012

Acabei de descobrir que o Esfolando Weblog completou seu quarto ano de atividade no dia 26 do mês passado. Desnaturado que sou, fico devendo uma festa pra esse monstrinho que tenho alimentado com mais de 300 posts. Cheguei há poucas horas do Rio de Janeiro e em breve, colocarei a resenha desse rolé por terras cariocas, com direito a shows do Agnostic Front e H2O. Aguardem!

ESFOLANDO O BACALHAU

outubro 2, 2012

Eu ia fazer uma resenha sobre o show do Autoramas no Acústico Rolla Pedra que aconteceu na quinta-feira (27/09), mas resolvi focar minha atenção na figura exótica de Wagner, mais conhecido pela alcunha de Bacalhau.

Cheguei na Sala Cássia Eller quase junto com a banda. Depois de cumprimentar a Flavinha, o Lúcio e o Gabriel, finalmente encontro a estrela da noite, Bacalhau. Ele já estava dando satisfações aos “Os Melhores do Mundo” Pipo e Victor sobre o porquê de não estar incluído na formação do Planet Hemp, que fará alguns shows esse ano. A versão detalhada da resposta é impublicável, mas a pergunta que não quer calar incomoda o sujeito, que já deve estar de saco cheio de ouvi-la e de responde-la. A resposta mais educada é: “Não é pra mim que você tem que perguntar!”. Mais tarde e muitas cervas depois, o melhor que você vai conseguir se fizer essa pergunta é um “Vai tomá no cu!”, mas é um vai tomá no cu de boa, sem ignorância.

Montei um camelô com as coisas do Autoramas enquanto o Gramofocas terminava sua apresentação. Sem muita demora, o trio carioca se instala no palco e desfere seus hits num formato um pouquinho mais comportado do que de costume, para uma platéia acomodada em cadeiras. Somente aqueles que tiveram a sorte de não terem lugar para sentar, puderam aproveitar o show da maneira correta, que é dançando. Parece que a banda já tinha abandonado esse formato, baseado no Acústico MTV. Eu só tinha visto esse show uma vez, há uns dois anos. A viola e o baixolão tem o seu charme, mas prefiro plugadão. Mesmo assim, é sempre bom vê-los de um jeito diferente. Quando a banda saiu uns minutinhos pra fazer o “doce” antes do bis, quem aparece fazendo policinelos e gritando “Mais um! Mais um!”? Ele mesmo, o Bacalhau!.

No final, faço as últimas vendas, enquanto a banda se recompoe no camarim. Primeiro Gabriel aparece e acertamos as contas. Eu não ia contar o que houve a seguir, pra proteger a imaculada imagem da Flavinha, mas é que foi engraçado e eu não resisti. Vejo ela se aproximando com seus equipamentos em um mão e na outra, uma grande sacola de papelão, dessas de boutique feminina. De repente, o fundo da sacola rasga, revelando o conteúdo oculto. Cerca de 15 latas de cerveja rolam pelo chão e a mocinha envergonhada, foge rindo do local do crime. Coube a mim, arrumar sacos de plástico e recolher as provas. Mas de quem é a culpa? Lógico que é do Bacalhau, foi ele que envolveu a inocente garota no velho truque do “limpa camarim”.

O trio estava feliz, porque ainda era cedo e dava pra aproveitar o “after show”. Foi uma caravana pro hotel onde a banda estava hospedada, entre os convidados estavam os fotógrafos Zé Maria e a talentosa Amanda Goes, que gentilmente cedeu as imagens pra esse post. No meio da fumaça, Bacalhau nos agraciou com histórias da mais recente tour que fizeram na Europa, como a de não poderem comprar birita em um bar da Suécia (ou seria Suíça?) por não terem carteira de fumante e de terem os passaportes scaneados em um Coffee Shop em Amsterdam.

Depois partimos pro Museu da República onde estava rolando show do Criolo e estava cheio de gente. Rolou uma rápida sessão nostalgia quando andávamos pela Biblioteca Nacional e eu lembrei o Gabriel que estávamos exatamente onde era o Gancircolar, local histórico para o rock brasiliense. Acabou que ficamos só meia hora no local e partimos pro Beirute Norte. A Flavinha e o Bacalhau foram no meu carro, daí resolvemos passar pela Catedral. Bacalhau   desceu do carro e foi rápido na frente, eu fiquei acompanhando a Flavinha, que tirava fotos do celular. A gente não deixou o cara nem três minutos e quando o alcançamos, ele já estava com três pessoas desconhecidas, tentando aprender assovios de passáros que um dos jovens tentava ensinar.

Depois desse rolezinho turístico, baixamos no bar. No meio da conversa, surgiu, não se sabe como, o nome de Sérgio “Ratão/ Debulha”. Bacalhau é grande fã das proezas desse sujeito, mas não o conhecia pessoalmente. Ele ouviu inúmeras vezes as hilária historias contadas por Gabriel e fez questão que eu ligasse pro cara às 01:30 pra que ele viesse nos encontrar. E o Ratão veio mesmo e foi tipo um encontro histórico, mas o bar já estava fechando. Então Ratão chamou todos para irem a seu bar, o Salada Cultural, que ele acabara de fechar, mas que ele reabriria só pra gente. Todo mundo pipocou, menos o Bacalhau, lógico! Fui também, pra garantir a integridade física do rapaz. O Salada Cultural é um lugar bacana, cheia de traquitanas em todos os lugares. Bacalhau bebeu mais dois litrões até que o fígado reclamou e pediu pra parar. Já a despedida entre Ratão e Bacalhau foi demorada, com calorosos abraços e elogios mútuos, como se fossem amigos a muito tempo, na verdade eram, só que não tinham se encontrado ainda.

Na volta, ouvimos o CD novo do CJ Ramone pela W3 Norte. Eram quase 04h, quando deixei o herói em seu hotel e ele, em estado etílico elevado, disse que ainda ia ligar pra esposa e me deu um abraço! Boa noite, Bacalhau! Durma bem! Você merece!

Todas as fotos por Amanda Goes.