ESFOLANDO O BACALHAU

outubro 2, 2012

Eu ia fazer uma resenha sobre o show do Autoramas no Acústico Rolla Pedra que aconteceu na quinta-feira (27/09), mas resolvi focar minha atenção na figura exótica de Wagner, mais conhecido pela alcunha de Bacalhau.

Cheguei na Sala Cássia Eller quase junto com a banda. Depois de cumprimentar a Flavinha, o Lúcio e o Gabriel, finalmente encontro a estrela da noite, Bacalhau. Ele já estava dando satisfações aos “Os Melhores do Mundo” Pipo e Victor sobre o porquê de não estar incluído na formação do Planet Hemp, que fará alguns shows esse ano. A versão detalhada da resposta é impublicável, mas a pergunta que não quer calar incomoda o sujeito, que já deve estar de saco cheio de ouvi-la e de responde-la. A resposta mais educada é: “Não é pra mim que você tem que perguntar!”. Mais tarde e muitas cervas depois, o melhor que você vai conseguir se fizer essa pergunta é um “Vai tomá no cu!”, mas é um vai tomá no cu de boa, sem ignorância.

Montei um camelô com as coisas do Autoramas enquanto o Gramofocas terminava sua apresentação. Sem muita demora, o trio carioca se instala no palco e desfere seus hits num formato um pouquinho mais comportado do que de costume, para uma platéia acomodada em cadeiras. Somente aqueles que tiveram a sorte de não terem lugar para sentar, puderam aproveitar o show da maneira correta, que é dançando. Parece que a banda já tinha abandonado esse formato, baseado no Acústico MTV. Eu só tinha visto esse show uma vez, há uns dois anos. A viola e o baixolão tem o seu charme, mas prefiro plugadão. Mesmo assim, é sempre bom vê-los de um jeito diferente. Quando a banda saiu uns minutinhos pra fazer o “doce” antes do bis, quem aparece fazendo policinelos e gritando “Mais um! Mais um!”? Ele mesmo, o Bacalhau!.

No final, faço as últimas vendas, enquanto a banda se recompoe no camarim. Primeiro Gabriel aparece e acertamos as contas. Eu não ia contar o que houve a seguir, pra proteger a imaculada imagem da Flavinha, mas é que foi engraçado e eu não resisti. Vejo ela se aproximando com seus equipamentos em um mão e na outra, uma grande sacola de papelão, dessas de boutique feminina. De repente, o fundo da sacola rasga, revelando o conteúdo oculto. Cerca de 15 latas de cerveja rolam pelo chão e a mocinha envergonhada, foge rindo do local do crime. Coube a mim, arrumar sacos de plástico e recolher as provas. Mas de quem é a culpa? Lógico que é do Bacalhau, foi ele que envolveu a inocente garota no velho truque do “limpa camarim”.

O trio estava feliz, porque ainda era cedo e dava pra aproveitar o “after show”. Foi uma caravana pro hotel onde a banda estava hospedada, entre os convidados estavam os fotógrafos Zé Maria e a talentosa Amanda Goes, que gentilmente cedeu as imagens pra esse post. No meio da fumaça, Bacalhau nos agraciou com histórias da mais recente tour que fizeram na Europa, como a de não poderem comprar birita em um bar da Suécia (ou seria Suíça?) por não terem carteira de fumante e de terem os passaportes scaneados em um Coffee Shop em Amsterdam.

Depois partimos pro Museu da República onde estava rolando show do Criolo e estava cheio de gente. Rolou uma rápida sessão nostalgia quando andávamos pela Biblioteca Nacional e eu lembrei o Gabriel que estávamos exatamente onde era o Gancircolar, local histórico para o rock brasiliense. Acabou que ficamos só meia hora no local e partimos pro Beirute Norte. A Flavinha e o Bacalhau foram no meu carro, daí resolvemos passar pela Catedral. Bacalhau   desceu do carro e foi rápido na frente, eu fiquei acompanhando a Flavinha, que tirava fotos do celular. A gente não deixou o cara nem três minutos e quando o alcançamos, ele já estava com três pessoas desconhecidas, tentando aprender assovios de passáros que um dos jovens tentava ensinar.

Depois desse rolezinho turístico, baixamos no bar. No meio da conversa, surgiu, não se sabe como, o nome de Sérgio “Ratão/ Debulha”. Bacalhau é grande fã das proezas desse sujeito, mas não o conhecia pessoalmente. Ele ouviu inúmeras vezes as hilária historias contadas por Gabriel e fez questão que eu ligasse pro cara às 01:30 pra que ele viesse nos encontrar. E o Ratão veio mesmo e foi tipo um encontro histórico, mas o bar já estava fechando. Então Ratão chamou todos para irem a seu bar, o Salada Cultural, que ele acabara de fechar, mas que ele reabriria só pra gente. Todo mundo pipocou, menos o Bacalhau, lógico! Fui também, pra garantir a integridade física do rapaz. O Salada Cultural é um lugar bacana, cheia de traquitanas em todos os lugares. Bacalhau bebeu mais dois litrões até que o fígado reclamou e pediu pra parar. Já a despedida entre Ratão e Bacalhau foi demorada, com calorosos abraços e elogios mútuos, como se fossem amigos a muito tempo, na verdade eram, só que não tinham se encontrado ainda.

Na volta, ouvimos o CD novo do CJ Ramone pela W3 Norte. Eram quase 04h, quando deixei o herói em seu hotel e ele, em estado etílico elevado, disse que ainda ia ligar pra esposa e me deu um abraço! Boa noite, Bacalhau! Durma bem! Você merece!

Todas as fotos por Amanda Goes.

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4 Respostas to “ESFOLANDO O BACALHAU”

  1. mioju said

    Salve Evandro! Velho, muito boa essa esfolada. Aliás isso aí é obra de cronista. Parabéns! Grande abraço.

  2. Amanda Goes said

    Foi muito legal essa noite! Muito bom participar dela e fazer parte do seu excelente texto! beijos

  3. esfolando said

    Valeu Mioju! Beijão Amanda, eu que agradeço!

  4. debulha said

    Evandro já conhecia o Bacalhau da época do Planet Hemp me4u velho

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