ESFOLANDO O AGNOSTIC FRONT E H2O NO RIO DE JANEIRO

outubro 9, 2012

Nada mal passar um FDS no Rio de Janeiro, ver shows do Agnostic Front e H2O, confraternizar com amigos quadrinistas e dar um “tibum” no mar.

Na sexta-feira (05/10), cheguei em RJ às 17h. Do Galeão até Ipanema no baú Frescão foram mais duas horas e mais uma andada de 20 minutos até a espelunca onde fiquei hospedado.  Depois de descansar um pouco, peguei o metrô até a Cinelândia e andei 10 minutos até chegar aos Arcos da Lapa.

Uma das razões para ver o Agnostic Front e H2O no Rio era entrar pela primeira vez no Circo Voador. Isso mesmo, primeira vez! Achei muito interessante a arquitetura do local, uma bolota bem planejada, com vários níveis de solo e uma arquibancada eficiente. Tive minhas dúvidas se o som ficaria bom, mas não tenho do que reclamar, exceto o “DJ” que só tocava “PearJama” o tempo todo.

Pensei que fosse dar mais gente, mas fiquei sabendo que a cena HC no Rio realmente não é grande e devia ter uns 500 pagantes. Lá trombei com dois grandes amigos de Brasília que moram em RJ, um deles não quer se identificar e o outro é o Renzo, ex- batera do DFC e que deve voltar em breve pro Gangrena Gasosa. Na banquinha do merch, não vi nenhuma camiseta dos gringos que eu achasse realmente legal pra comprar e nem CDs eles levaram pra vender.

Eu não estava botando muita fé na nova-iorquina H2O, não conhecia nada da banda por considera-la meio “pirulito”. A banda carrega essa pecha de ser um dos grandes expoentes do “hardcore melódico” e SXE, mas seu som está impregnado pelo autêntico NYHC. Posso dizer que fiquei impressionado com a energia do show, que durou cerca de 40 minutos. Muitos stage dives e fãs emocionados cantando as músicas em coro. Me arrisco a afirmar, que um bom pedaço do público foi ali para vê-los em primeiro lugar. Após a apresentação, membros da banda se revessaram na banquinha para cumprimentar os fãs, tirar fotos e aquecer as venda das t-shirts. Abaixo, o vídeo de ” Nothing to Prove”, um dos momentos mais marcantes da apresentação.

http://www.youtube.com/watch?v=kWQ9r9dRdyk&feature=plcp

Passava da 01:30 quando o Agnostic Front subiu no palco. Um dos maiores ícones da cena hardcore de Nova Iorque (e mundial) estava em tour sul-americana comemorando 30 anos de atividade. Roger Miret e Vinnie Stigma não deixaram dúvidas que ainda têm muita lenha pra queimar.

Como no show anterior, vários fãs subiram no palco, mais para atrapalhar do que para abrilhantar o espetáculo. Teve um sujeito que quase fez o Stigma cair de costas e por pouco não derrubou o cabeçote da guitar. (veja isso acontecer no vídeo abaixo, mais ou menos no 05:30).

http://www.youtube.com/watch?v=LxOn9DtAyeM&list=UU9XPW-BnSioRD8h8913tNlA&index=1&feature=plcp

Nos dois shows, comecei vendo das arquibancadas e depois desci pra beira do palco. Apesar de o pogo comer solto, estava tranquilo e não vi nem soube de nenhuma treta, sinal de que o clima era de positividade. O que é bom dura pouco e o Agnostic Front tocou por uma hora cravada e fechando com “Blitzkrieg Bop” do Ramones, sem direito a bis. (assista o vídeo abaixo).

http://www.youtube.com/watch?v=vjVsPbkFoLY&feature=plcp

Passava das 03h quando eu, o Renzo e o Oscar (batera do Calibre 12) saímos do Circo e andamos pela Lapa pra rachar um taxi. O local fervia de gente de todo o tipo, de todas as classes sociais, orientação sexual, etnias e idiomas, uma verdadeira Babel.

Acordei meio estragado no sábado, mesmo assim, fui conhecer e fuçar a bacana loja “Baratos da Ribeiro”, um sebo de livros, LPs e HQs. Troquei uma ideia com o Maurício, o dono da loja, a respeito da caótica situação cultural do Rio. Ele me comprou os três únicos exemplares do “Esfolando Ouvidos” que levei. Se você é do Rio e está procurando esse livro, é lá que você vai encontrar. Não estava fazendo sol, mas a tarde estava quente e abafada, fazendo as moças cariocas usarem shortinhos que beiram a indecência. Coisa linda! Até cogitei em pegar uma praia no fim da tarde, mas a preguiça e o cansaço falaram mais alto.

Mais tarde, fui na loja La Cucaracha, do amigo Matias Max, o Capitão Presença. Estava rolando o lançamento do livro de tirinhas “Vida Besta”, do Galvão. Eu não conhecia nem o cara nem seu trabalho, mas bastaram alguns minutos de conversa pra situação mudar. Lá também conheci o Ota, que é uma das sumidades do quadrinho nacional. Depois foi o Laffa, lenda do Bairro Glória se juntar a nós.

Ouvir o Ota contar as absurdas histórias do sósia brasileiro do Alfred E. Newman (símbolo da revista americana Mad, da qual Ota foi editor por muitos anos da versão brasileira) já valeu a viagem.  Depois, nós e mais uma cambada fomos para um bar ali perto. Dessa vez, Ota nos presenteou com histórias sobre Carlos Zéfiro, o misterioso autor de quadrinhos eróticos conhecidos pelos famosos “catecismos”, pequenas revistas publicadas e vendidas de forma clandestina nas décadas de 50 a 70.

A noite terminou cedo, porque Ota e Laffa tinham que pegar o metrô antes da meia-noite. Eu os acompanhei até a estação, que ficava perto do meu hotel. No caminho, vimos várias belezocas de perna de fora. Como fui dormir cedo, acordei cedo e fui pra praia, no caminho, muito lixo eleitoral. Quase desisti de dar um tibum no mar, porque a água estava gelada, mas pensei que eu ia ser muito prego de não dar um mergulhão e caí dentro.  Depois fui rapidão pro hotel e arrumei minhas paradas. Antes que a tarde terminasse, eu estava de volta a Brasília.

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