DEAD KENNEDYS no Festival Abril Pro Rock 2013. Mais uma página inédita da segunda temporada de ROCK vs. COMICS!

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… e exatamente um mês após o evento, venho postar a resenha do Festival Abril Pro Rock e o lançamento do ROCK vs. COMICS em Maceió.

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Pouco antes de mandar o ROCK vs. COMICS pra gráfica, bolei uma agenda de lançamentos que incluíam shows e festivais entre fevereiro e abril. Deu quase tudo certo, nesses dois meses, além de três lançamentos em Brasília, eu passei por Curitiba, São Paulo e terminei essa fase com uma mini tour por Recife e Maceió.

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Eu e a Karla partimos na sexta-feira, dia 19 de abril rumo a Recife. Depois de um descanso no hotel, nos fomos para o Chevrolet Hall às 17h. Tínhamos que chegar cedo pra arrumar um lugar para o estande onde venderíamos minhas muambas e o “merchanda” do DFC. Uma chuva sacana nos pegou quando estávamos chegando. Essa mesma chuva pegou parte do público desprevenido. Costuma vir sempre menos gente no primeiro dia do festival, que é dedicado a atrações “leves”. No auge do evento, cerca de 1/3 do local estava ocupado.

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Como eu estava na função, nem fiquei prestando atenção nos shows. O único que eu fui ver mais de perto foi a americana Television. Vi duas músicas e achei muito devagar. As vendas não foram muito boas, o que já era esperado pela quantidade e tipo de público. Voltamos de carona com os amigos Anderson Nakara e Gabbie.

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No sábado Anderson e Gabbie nos levaram pra almoçar e depois passeamos numa espécie de quebra-mar no bairro de Brasília Teimosa cheia de esculturas do ceramista Francisco Brennand. Às 18h, fomos pro hotel onde as bandas do evento ficam hospedadas e pegamos a van junto com o DFC. Já tinha gente esperando pra comprar a mercadoria da banda brasiliense. Em menos de duas horas vendemos tudo o que o Túlio tinha trazido (30 camisetas, 20 bonés e 20 garafas de pinga). O show deles foi considerado por muitos, o melhor do dia, talvez do festival inteiro. Já tinha visto mais de 100 shows deles nesses 20 anos de banda, nem dei bola, mas quando fui espiar um pouco do show, fiquei impressionado pelas grandes rodas de pogo e animação do público.

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Como tinha vendido tudo da banda e feito boas vendas dos meus livros e gibis, resolvi encerrar o expediente e apreciar o festival. Chegando a hora do Dead Kennedys tocar, fomos nos posicionando perto do palco. Eu tinha ressalvas, pois não sabíamos qual seria a reação do público. Senti um arrepio vendo os veteranos East Bay Ray, Klaus Flouride e DH Peligro subirem no palco. Logo depois entra o vocalista Skip, o substituto do insubstituível Jello Biafra. O DK é minha banda preferida, então a expectativa era enorme. Tem gente que diz que DK sem Jello não é DK. Preferi manter minha mente aberta e tirar minhas próprias conclusões. Skip é um cara esforçado, canta bem, tem boa performance e não tenta imitar o antigo vocalista. Logo na primeira música, vejo alguns cuspes acertando o alvo, mas ele nem se abala e mantém uma postura confiante. É foda ser julgado pelos fãs menos flexíveis, mas acho que ele se saiu bem. Percebi que a banda deu umas catadas, talvez falta de ensaio ou um pouco enferrujados. Não importa, gostei pra caralho!

Abaixo, o video de Holiday in Cambodia finalizando o show. No fim do video, vejo Skip saindo pela lateral, vou lá e falo com ele e dou um tapinha em seu ombro.

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No dia seguinte, eu e Karla pegamos um ônibus pra Maceió. Parece que trouxemos a chuva conosco. Quase não pegamos praia, mas foi bacana assim mesmo. Na terça-feira, fiz um lançamento do Rock vs. Comics no REX JAZZ BAR com a ajuda dos amigos Carlos PXT (Banda Varial), do Buzugo (Sirva-se) e da Renata Menezes. Apesar da chuva, apareceu uma galera simpática, atenciosa e interessada. Fiz boas vendas e boas amizades. Na quinta-feira, dia 25 voltamos pra Brasília.

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Próxima parada: show do Paul McCartney em Goiânia.

ESFOLANDO O NORDESTE

abril 27, 2013

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Já voltei da mini tour de lançamentos do ROCK vs. COMICS no nordeste. Uma semana intensa que começou em Recife durante os dois dias do Festival Abril Pro Rock onde finalmente pude ver um show do Dead Kennedys. Também vi a consagração do hardcore brasiliense nas mãos do DFC, quem estava lá sabe do quê estou falando. Depois parti pra Maceió, onde fiz um lançamento bacana, graças ao apoio firmeza do pessoal da Sirva-se Cultura Alternativa, Carlos Peixoto, Casa Do Yuri e mais um monte de gente legal que apareceu lá. Depois conto tudo como foi! Gracias!
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Hoje começa a mini-tour do ROCK vs. COMICS no nordeste. Nos dias 19 e 20 (sexta e sábado) estarei em Recife onde venderei minhas muambas no Festival Abril Pro Rock, no estande do DFC. No dia 23 (terça-feira), o lançamento é em Maceió.

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REDSON, O LUTO E A LUTA

setembro 30, 2011

 

Muitos ficaram tristes na terça-feira passada ao saberem da morte do cólerico pacifista Redson no dia 27 de setembro. Esse pioneiro do punk no Brasil automaticamente desfalca um time de poucas estrelas (mas de primeira grandeza) do cenário punk/HC nacional. Nossos principais representantes estão fazendo 30 anos de carreira e 50 anos de idade. E eu pergunto: quem serão seus sucessores?

 

Tenho certeza que muitos dos que gostam da banda passaram algum tempo ouvindo seus vinis, CDs e arquivos digitais nessa triste terça em reverência ao herói morto. Também tenho certeza que ao ouvirem as músicas e cantarem juntos as letras, muitos sentiram aquela sensação de revolta positiva de querer mudar as coisas. Isso ficava muito mais evidente ao vivo, dava pra sentir a reação de catarse no público.

 

Fiquei lembrando dos shows do Cólera que ví, das vezes que tive a oportunidade de trocar umas palavras e idéias com ele. Posso até tirar uma ondinha, eu e a Karla vimos o show deles no Abril Pro Rock de 2006 e dias depois, vimos Redson fazer um show tributo ao The Clash num boteco do Recife Antigo, coisa fina.

 

Fiquei pensando em homenagea-lo com um desenho pro Rock vc Comics e saiu essa parada tosca aí. Quase desisti de postar, mas ouvir Cólera sempre nos dá coragem e a intenção é que vale. Ele se foi, mas seu legado permanecerá, pois sua mensagem é atemporal, universal e espero que guie as próximas gerações.

 

Quando o show do D.R.I. em Brasília foi cancelado, fiquei ligado pra saber onde a banda iria tocar em outros picos. Uma das opções era Recife e depois que anunciaram que o Misfists também iria tocar no Abril Pro Rock desse ano, não tive mais dúvidas e comprei as passagens. Primeiro desembarquei em Maceió para três dias de luxo, luxuria e alta gastronomia.

Na véspera do evento, pego um ônibus para Recife às 16h, daí tudo muda drasticamente. Foram 265 km feitos em cinco longas horas, depois mais uma hora de metrô e uma meia hora de táxi debaixo de chuva até achar o mocó que tinha reservado em Olinda. A área é meio sinistrona e único lugar aberto nos arredores era um boteco safadão, sem nenhum cliente além de cães vadios (mal sinal). Desconfiadíssimo, pedi um frango à Parmegiana. Dez minutos depois, me servem uma bacia de macarronada com o frango por cima. Até que não estava ruim, mas achei exagerada a quantidade de macarrão e pensei: eu não vou conseguir comer nem metade desse espaguete, será que eles vão jogar fora? Duvido! Em quantas mesas aquele macarrão já teria passado? Foi aí que eu parei de comer, pedi a conta e rezei contra a salmonela. A chuva volta com força, tirando qualquer possibilidade de dar um rolê pelo Recife antigo. Assisto aos programas “Ídolo” e Amaury Jr. numa cama dura. Nessas horas é que me pergunto se vale a pena fazer essas coisas pelo rock.

Nada como um dia atrás do outro, amanhece um dia de sol e céu limpo. A paisagem também fica bem mais simpática e amistosa. Antes das 11h da sexta-feira, já estou batendo perna pelas ruas e ladeiras do sítio histórico de Olinda. Eu já conhecia a cidade, quando estive no APR de 2006 e apreciei suas peculiares casas, que são coladas umas nas outras e com suas fachadas cheias de cores. Como eu estava com uma caneta boa, resolvi me sentar no meio fio e desenhar na parte de trás dos marcadores de livro do “Grosseria Refinada”. O resultado sem retoques está aí.

Como paguei uma graninha extra, pude ficar descansando até às 18h na pousada. Metade da minha mochila era roupa suja, a outra era do camelô. Trouxe pouca coisa pra bagagem não pesar muito. Fiz besteira, devia ter trazido mais coisas, pois as vendas começaram ainda no lado de fora do “Xevrolê Ral”. O pessoal que veio em duas vans de Maceió comprou quase todos os meus “Esfolando Ouvidos”. Como a produção do festival recusou via email o meu pedido de credenciamento (esse blog é muito desmoralizado mesmo), também me recusei a pagar o ingresso e consegui dar o “Jump” de maneira ardilosa, só não vou contar como foi, porque pretendo usar esse truque outras vezes.

Me instalei na tenda onde o D.R.I., Misfits e o Facada estavam vendendo as muambas. O movimento era frenético, nego fazia fila pra perguntar e comprar. Reparei que Mike, o roadie do D.R.I. que estava vendendo as coisas da banda não estava muito bem. Numa hora o cara sumiu e tinha uns caras querendo (e talvez conseguindo) roubar as paradas. Daí o pessoal da tenda ficou mais esperto. Algum tempo depois aparece o Kurt, vocal do D.R.I. perguntando onde estava o roadie. Disse que ele tinha sumido e o cara fica puto. Ele coloca os quatro títulos dos CDs da banda na mesinha e eu o ajudo a vender as camisetas. Toda hora aparecia nego querendo tirar foto com ele, só que ele não estava muito afim de conversa, só queria vender as paradas. Numa dessas, ele foi tirar uma foto e roubaram um CD, ele ficou mais puto ainda. Sem falar nada, peguei um rolo de fita adesiva transparente e fui colando os CDs na mesa, ele gostou da idéia. Mike resolve aparecer segurando um algodão no pulso e com a camiseta suja de sangue. Ele se explica pro Kurt, que sai fora em seguida. Mike nos conta que procurou atendimento médico e pelo que entendi, tomou três bolsas de soro, pois estava desidratado. Em pouco tempo, consegui vender todo o meu bagulho e fico com raiva de mim mesmo por ter trazido pouca mercadoria. O Livrão de HQs do Quebraqueixo fez mó sucesso. Quem vendeu muito também foi o Violator, mostrando que tem muitos fãs no nordeste. Chegaram ao ponto de travar o merchandise, pra ter o que vender no show do dia seguinte em BH. “Viola” com moral!

Quando anunciaram o show do D.R.I., guardei minhas coisas e fui ver. Rodas gigantes de pogo se formavam a cada música, mostrando que esse talvez fosse o show mais aguardado da noite. Na última música, o baixista desceu do palco e deu uma volta grandona em torno da platéia tocando seu instrumento.

O show do Misfits foi muito melhor do que eu esperava, principalmente porque muito do público foi embora e eu pude vê-los mais de perto. Mas o trio formado por Jerry Only (único da formação original) e os ex-Black Flag Dez Cadena e Robo ainda tinham muitos fãs no local, que cantavam as músicas em coro. Apesar de muita gente torcer a cara para os vocais do Jerry Only, acho que ele canta pra caralho (ele é meio Elvis) e faz isso mascando chiclete. Uma coisa que admiro em Jerry Only é que ele é o rei do merchandise e faz da “marca” Misfits, uma das mais rentáveis no mundo do rock. Esse show foi bom pra desentalar a raiva que eu tinha por ter chegado atrasado no Festival Maquinaria (2008) e ter perdido a apresentação deles. No fim da última música, Jerry arranca as cordas de seu baixo exclusivo, dando a entender de que o espetáculo terminaria ali.

Volto pro estande de vendas e reencontro Kurt. Compro o CD “Live at CBGB’S 1984”, que custava R$40,00 , mas que ele deixou por R$20,00 e ainda autografou. Também ganhei um adesivo grandão, que o Mike jogou na minha sem o Kurt ver. Pra fechar as compras, adquiri um pôster do Misfits já autografados pelos três. Mala que sou, pego carona na van do pessoal de Maceió, fiz o longo caminho até o aeroporto em pé, já que a van estava lotada. Foram uns 25 minutos fazendo “windsurf”, isso porque o motora pisou fundo e não tinha trânsito, eu provavelmente pagaria uns R$40,00 de táxi. Seis e pouco da manhã, embarco de volta pra Brasília todo zoado, mas com o sorriso de orelha a orelha.