Eu na Bienal do Livro de 2008

Eu na Bienal do Livro de 2008

          Eu tinha três bons motivos pra ir à Bienal do Livro deste ano. Primeiro que eu nunca tinha ido nas edições anteriores, segundo que seria bom divulgar meus livros num evento desse porte e terceiro que eu poderia encontrar alguns artistas que muito admiro.

          Cheguei no Sábado dia 16. Utilizei o transporte gratuito que sai da estação do metrô Tietê até o parque do Anhembi. Descolei uma credencial de autor, o que me permitiu livre acesso nos três dias em que visitei a Bienal. O lugar é gigantesco, 70 mil m² com 350 estandes de livrarias e editoras.

           Um dos locais mais movimentados era o estande da Panini, que trouxe da gringa uma estátua do Hulk de 2 metros e meio para enfeitar o ambiente. Todo mundo tirava foto. Num dos cantos vejo um cara desenhando. Descubro que é Luck Ross, mais um talentoso artista gráfico brasileiro contratado pela Marvel Comics. Enquanto ele desenhava, ficamos conversando. O cara é gente fina e no final, me fez um desenho do Capitão América, que logo estará pendurado em minha parede.

Hulk fazendo pose

Hulk fazendo pose

Este primeiro dia foi mais pra fazer um reconhecimento da área, tirar umas fotos e olhar as novidades. A grande maioria dos estandes estava vazia e a cara dos vendedores não aparentava otimismo. Muitos se arriscavam a abordar os visitantes no meio dos corredores, espantando de vez o possível cliente.

           No Domingo de manhã, garanti uma das 100 senhas que davam direito ao autógrafo do Maurício de Souza e que se esgotaram em menos de uma hora. Parti para o estande da Editora Globo onde o Mestre Ziraldo que fez uma sessão de autógrafos. Ele chegou desacompanhado, sorridente e usando um dos seus coletes coloridos. Fiquei logo no começo da fila e ele me recebeu muito bem, tiramos fotos e ele fez dedicatórias para mim e pra minha namorada Karla que dessa vez não veio comigo pra SP.

          Nesse Domingo a Bienal bombou, realmente estava cheia. Fiquei enrolando até às 15h, quando entrei na fila do estande da Melhoramentos para uma nova sessão de autógrafos com o Ziraldo. Na fila, fiquei conversando com o pai de uma menina. Eu disse que era escritor e o convenci a comprar um Grosseria Refinada. Caralho! Pelo menos vendi um livro na Bienal. Eram 17h quando consegui mais um autógrafo e mais fotos com o Ziraldo.

          A fila para os autógrafos do Maurício de Souza que já estava grande e muitas pessoas reclamavam por não terem a senha. Começa um rebuliço perto do estande, é o criador da Turma da Mônica chegando. Cercado de seguranças, ele parecia um rock star. Crianças e mamães gritando e fotografando. Logo a fila começou a andar. Na minha vez, ele autografou uma revista para mim e outra pra Karla e tiramos fotos. Fui entrevistado por uma TV institucional. Disse que era uma honra poder reverenciar aquele que é um dos mais importantes ícones dos quadrinhos nacionais.

Mauricio de Souza e a Nova Turma

Maurício de Souza e a Nova Turma

           Segunda-feira é o meu day off. Durmo até tarde, vejo pela TV o Brasil se fuder nas olimpíadas. Depois passeio pelas lojas da Rua Augusta e da Oscar Freire e almoço no Vegacy, um ótimo restaurante de comida vegana. À noite vou até a livraria HQMIX e fico umas 3 horas conversando com o Gualberto Costa.

          Na Terça-feira, chego às 15h pro meu último dia de Bienal. Vejo o menor e o maior livro do mundo. Pego um lugar no pequeno auditório do SESC-SP onde Lourenço Mutarelli fará uma palestra sobre seu novo livro. Ele estava de bom humor, e acabou falando mais sobre quadrinhos e cinema do que de literatura. Toda essa conversa foi filmada para o programa “Sempre um Papo”. Como eu fiz uma das perguntas, possivelmente aparecerei na TV em breve. No final, teve uma rápida sessão de autógrafos. Dou um Grosseria Refinada para ele. Conversamos rapidamente, Mutatrelli diz que se lembrava de mim, também essa é a quarta vez que eu o perturbo.

Mutarelli e o perturbador

Mutarelli e o perturbador

          Por sorte, consegui mais um autógrafo do Maurício de Souza, que chegou ao estande da Panini sozinho e sem alarde. Também trombo o Tor, vocalista do Zumbis do Espaço e pouco antes de ir embora, tenho um rápido encontro com Jô Oliveira, grande ilustrador e quadrinista radicado em Brasília.

           Posso concluir que valeu a experiência. Apesar de ser muito bem organizada e bem estruturada, a impressão que ficou é que a Bienal é um evento careta e conservador. Feito por velhos e para os velhos. Como ponto positivo, destaco os espaços e atividades para as crianças que vinham nas caravanas das escolas. De ponto negativo, senti a falta de juventude, de música e de alegria. Um grande supermercado desanimado. Se pretendo voltar? Em 2010 eu respondo.