ESFOLANDO O 8° FIQ – BH

novembro 16, 2013

outdoor fiq

Eu quase não fui pro FIQ desse ano. Gastei uma pequena fortuna viajando pra ver shows e fazer lançamentos do ROCK vs. COMICS em outras cidades, inclusive recentemente fui à Belo Horizonte ver o Black Sabbath.E quanto mais eu enrolava na minha decisão, mais caro ficavam as passagens. Daí, comecei a fazer cálculos e na minha logística tosca, consegui chegar a um resultado satisfatório: meu FIQ seria pela metade. E metade será sempre melhor que nada!

lelis

Cheguei em BH na quarta-feira 13/11, primeiro dia do 8º Festival Internacional de Quadrinhos. Quando entrei na Serraria Souza Pinto, local do evento, a primeira pessoa que eu cumprimento é o Marcatti. Ele nem me conhecia, mas apertou minha mão com um sorriso e um ponto de interrogação na testa: quem é esse cara? Nós nunca nos vimos pessoalmente, mas sou fã do trabalho dele ha muitos anos. Mais tarde, dei um ROCK vs. COMICS pra ele e conversamos sobre muitas coisas, inclusive sobre o Ratos de Porão. Gente fina demais.

marcatti

Quando cheguei no stand dos Dependente, reencontro os Sambas LTG, Goes e Mesquita; os Beleléus El Cerdo e Stevz e o Prego Alex. Essa é nossa terceira participação consecutiva no FIQ. O stand estava cheio de novidades, inclusive o ROCK vs. COMICS estava ali, agregando valor ao camelote.

dependentes

Logo começo a trombar com os amigos quadrinistas de outras cidades e países. E a todo o momento você conhece gente nova e quadrinhos novos. Aquele monte de informação vai acumulando e é que aí você percebe a importância do FIQ para o seu crescimento pessoal como artista e apreciador de HQs.

icones

Fico sempre curioso para conferir as exposições. Tinham três: uma com trabalhos originais do Lelis e outra intitulada “Ícones do Quadrinhos”, onde vários artistas desenharam personagens clássicos das HQs. Brasília foi representada pelo Gabriel Goes com o Brucutu.

brucutu goes

A expo principal foi sobre a obra de Laerte, o homenageado dessa edição e que foi montada por seu filho, Rafael Coutinho. Ficou muito interessante, pois fugiu da mostra de originais e retrospectiva da vida do artista. A exposição é muito interativa e colorida. Um dos pontos altos era a animação do navio dos Piratas do Tietê que era projetada à noite na fachada da Serraria (assista o vídeo).

piratas2

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rafael coutinho

Ás 22h fechamos o stand e fomos comer e beber com outros quadrinistas num boteco do Edifício Maleta. O Cruzeiro tinha se sagrado campeão e a algazarra dos torcedores era enorme. Muito barulho, gritos, buzinaço e gente bêbada madrugada adentro. No outro dia continuou a comemoração, que parou o trânsito com a passagem dos jogadores desfilando em carro de bombeiro pela Av. Afonso Pena. Por causa disso, tive que ir à pé pro evento. No caminho, passei pela expo do Escher no Parque Municipal, mas não entrei porque estava cheio e eu tinha pressa.

escher

O segundo dia não foi muito diferente do primeiro, só que o movimento e o calor estavam maior. Peguei um autógrafo e um sketch do Peter Kuper e lhe dei um ROCK vs. COMICS, onde mostrei o desenho que fiz do Spy vs. Spy. A noite também terminou no Maleta.

kuper e eu

Apesar de ter dormido pouco, acordei cedo na sexta-feira pra aproveitar meu último dia em BH. Fiz as últimas compras, inclusive o toy do Capitão dos Piratas do Tietê, que agora enfeita minha prateleira. Fiz várias trocas de gibis e contatos. Perto das 16h, peguei minhas coisas e fui me despedindo dos amigos. Dei sorte de no finalzinho, encontrar com o Laerte, que finalmente apareceu no evento e pude dar um pra ele ROCK vs. COMICS. Missão comprida.

laerte rvsc

Pra finalizar, eu estou parado na calçada, fora da Serraria, esperando um taxi pra ir embora e pára uma van na minha gente. A porta abre, sai uma moça da produção do FIQ e quando eu olho, dentro do veículo está Maurício de Sousa. A moça volta, entra na van e fecha a porta e eles partem.
Até rolou um arrependimento de não ter ficado mais um pouco, mas eu já estava conformado quando cheguei em casa. Provavelmente teria me arrependido mais se não tivesse ido. E como escrevi no começo, um FIQ pela metade é melhor que FIQ nenhum!

prateleira

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ROCK vs. COMICS NO FIQ 2013

novembro 12, 2013

Amanhã começa o Festival Internacional de Quadrinhos em BH! Eu e o ROCK vs. COMICS estaremos lá. Procure no estande dos Quadrinhos Dependentes!
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Amiguinhos, tô indo pra Belo Horizonte pra participar do FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos). Nessa quinta-feira (10/11), o Quebraqueixo faz lançamento do Livro HQ/CD ao lado de Bill Sienkiewicz das 15h às 17h e mais a noite, fazemos show no bar Nelson Bordello.

Confiram a programação do FIQ no http://fiqbh.com.br/ e a programação paralela do tradicional “Baile dos Quadrinhos Dependentes” no flyer feito por Gabriel Mesquita. Adios!

 

FIQ 2009 (FINAL, AFINAL!)

outubro 19, 2009

Prédios de Beagá.

Prédios de Beagá.


Não é cosplay! Índios paraguayos fantasiados de índios americanos, fazendo playback no centro da capital mineira.

Não é cosplay! Índios paraguayos fantasiados de índios americanos, fazendo playback no centro da capital mineira.

A memória já está falhando e eu já não agüento mais forçar meus neurônios cansados. Nessa reta final, vamos no ritmo de aventura. Lógico que rolou a ladainha de autógrafos e divulgar o gibi do QQ. E já que é o último post do FIC 2009, vou caprichar nas fotos das exposições e outras coisas que ficaram de fora.

Salão que abrigou mostras de artistas internacionais.

Salão que abrigou mostras de artistas internacionais.


Artista chinês.

Artista chinês.


Na esquerda, desenho original de Ben Templesmith e na direita, o desnho depois de receber cor e tratamento digital

Na esquerda, desenho original de Ben Templesmith e na direita, o desnho depois de receber cor e tratamento digital

Sábado: O fim-de-semana bombou forte no FIC, tava difícil transitar no meio de tanta gente. Impossível entrar no teatro e assistir algum bate-papo. A maior e mais demorada fila de todo o FIC foi a do Craig Thompson, mais de uma hora em pé. Valeu a pena. A demora se justifica pelo fato dele cumprimentar a pessoa, fazer um desenho caprichado no livro e depois se levanta para tirar fotos. Eu era um dos últimos da fila e na minha vez perguntei se ele estava cansado. Me respondeu que os olhos doíam, mas manteve o sorriso sincero até o último contemplado.

Craig Thompson se emociona com o gibi do QQ.

Craig Thompson se emociona com o gibi do QQ.


Um dos originais de "Retalhos". E fica a pergunta: Porque ele não fodeu a mina?

Um dos originais de "Retalhos". E fica a pergunta: Porque ele não fodeu a mina?

Finalmente começaram a aparecer alguns cosplays (marmanjos fantasiados de personagens de filmes, games e HQs), pois antes, só o Elfo marcava presença. E não é que apareceu o Homem Galinha, exímio campeão de luta livre de Vitória e agenciado por Dom King e pela revista Quase. Sua performance foi tão estarrecedora que eu não tive forças para registrar em foto esse lindo momento. El Cerdo está com dor de garganta de tanto gritar “Beleléu”. Pra não deixar barato, o estande dependentes (des)organizou uma intervenção político-musical e passeou pelas tendas causando tumulto. Assista ao vídeo. À noite comemos pizza e terminamos a noite na casa noturna Matriz.

Qual dos dois é o Elfo?

Qual dos dois é o Elfo?


Banana de um metro e meio, coisa dos franceses.

Banana de um metro e meio, coisa dos franceses.


Estatua do coringa em tamanho natural.

Estatua do coringa em tamanho natural.


Pebolim (ou totó) gigante com cartuns sobre futebol.

Pebolim (ou totó) gigante com cartuns sobre futebol.

Domingo: ao meio dia, vazo do Guanabara Hotel sentindo saudade do conforto e bons serviços de minha hospedagem. Levo as tralhas pro estande e faço minhas últimas compras de HQs e produtos do Supermercado Ferraille (me arrependi de não ter comprado mais). Os franceses também estão indo embora e passam no estande para se despedirem. Assinam latas, fazem sketches e tiram fotos. Em entrevista para o site da Revista Zé Pereira, Felder disse estar interessado em publicar a Beleléu, Samba e Quebraqueixo na Françader disse estar interessado em publicar pela sua editoraorto e bons serviços de minha hospedagem.. Será verdade?

Felder, o french guy se despede dos dependentes.

Felder, o french guy se despede dos dependentes.


Exposição Batman 70 anos.

Exposição Batman 70 anos.


Selo de ouro do Homem Morcego.

Selo de ouro do Homem Morcego.


A italiana Becky Cloonan e o grego Vasilis Lolos também são agraciados com exemplares dessa magnífica obra.

A italiana Becky Cloonan e o grego Vasilis Lolos também são agraciados com exemplares dessa magnífica obra.

E vai chegando o fim de mais uma saga de Esfolando. Faço troca de revistas com os dependentes e volto sem nenhum gibi do Quebraqueixo pra casa. Matias Maxx, que não me apresentou nenhum béqui, me presenteou com mais uma dose de oxido nitroso nos instantes finais. Me despeço de todos e já começo a contagem regressiva para o FIC 2011.

Meu último dia no estande dependentes.

Meu último dia no estande dependentes.

Nota importante: amanhã (17/10/09) é o lançamento do gibi do Quebraqueixo na Kingdom Comics (Conic). Shows com Quebraqueixo, Gonorants, Nonato Dente de Ouro, Lívia Cruz e OS~ (banda nova do Canisso). A parada começa às 16h e é gratuito, mas levem 5 contos pro gibi! Estou realmente sem tempo pra ficar de molecagem com esse blog, então vou correr com os fatos e despejar dois dias de uma vez.

 

A mistura arquitetônica de BH.

A mistura arquitetônica de BH.

Quinta-feira (08/10): Choveu forte a madrugada inteira. Dispensei o moquifo e fui pro formule 1. Os caras do Quebraqueixo chegaram (irritados) e me hospedarei com eles pra ficar mais perto do lugar do show. É, hoje tem show! Vou pro FIQ depois do rango. A situação está caótica, a chuva molhou alguns estandes, causado muitos prejus. Nossos vizinhos do “Quarto Mundo” tiveram muitos gibis estragados e se mudaram para longe dos inconvenientes farofeiros. Já os dependentes não sofreram avarias e com a mudança do estande ao lado, ganhamos um jardim de inverno e área de recreação. Já falei que, desde o primeiro dia até o último, Tiago El Cerdo ficava gritando “Beleléu” a cada 30 segundos e que isso me causa pesadelos até hoje?

Assisti uma mesa sobre “Mercado Editorial” com a francesa Gisele de Haan, Sílvio Alexandre e a americana Sierra Hahn (mulher de Craig Thompson e editora da Dark Horse). Outro bom bate-papo foi com o australiano Ben Templesmith. O bem humorado autor de “30 dias de noite” disse que achou uma merda a adaptação de sua HQ para o cinema.

convidei o vampiro Ben Templesmith pra festa, mas ele preferiu beber sangue em outro lugar.

convidei o vampiro Ben Templesmith pra festa, mas ele preferiu beber sangue em outro lugar.

Saímos do FIQ às 22h rumo ao bar “A Obra”, para a festa das revistas do estande dependentes. Os caras do QQ já tinham passado o som e o humor das criaturas estava ligeiramente melhor. O lugar é um subsolo de tamanho médio, com um palco pequeno e baixo. Olhei pro equipamento e não botei muita fé, mas é aquele velho ditado “tá na bosta, nade de costa!”. O movimento também estava fraco, então se for uma merda, ninguém vai ver mesmo. Nunca estive tão enganado em minha vida. O bagulho começou a encher e quando o Grupo Porco começou a agredir os ouvidos dos desavisados, a parada já estava cheia e o som estava legal. O Grupo Porco de Grindcore Interpretativo é formado por bateria programada, Porquinho (conhecido pelo trabalho no maldito UDR) tocando guitarra, Batista (que está em todas) no baixo e Leo Pyrata nos gritos. O som é barulhento, mal-educado e divertido. Na seqüência vem o excêntrico Stêvz (que chegou de manhã do Rio) com sua monoband Jerônimo Johnson. Ele toca viola, bumbo, pandeiro, canta e inferniza com o seu kazoo. Agradou geral.

Depois do jotacuestí e do iskânqui, o Grupo porco é a minha banda prefereida de BH.

Depois do jotacuestí e do iskânqui, o Grupo porco é a minha banda prefereida de BH.


Stêvz encarnando a entidade Jerônimo Johnson.

Stêvz encarnando a entidade Jerônimo Johnson.

Chegou a hora do Quebraqueixo mostrar a que veio. Nem sei o que dizer, pra mim foi o nosso melhor show de todos os tempos. As gatas dançavam, os rapazes pogavam e os bêbados bebiam. Além dos “dependentes”, boa parte da platéia era formada por uma galera que faz quadrinhos de vários cantos do país e do mundo. Posso afirmar que a boa impressão deixada pelo Quebraqueixo teve efeito global. Só pra tirar onda, estavam presentes o Adão, o argentino Liniers, os franceses (sempre eles) Felder e Cizo. Chique né?

Toda a elegância e sofisticação do Quebraqueixo. Foto da Amanda.

Toda a elegância e sofisticação do Quebraqueixo. Foto da Amanda.


Os caras da dependentes, Raphael Mad, Banca de Quadrinos e gente jovem dançando descontraídamente ao som contagiante do QQ. Foto da Amanda

Os caras da dependentes, Raphael Mad, Banca de Quadrinos e gente jovem dançando descontraídamente ao som contagiante do QQ. Foto da Amanda

A noite fechou com o ska istáile do Pequena Morte. Durante a festa, várias revistas dependentes foram distribuídas para o público. Passava das 4h, quando todo mundo já estava do lado de fora do bar, eis que surge Matias Maxx. Sim! Ele mesmo! O Capitão Presença chegando três dias atrasado.

Sexta-feira (09/10): Dormi feliz até às 11h. A crew do Quebraqueixo se dissolve. Herman pega um avião logo cedo. Berma e Paulinho voltarão de baú mais tarde. Nós três pegamos um táxi até o Guanabara Hotel, onde deixamos nossas tralhas em minha suntuosa suíte. Comemos um prato de peão no restaurante comunitário do SESC (R$6,00 à vontade) e fomos pro FIQ. Dou as dicas das exposições e mostras para os dois se entreterem até a hora de irem para a rodoviária. Com a chegada de Matias Maxx, o estande recebe vários produtos interessantes, como livros gringos, Toys Art, a Tarja Preta nova e o incrível oxido nitroso. Por ser conhecido como “O Presença”, ele me apresenta essa nova tecnologia em drogas lícitas. Assista ao vídeo torto da minha segunda experiência com o produto!

O ponto alto da Programação do FIQ foi o bate-papo com o Adão no cinema do Palácio das Artes, após a exibição da série de TV “Aline”. Ele diz que assistiu o piloto da série algumas vezes e tem hora que ele gosta e outras que ele odeia. Diz que foi uma chatice até assinar o contrato e que depois se arrependeu, mas que no geral ficou satisfeito. Trombei com ele antes disso e o agradeci por ter ido à festa. Ele assinou um pocket da Aline pra mim e ganhou um gibi do QQ.

Adão e seu sobrenome difícies de falar e escrever.

Adão e seu sobrenome difícies de falar e escrever.

A dica para depois do FIQ é da Luciana. A garota esperta nos leva a pé para uma batalha de MCs embaixo de um viaduto, perto da estação de trem. Ele disse que a cena Hip Hop de BH é super organizada e que esse evento ocorre toda sexta-feira. Um bom público prestigia a guerra de esculacho promovido pelos MCs.

MCs trocam insultos em troca de aplausos.

MCs trocam insultos em troca de aplausos.

Fui com uma outra galera até o Lapa Multishow onde rolaria a festa de uma revista. Andamos pra caralho até o local, que estava vazio. Descobrimos um boteco lá perto e ficamos um tempo lá. Na mesa estavam os Beleléus El Cerdo, Stêvz, Arruda e Lafa, Guilherme (irmão do Góes), Lobo (editor e roteirista de HQ), Salvador, Eduardo Felipe (quadrinista), dois caras gente fina que não lembro o nome e a Alzira, única mina da mesa. Fomos atendidos pelo simpático Sardinha. Quando voltamos pra festa, metade da galera ficou na dúvida se ia entrar ou não. Eu ia sair fora quando o Bart apareceu na portaria e me deixou entrar de graça. Alguns entraram, outros vazaram. Ponto pra quem foi embora, pois achei a festa bem palha. O lugar é gigante e aparentava ser sofisticado. Bart me pergunta se eu lembrava do lugar. Respondi que nunca estivera ali. Fiquei chocado quando ele me disse que eu já tinha tocado lá com o Macakongs 2099 alguns anos atrás. Mundo pequeno. Agüentei um tempo, mas quando o DJ tocou Chico Buarque (???), percebi que era deixa pra eu cascar fora. 

 

Prédio antigo em frente ao evento de hip hop.

Prédio antigo em frente ao evento de hip hop.

FIQ 2009 (PARTE DOIS)

outubro 15, 2009

Todos os sabores e odores do Mercado Municipal

Todos os sabores e odores do Mercado Municipal

No segundo dia, renovei minha diária no Guanabara Palace Hotel e saí na procura de algo decente para almoçar. As redondezas não facilitaram minha busca, mas não desanimei. E andando a esmo, me deparo com o Mercado Municipal da cidade. Antes de entrar, minhas narinas são agredidas por uma infinidade de odores quase nunca agradáveis. Imaginem a mistura do cheiro de vários passarinhos na gaiola com seus jornais imundos, queijos, carnes cruas, ração para animais e feijão tropeiro. Mais ou menos isso. Depois de um rolê gigante no Mercado, consigo um café expresso e um lugar bacana pra comer.

Posso dizer que conheci um argentino gente fina!

Posso dizer que conheci um argentino gente fina!

Apesar da tarde quente, o céu de BH não está muito amistoso. Caminho até o FIQ recebendo os primeiros pingos de chuva e que logo se tornariam uma tempestade. Na porta do Palácio das artes, vários ônibus escolares estão estacionados e umas 500 crianças estão indo ver Maurício de Sousa no grande teatro. O movimento do segundo dia ainda é fraco, mas a tendência é ir melhorando. Liniers está assinando Macanudo 2, quando entrego meu exemplar, ele diz meu nome antes de mim. Me sinto prestigiado. O Góes me avisa sobre a senha para autógrafos do Maurício de Sousa, corro e consigo uma das últimas. Já passei por isso na Bienal do livro de São Paulo ano passado. Eu e Góes ficamos quase no fim da fila conversando, trocando murros e ofensas e também planejando novas publicações. Ele pipocou em entregar um Kowalski para o MS, já que a revista contém sátiras da Turma da Mônica usando drogas pesadas e praticando mecrozoofilia (não sei se existe essa palavra). A fila é lenta, pois MS conversa com todos e ouve aquelas mesmas histórias de que a pessoa quando era criança adorava os gibis e etc. Alguns mostram portifólios na tentativa de arrumar um emprego, o que deixa puto quem ta lá atrás. Na nossa vez, Gabriel vai na frente e entrega uma Samba, MS olha e parece gostar. Depois sou eu que entrego o Gibi do QQ e recebo elogios da publicação. Saio de lá com um desenho do Penadinho.

Ah, se o MS tivesse visto a Kowalski...

Ah, se o MS tivesse visto a Kowalski...

Essa, o MS vai ler no banheiro.

Essa, o MS vai ler no banheiro.

Lembra da chuva que eu falei no começo? Foi ficando mais intensa e alagou a cidade toda. Em certos pontos de BH ficou sem luz e árvores caíram sobre carros. No FIQ, todo mundo que vendia e comprava papel estava temeroso.

Assisto a mesa “Quadrinhos Alemães” com Reinhard kleist e Jens Harder. Esses alemães são muito escrotos. Os caras mostravam imagens no data show que eu fiquei de cara. Eles falaram que a cena e mercado de quadrinhos na Alemanha é pequeno e que seus trabalhos são publicados primeiro na França. Kleist publicará a biografia em quadrinhos de Johnny Cash no Brasil em breve. Já Harder prepara um livro de 700 páginas sobre a evolução do mundo.

Kleit, um tradutor bonachão e Harder

Kleit, um tradutor bonachão e Harder

Quem dá as caras por lá é Márcio JR e sua esposa. Ele traz os dois primeiros lançamentos da Monstro Comics, um é a Macaco e a outra é a micro graphic novel “A vida é mesmo uma maravilha”. Outro que aparece é Gualberto Costa e a esposa Daniela, que estão felizes em abrir a primeira filial da HQMIX na Rua Augusta.

A segunda mesa foi um bate-papo com Renato Canini, veterano cartunista que é o homenageado desse FIQ. Canini é mais conhecido por ter trabalhado como desenhista do Zé Carioca para a Disney. Duas curiosidades: ele desenhava as histórias ambientadas no Rio de Janeiro sem nunca ter conhecido a cidade e como não podia assinar os desenhos, sempre escrevia seu nome em uma lata, placa ou saco de arroz como se fosse uma marca. Tem também o personagem Kactos Kid que é igualzinho ao Canisso (veja a foto). A exposição de suas obras na parte externa do Palácio é bem bacana.

Canini visitando a exposição em sua homenagem.

Canini visitando a exposição em sua homenagem.

O malandro Zé Carioca está presente.

O malandro Zé Carioca está presente.

Parece com alguém que eu conheço!

Parece com alguém que eu conheço!

Vê se não parece o Canisso!

Vê se não parece o Canisso!

E você acha que eu ia perder essa oportunidade?

E você acha que eu ia perder essa oportunidade?

Na saída, a chuva está fina, mas insistente. Colo com os caras do estande e seguimos o anfitrião Batista, que nos leva para um boteco no Edifício Maletta. Todos já chegaram meio bebuns, pois levaram um isopor grandão pro estande e toda hora iam ao mercado comprar dúzias de cervas. Quem nos acompanha é Felder que, além de cervejas, tomou altas cachaças. Apesar de não beber e ficar só no suco de laranja, eu me senti meio alcoolizado só de estar no ambiente com esses tipinhos. Lá pelas duas da manhã, certo estrangeiro questiona sobre a possibilidade de se comprar certa substância química. Na porta do bar, um punk com um alfinete de fralda atravessado na bochecha, está ali para atender esse tipo de pedido. O punk saiu com R$20,00 enquanto os artistas pediam a última rodada e a conta. Aos poucos, os clientes foram indo embora. Para a nossa surpresa, o punk não fugiu com a grana e chegou com a encomenda. Fui convocado para participar da comitiva que daria fim no flagrante, mas declinei do convite. Peguei um TX direto pro meia estrela.

Só doido na mesa.

Só doido na mesa.

FIQ 2009 (PARTE UM)

outubro 14, 2009

FIQ BH 2009 313

Ir ao FIQ 2009 não foi uma decisão repentina, eu já estava articulando essa idéia há algum tempo. A tramóia era conseguir uma data para o Quebraqueixo tocar em BH num dos dias do Festival. Comecei essas negociações em maio desse ano durante o Festival Bananada em Goiânia com os caras de BH do Grupo Porco de Grindcore Interpretativo. Esse diálogo se estendeu por e-mail até descolar essa data no “A Obra” graças ao empenho do Batista e do Porquinho. Daí veio a idéia de, além dos shows, fazer a festa das revistas que estavam sendo lançadas no FIQ e que faziam parte do estande “Quadrinhos Dependentes”. Começou uma lista de discussão na internet com o pessoal das revistas Quase (ES), Prego (ES), Tarja Preta (RJ) e Samba (DF). Já no final, apareceu a revista Macaco (GO) que é da Monstro, representado pelo Márcio JR.

Tenda dos estandes ainda com pouco movimento

Tenda dos estandes ainda com pouco movimento

Eu nem tinha a intenção de lançar o gibi do Quebraqueixo esse ano, mas eu como eu já tinha um material pronto, me pareceu o timing perfeito. Herman, baixista do QQ virou meu sócio nessa empreitada e deu tempo da revista ficar pronta a tempo.

Voei pra BH no dia 6 de outubro, dia da abertura do FIQ. De Brasília à Belo Horizonte são 50 minutos de vôo, mas do Aeroporto de Confins (entendi o nome) foram quase duas horas de ônibus até a rodoviária. Ao desembarcar, comecei a procurar um hotel lá perto. Escolhi o “menos pior” pardieiro das redondezas, larguei minhas coisas lá e pedi informações para chegar ao Palácio das Artes. Cerca de 20 minutos andando, cheguei ao local. O lugar é bem bacana, com galerias, cinema, livraria, dois teatros (um pequeno e um grande), lojas e lanchonete. Os estandes foram montados na parte externa sob uma tenda central batizada de Eugênio Colonnese, em homenagem ao ilustrador italiano radicado no Brasil e que faleceu em agosto passado.

Todos os estandes são bem caretas e certinhos, exceto o dos quadrinhos dependentes que ficou lá no fundão. Também, só gente doida e os únicos provocadores de tumulto de todo o FIQ. Saca só a crew: Gabriel Góes, Mesquita e LTG de Brasília, Alex Vieira e Raul de Vitória e os cariocas da Beleléu Tiago El Cerdo, Lafa e Arruda. Durante a semana foi aparecendo mais gente do mesmo naipe.

Samba e Beleléu confraternizando de forma estranha.

Samba e Beleléu confraternizando de forma estranha.

O movimento no festival ainda estava meio fraco. Fui fuçar o que mais o FIQ tinha para oferecer. Um destaque foi o Supermercado Ferraille, uma loja onde você encontra embalagens com rótulos que satirizam a sociedade de consumo. Melhor ver as fotos do que eu explicar. Esse é um projeto dos quadrinistas franceses Felder e Cizo. Falaremos muito desses french guys mais adiante. Nessa primeira visita ao supermercado, talvez eu tenha feito a melhor compra de toda a viagem. Adquiri um dos quatro únicos exemplares do livro Monsieur Ferraille do desenhista Winshluss (que fez a maioria dos desenhos dos rótulos) com roteiros do Cizo. Nem precisa falar que esses livros sumiram da prateleira em minutos, LTG também é um dos felizardos. Outro detalhe: o número do código de barras é 666 2009.

Só produtos refinados.

Só produtos refinados.

Pizza em lata deverá existir em breve.

Pizza em lata deverá existir em breve.

Essa foi feita pelo Allan Sieber.

Essa foi feita pelo Allan Sieber.

Essa são pílulas para colocar no drink de uma gostosa e quando ela beber, você se tornará irresistível para ela. No outro dia ela esquece, mas você não. Comprei um desses, tomara que funcione!

Essa são pílulas para colocar no drink de uma gostosa e quando ela beber, você se tornará irresistível para ela. No outro dia ela esquece, mas você não. Comprei um desses, tomara que funcione!

Um dos atrativos do festival eram as mesas de debates. A primeira delas foi “Animação e Cinema” com o canadense Guy Delisle e os brasileiros Lancast e Sávio Leite. O pequeno teatro ficou apenas 1/3 cheio. Falou-se muito sobre as dificuldades de se fazer animação no passado e como hoje tudo é mais fácil e rentável. Guy, assim como todos os convidados estrangeiros, eram acompanhados de tradutores. Ele falou sobre sua experiência em trabalhar nos estúdios de animação da Coréia do Norte e cujo os relatos em forma de HQ dessa viagem lhe rendeu o livro Pyongyang. Disse também que abandonou a animação quando começou a ter prestígio como quadrinista. Na verdade, eu achei que ele fosse um cara mais engraçado pessoalmente, já que suas HQs são bem humoradas, mas impressão que tive foi de um sujeito quieto e desconfortável. No final, ele fez uma pequena sessão de autógrafos. Saí de lá com o meu já citado Pyongyang e o Crônicas Birmanesas devidamente rabiscadas. Esqueci de dizer que eu levei duas malas nessa viagem, uma com minhas roupas, mais 15 camisetas e 80 gibis do Quebraqueixo e outra menor só com gibis para serem autografados pelos artistas. Advinha qual era a mais pesada? Pesei na balança do aeroporto, 11 kg a primeira, 12 kg a segunda.

O animador desanimado Guy Delisle.

O animador desanimado Guy Delisle.

Eu ganhando meu primeiro autógrafo gringo do FIQ e preste a entregar o gibi do Quebraqueixo.

Eu ganhando meu primeiro autógrafo gringo do FIQ e preste a entregar o gibi do Quebraqueixo.

A segunda mesa foi “Humor Gráfico” com os franceses Cizo e Felder, o argentino liniers e o mineiro Duke. Dessa vez foi muito divertido, pois os três são muito engraçados e fizeram a platéia rir o tempo todo. Vou ver se coloco uns videozinhos mais pra frente. No final, mais autógrafos. Cizo dedicou o meu Monsieur Ferraille assim: “Pour Evandro, mon premie fan a Belo Horizonte”, não sei falar francês, mas entendi o que ele escreveu. Já Felder é um figuraça e estava vestido com a camisa do Atlético Mineiro. Um dia antes de viajar, soube que ele é o roteirista da ótima HQ Muerto Kid e ele desenhou o personagem no jornal da programação do FIQ pra mim. Como não existe nada publicado no Brasil desses franceses, eles se livraram logo dos chatos que pedem autógrafos e saíram fora. Já liniers não teve tanta sorte e encarou uma pequena fila de 15 pessoas. Levei minha edição argentina de Macanudo 5 já com essa intenção. Igual a todo bom quadrinista, ele demorou pelo menos 2 minutos fazendo um desenho e dedicatória para cada fã. Foi muito simpático e atencioso com todos, acho que é aí que está o diferencial do grande artista em ganhar ou perder o fã para sempre. Outra coisa que esqueci de dizer é que todos os desenhista que pedi autógrafos, ganharam um gibi do Quebraqueixo e tirei fotos deles segurando o produto na maioria das vezes. Sem exceção, de Maurício de Sousa à Craig Thompson, todos pagaram pau pra capa que o Caio Gomez desenhou.

Duke, Felder, tradutor, Cizo e Liniers.

Duke, Felder, tradutor, Cizo e Liniers.

Cizo autografando para o primeiro fã em BH.

Cizo autografando para o primeiro fã em BH.

Liniers olhando o gibi do QQ.

Liniers olhando o gibi do QQ.

O FIQ encerra esse primeiro dia às 22h. Como pizza e volto a pé debaixo de uma fina chuva para o hotel. A região central é um lugar pouco recomendável para se andar de dia, quanto mais à noite. Igual a toda grande cidade, Belo Horizonte também tem seu lado escroto. Vários mendigos, malandros, putas, travecos, crakeiros e trabalhadores habitam esse universo. Não fui incomodado por ninguém, talvez seja essa minha carinha de mau. Me perdi no trajeto, mas cheguei ileso no moquifo. O Esfolando é assim: faz turismo de aventura e se adapta às regiões inóspitas do planeta. Dormi vendo Simpsons na 14”.

Meu muquifo delux.

Meu muquifo delux.

Se beber isso, não precisará do produto abaixo.

Se beber isso, não precisará do produto abaixo.

Experimente! Se não funcionar, devolvemos seu dinheiro!

Experimente! Se não funcionar, devolvemos seu dinheiro!

FIQ ESPERANDO AÊ!

outubro 12, 2009

fiq logo

Parabéns criançada! O Esfolando está de volta, mas vamos com calma! Se você acha que eu vou vomitar informações acumuladas em seis dias em Beagá de uma só vez, está enganado. Além do mais, eu tenho uma vida (acreditem!) que ficou negligenciada nesta semana. Mas o Esfolando não irá decepcioná-los, só preciso de mais tempo para a digestão. Todos os dias foram intensos e terei um bom trabalho para reconstituí-los em meus miolos, já que nunca anoto nada. Só pra ter idéia, tirei mais de 350 fotos boas e uns 30 minutos de videozinhos preciosos. Esse post é só pra avisar que estou vivo (tristeza para alguns), que me diverti horrores, que o show do Quebraqueixo talvez tenha sido o melhor de minha vida e que vocês não perdem por esperar!

ESFOLANDO BH

outubro 5, 2009

CARTAZ oBRA

O Esfolando é mesmo um cidadão do mundo, cosmopolita e que mistura viagens de negócios e prazer. Dessa vez, estarei desembarcando em BH para lançar a revista “Quebraqueixo – A Banda Desenhada” durante o 6° FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos) que acontece de 6 a 12 de outubro na capital mineira. De lambuja, a banda Quebraqueixo se apresentará no tradicional bar “A Obra” no dia 8/10. Vou tentar mandar notícias e postar fotos, mas não garanto nada. Não se preocupem! De um jeito ou de outro, vocês saberão as estripulias do Esfolando em Belo Horizonte.