Nós estávamos no começo da fila e parecia um show de rock. Primeiro liberaram a entrada dos convidados, imprensa e preferenciais. Depois fomos nós, à procura de um lugar bom e perto da saída. Eu estava carregando a mala com rodas e tivemos que ficar perto do corredor, pois sairíamos antes do final, para tentarmos pegar as senhas dos autógrafos. Logo, os 850 lugares disponíveis foram tomados. Alguns minutos depois ouvimos as instruções de não fotografar, nem filmar em versão bilíngüe (não obedeci). Os ilustres convidados sobem ao palco ao som de fervorosas palmas. O mediador Sérgio Dávila (a princípio seria o Angeli), foi lastimável em todos os momentos. Ao apresentar os artistas, leu um texto que parecia ter sido copiado e colado da wikipedia, tamanho o despreparo do sujeito. Pra completar, meu fone com a tradução simultânea estava bichado. Eu fiquei me virando com meu ingleizinho de 5° séria. Só de raiva, fiquei filmado e fotografando (sem flash), mas nenhuma foto ficou boa e existem filmagens melhores no youtube. Após um tempo, Karla tem a brilhante idéia de pedir a um dos funcionários que trocasse o meu transmissor. Consegui entender melhor a conversa, o problema que a tradução do Crumb era feito por uma mulher, o que deixava a situação um pouco esquisita. Acabou que eu nem usei muito tempo, pois preferia ouvir a voz original, mesmo sem entender direito.

 

Crumb disse não entender o porquê do convite, já que se considera um cara ranzinza e avesso às badalações. Já Shelton, disse que se amarra em ganhar viagens grátis pra conhecer lugares bonitos. Lá pelo meio da conversa, o mediador chama Aline, a mulher do Crumb para se sentar com eles. O cara tenta ser engraçado falando das intimidades do casal e leva um fora desconcertante. Quando foi anunciada a última pergunta da noite, eu e Karla saímos do auditório com presa. Atravessamos a ponte pra chegar na mesa de autógrafos e estava rolando mó confusão. As senhas já haviam sido distribuídas e muita gente irritada (incluindo nós) estava reclamando. Uma fila enorme já estava formada atrás das pessoas com senhas. Lá no meio, encontro o Didiu, que fala pra eu ficar ali com ele e o Robson, pois ali era a “fila da esperança”. Deixei minha mala com eles e fui procurar a Karla, que havia sumido. Eu a encontro no finzinho da fila e a levo pra onde estão os amigos. Ficamos grilados se as pessoas de trás iriam reclamar da furada de fila. Como ninguém se manifestou, ficamos lá na cara dura. Fizemos amizade com um casal que estava na nossa frente (não lembro o nome deles), mas eles disseram que tinham vindo ano passado e que a fila para o Neil Gaiman estava muito maior (mais de 300 pessoas), mas ele autografou pra todo mundo.

 

Novo rebulço: eram Crumb e Shelton chegando. Logo a fila começou a andar. Didiu falou pro Robson ir tirar umas fotos. Pouco tempo depois, começaram a distribuir mais 50 senhas, nós pegamos, mas Robson, que não estava presente, ficou sem. Didiu tentou argumentar com a pessoa, mas não rolou. Só umas seis ou sete pessoas atrás de nós receberam senhas. Quando Robson voltou, tivemos que dar a má notícia. O cara quase pirou. Acabou que o Didiu deu a senha pra ele, pois sabia que Robson iria atormentá-lo com essa história pelo resto da vida. Foi chegando a nossa vez e toda aquela afobação. Eu coloquei dois gibis do Quebraqueixo numa sacola com as camisetas do Crumb e tinha a camiseta do Quebraueixo que eu ia dar pro Shelton, mais os livros e a sacola que eu tava carregando. Robson foi o primeiro e acabou conseguindo que os dois autografassem os livros do Didiu também. Karla malandra, pediu pra tirar uma foto com o Crumb e ele e a mulher deixaram. Ela deu um beijo nele e ele deu um beijo nela. Nessa hora mó galera começou a gritar. 

 

(reparem na titia de azul, apontando pra mim e mandando o segurança me tirar)

Na minha vez, entreguei a sacola pro Crumb, que deu uma olhada rápida no conteúdo. Infelizmente a foto do gibi não ficou boa, mas cumpri mais um item da lista da minha missão. Depois de pegar o livro autografado pelo Crumb, entreguei uma camiseta do Quebraqueixo por Shelton, que pareceu ficar feliz, já que todo mundo só ficava paparicando o seu colega megastar. Era incrível como muita gente que conseguiu a senha, só queria autógrafos do Crumb. Caralho, estamos falando do pai dos Freak Brothers! Idiota tem mais é que se fuder mesmo! Quando o Shelton estava autografando o meu livro, um cara da segurança começou a me empurrar pra fora, dizendo que eu estava tumultuando a fila. Dei um chega pra lá no cara e disse que só sairia dali com o livro autografado. Uma mulher da organização, que deve ter mandando o cara me tirar, falou que eu estava demorando demais e que os velhinhos estavam super cansados. Isso tudo deve ter rolado em menos de três minutos. Eu esperei mais de uma semana pra chegar nesse momento crítico e aquela titia queria cortar minha onda. Deu vontade de mandar tomar no cu, mas eu estava tão feliz na hora, além do mais, ela se fudeu depois (mais pra frente eu conto). Os últimos felizardos receberam seus autógrafos e Crumb sai escoltado por seguranças. Várias pessoas tentaram segui-lo pedindo autógrafos, mas acho que ninguém mais conseguiu.

 

Depois disso, só nos restava comemorar. Eu, Karla, Didiu, Robson e o casal fomos cafifar uns béquis na praia. Antes, eu pude colocar minha mala dentro do carro do Robson, o que foi a segunda maior alegria da noite, pois eu não aguentava mais carregar aquela parada. Depois fomos num buteco chique pra fechar aquela noite especial. Bebi uma limonada de R$5,00 como se fosse champanhe.

 

Domingão, almoçamos na beira da praia. Recebi uma ligação de um cara que tinha me comprado duas camisetas do Crumb no dia anterior. Ele queria mais uma camiseta, a última que eu tinha trazido do Crumb. Perfeito! Missão cumprida na integra, só faltou fumar unzinho com o Shelton. Quando chegamos no centro, a cidade tinha esvaziado. Depois de meio-dia, quando encerram as diárias, o povo abandona Paraty. A programação da Flip de domingo propositalmente mais fraca, já que quem mora em RJ ou SP vaza pra pegar a estrada e trabalhar no dia seguinte. Lemos no site de um importante jornal (que também patrocina o evento) sobre a noite anterior, onde o jornalista comenta sobre a falta de organização na noite de autógrafos do Crumb/Shelton. Ele começa o artigo dizendo que quem conseguiu um autógrafo dos quadrinistas, podia se considerar um sujeito de sorte. Fala também da falta de educação dos seguranças da titia que queriam me tirar à força. Toma titia! Quem mandou se meter com o Esfolando!

 

Passamos na frente da ousada Marquesa, onde a maioria dos autores convidados se hospedava, na esperança de ver alguém. Não é que a Aline, Shelton e sua esposa estavam na portaria! Sentamos no murinho em frente e ficamos só olhando até eles desaparecerem no saguão. Sem ter muito mais o que fazer, assistimos uma apresentação musical na Casa de Cultura (um lugar maneiro de se conhecer) e uma performance de um palhaço com seu “Circo de Pulgas” na rua. Á noite, voltamos pra pousada, arrumamos nossas tralhas. No fim da manhã de segunda-feira, pegamos o ônibus pro Rio e depois um avião pra Brasília. Chegamos quase onze da noite.

 

Deliberações finais: de positivo, tenho que concordar que a FLIP é um evento importante, bem estruturado e que enaltece o objeto “livro”. Em compensação, é um evento careta, meio manipulado pela indústria livreira, que tentam forçar seus autores e produtos.  Paraty é bonita, charmosa, mas ficar mais de dois dias lá, enche o saco. Na semana dá FLIP, o comércio fica ganancioso e tenta faturar o que não consegue nos outros 360 dias do ano. Se eu volto pra FLIP? Vai depender da programação! Pelo menos, os “organizadores” da FLIP perceberam que trazer celebridades dos quadrinhos pro evento é extremamente lucrativo. Quem sabe, nas próximas edições eles convidem o Moebius, Manara…

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Acordei de madrugada com o barulho de chuva. Que ótimo, um evento literário a céu aberto com possibilidades de chuva. Pela manhã, o tempo não estava tão feio como pensei. Mesmo com frio, fomos à praia, mas sem coragem de entrar na água. Chegamos tarde na palestra da Patrícia Melo e só vimos o finzinho pelo telão. Ela é considerada “a Rubem Fonseca de saia” e eu gosto muito do seu estilo de escrita. Na pequena fila de autógrafos, encontro Juliana, uma conhecida de Brasília. Na nossa vez, Patrícia Melo nos recebeu muito bem. Dei-lhe um “Grosseria Refinada” e ela assinou seu novo livro “Ladrão de Cadáveres”, que eu ainda não li ainda. Mais tarde, reconheço Salman Rushdie passeando na livraria. Peço pra tirar uma foto.

 

Sexta-feira faz um solzão e fomos pra rodoviária pra pegar o Baú pra Trindade. Ônibus lotado de turistas nórdicos e farofeiros. Não conseguimos lugar pra sentar, fizemos todo o trajeto de quase uma hora em pé, tipo Windsurf.  Chegando lá, nos decepcionamos um pouco, pois não conseguimos enxergar a maravilhosa praia da qual todos diziam que era uma beleza. Pensei “Tá sol e estamos na praia, então pára de reclamar! A primeira praia é onde ficam as barracas de bebidas, pra ter acesso a segunda praia, era necessário fazer uma trilha por um morro. O nível de dificuldade era médio, mas com a chuva do dia anterior, tudo ficou mais escorregadio. Do outro lado do morro, a praia não era mais bonita, só era maior e sem comércio. O mar estava bravo e um salva-vidas disse pra não entrarmos, pois a correnteza estava puxando forte. Fumamos um béquei e tomamos coragem. Porra, depois de todo aquele esforço, a gente não iria dar um “tibum” na água? Karla entrou e saiu rapidinho, além de gelada, a força do mar não é brincadeira. Eu dei dois mergulhos rápidos pra sair congelado. Ficamos mais um tempo e depois voltamos pela trilha. O mar na primeira praia estava mais tranqüilo e pudemos entrar na água por mais tempo. Tive que sair, porque um casal muito suspeito, ficou rondando nossas coisas que deixamos na areia. Só foi eu ir me aproximando que eles se afastaram. Falando em roubo, pagamos R$10,00 por dois cocos e voltamos sentados confortavelmente numa van.

 

Sexta à noite não tinha pra onde correr, eu tinha que começar a vender as camisetas do Crumb ou tava fudido. Coloquei um monte de camisetas na mochila e a Karla foi levando uns livros e gibis na bolsa. Descemos no centro e eu coloquei duas camisetas com desenhos do Crumb no antebraço pra servir de mostruário. Muitos olhavam sem demonstrarem interesse, até que numa esquina, eu encontro ninguém mais, ninguém menos que o próprio Robert Crumb vindo na minha direção. Caralho, que escroto! Eu ergo o braço com as camisetas e balbucio algumas palavras em inglês tipo “eu fiz uma camisetas com seus desenhos!”. Ele pegou nas camistas e falou: “shirts!” e riu alto. Eu falei no meu bad english: “posso te dar umas camisetas?” Ele falou: “Ok!”.  Uma mulher que o acompanhava falou: “No! No!Tomorrow!”. Eu dei uns tapinhas no ombro dele (eu encostei no cara) e disse: “amanhã e te dou as camisetas!”. Ele respondeu: “Tomorrow, ok!”.  Fiquei felizaço, nem dava pra acreditar. Um lance que eu estava grilado desde o início era se ele ficaria puto de eu usar os desenhos dele sem autorização pra ganhar dinheiro. Na real, acho que ele se amarrou. Senti que o cara abençoou as camisetas e em pouco tempo, comecei a vendê-las. Fui de mesa em mesa mostrando os produtos. A maioria nem olhava direito e dizia não, acho que era trauma dos hippies. Não esmoreci. Quando uma menina que perguntou o preço, soube que o Crumb tinha tocado naquela camiseta, ela comprou na hora. No total, vendi seis camisetas e uns gibis, o que me deixou mais confiante em realizar a missão. No fim da noite, encontro a Alzira, menina do Rio gente fina que eu conheci no FIQ (BH) do ano passado e que é amiga dos caras da “Samba”. Ao lado dela estava um sujeito que eu sabia que já tinha visto em algum lugar, só não sabia onde. Aí acontece uma coisa inusitada, a Alzira falou pro cara que eu sou de Brasília e que faço quadrinhos e que o Muerteens é muito legal (ela é uma das 16 pessoas no mundo que possuem o zine das caveirinhas adolescentes). Eu fico meio envergonhado, porque sou mó tosco. Daí a gente aperta as mãos e ele diz que é o Rafael Coutinho. Demoro uns segundos pra cair a ficha e depois eu solto “meu irmão, Cachalote é ducaralho!” Aí foi a vez dele ficar envergonhado, mas o cara foi super gente fina. Dei um gibi do Quebraqueixo pra ele e tirei uma foto dizendo que vai pra galeria da fama.

 

 Sábado é dia de operação de guerra. Pego minha bolsa de viagem que adaptei com um carrinho de rodas e coloco as 14 camisetas do Crumb (e mais duas pra dar de presente pra ele), mais umas camisetas do Quebraqueixo, mais uns livros e gibis e mais um monte de livros do Crumb e do Shelton com a esperança de serem autografados. Devia ter uns 20 quilos de peso. Saímos meio-dia da pousada com a intenção de só voltarmos à noite. Indo pro ponto de ônibus, uma moça com duas crianças nos oferece carona pro centro. Bom presságio! Uma coisa boa de Paraty é que é tudo na paz, sem violência e o povo é muito amigável. Quase não existe criminalidade. Enquanto a Karla foi tentar vender os ingressos que tínhamos da Tenda do Telão, eu comecei a mostrar as camisetas. Logo um fiscal apareceu pra perturbar. Shit!

 

No estande de um famoso jornal, bebemos cafés expressos grátis e pegamos jornais igualmente gratuitos. Numa página quase inteira, vinha uma HQ sobre a vinda do Crumb e Shelton para Paraty escrita por Ivan Finotti e desenhada pelo Rafael Coutinho. Pouco tempo depois, trombo com o Rafael e dou os parabéns pessoalmente. Numa dessas circuladas, encontro o amigo Didiu e o amigo dele (que agora é nosso amigo) Robson. Eles vieram de São Paulo e estavam acampados num camping sinistro. Robson foi o primeiro a comprar uma camiseta do Crumb no sábado. Depois dele, o estoque foi diminuindo gradativamente. Encontrei um lugar na praça e fiquei lá mostrando as camisetas e gibis. Ao invés de ir às mesas, as pessoas é que vinham até a gente. Quem apareceu lá foi o Arruda, da Beleléu. Finalmente Paraty estava cheia de fãs do Crumb.

 

Até às 18:30, eu tinha vendido 12 das 14 camisetas e só não vendi mais por causa dos tamanhos pequenos que acabaram logo. A mesa do Crumb/Shelton estava marcada pras 19:30, então fechei o estabelecimento comercial e fomos na área dos autógrafos saber se já havia algum informação sobre as senhas. Ninguém sabia informar nada. Fomos uns dos primeiros a chegar na fila da entrada da Tenda dos Autores. No outro lado, na fila dos ingressos da desistência, estavam escritor de Brasília giovani ieminni, o desenhista Tiago “El Cerdo” e sua namorada. Fui falar com eles e aí é que fiquei sabendo a tramóia dos ingressos. È que quase tudo é “doado” pros patrocinadores e bem poucos são colocados à venda. Depois que todo mundo com ingresso entra, eles vendem os lugares que sobram, pois muita gente não comparece. Os três deram sorte de conseguirem entrar, ouvi dizer que uma pessoa queria pagar R$300,00 por um ingresso daqueles.

Por termos chegado com antecedência, nós conseguimos ficar bem no começo da fila, que logo foi ficando gigante. Comecei a conversar com uns garotos que me viram vendendo as camisetas e pediram pra olhar. As duas camisetas que sobraram eram bem grandes pra eles, mas um gorducho que estava lá perto tinha grana e levou a penúltima camiseta. Na seqüência chega uma senhora toda esbaforida pra falar com os garotos. Ela disse que estava perto do telão, quando um cara perguntou se ela queria um ingresso grátis pra essa mesa. Ela aceitou o ingresso e veio correndo. Todo mundo examina o ingresso, que parece ser autêntico e eles comemoram. Depois a gente entendeu a história: aquela senhora tinha dirigido 10 horas de carro trazendo o filho e dois amigos do interior de São Paulo pra eles assistirem essa mesa, mas ela não tinha ingresso Milagres acontecem!

No próximo post: a conclusão das fabulosas travessuaras de Esfolando em Paraty. Não Percam!

Viajar até Paraty no período da FLIP não é tarefa fácil nem barata. Ao anunciarem a vinda de Robert Crumb e Gilbert Shelton para esse evento literário, comecei a me programar com dois meses de antecedência, pois já sabia que o negócio era embaçado. Iniciei a pesquisa de preços nas pousadas da região e para minha surpresa, muitas delas já estavam lotadas nesse período, sem contar que os preços simplesmente triplicam. Tipo se uma diária em um dia normal custa R$100,00, na FLIP ela passa para R$300,00 brincando e se você não reservar logo (pagando 50% do valor) periga de dormir na rua. Consegui uma pousada mais afastada que custou R$660,00 por seis diárias, uma verdadeira pechincha já que só pelos quatro dias da FLIP, a maioria das pousadas fuleiras estava cobrando R$1200,00. Pra garantir, eu e a Karla compramos as passagens aéreas pro Rio (R$250,00 ida e volta cada um) e de ônibus do Rio pra Paraty (R$100,00 ida e volta cada um) com antecedência pra evitar contratempos.

 

 Também tentamos comprar os ingressos na “Tenda dos Autores” para as mesas do Crumb/ Shelton e da mesa do Lou Reed no dia em que foram colocadas à venda. Eles se esgotaram em segundos (depois descobrimos a tramóia dos ingressos) e tivemos que nos contentar com a “Tenda do Telão”, que logo se esgotaram também. Puta balde de água fria! Deu até vontade de desistir da viagem, mas com tudo comprado, o jeito era ir. Depois que o Lou Reed cancelou sua participação, fiquei grilado com a possibilidade dos velhos quadrinistas undergrounds também pipocassem. Eu nem sou fã do Lou Reed, mas é que a programação da FLIP estava tão careta, que me pareceu interessante assistir o cara falar qualquer coisa que fosse.

 

 De vez em quando, eu olhava o site que vendia os ingressos pra ver se apareciam mais alguma vaga e não é que uma semana antes da viajem conseguimos comprar os disputados ingressos pra vê-los ao vivo. Animei tanto, que pedi pro Natinho pintar 22 camisetas com desenhos do Crumb pra fazer um camelô no esquema, também levei mais um monte de camisetas do Quebraqueixo, livros e gibis, quase pago uma grana de sobrepeso na bagagem. Um dia antes da viajem, recebemos a bela notícia que estava rolando caos aéreo, mas nosso vôo “só” atrasou uma hora. Esperamos duas horas na rodoviária do Rio e depois de sacolejar quase cinco horas no baú, enfim, desembarcamos em Paraty. R$20,00 é o preço “tabelado” dos táxis pra qualquer corridinha. A primeira boa notícia foi a pousada ser melhor do que a gente previa, ela era nova e o pessoal de lá é bem gente fina. Depois de arrumar os trambolhos no quarto apertado, caminhamos uns 2 km até o centro histórico. Era véspera da abertura da FLIP e muito da estrutura ainda estava sendo montada. Caminhar por ruas centenárias, onde as pedras são irregulares requerem atenção e equilíbrio, mulheres devem evitem salto alto a todo custo. Sentamos em um bar para jantar e uma horda de hippies sujos e chatos (pleonasmo) tentam nos empurrar poesia e bijuterias por qualquer moedas. Funcionáros de fiscalização fazem seu trabalho de tirar os ambulantes de circulação, o que me deixou bastante preocupado, pois uma das intenções da viajem era fazer um camelô e pelo jeito seria difícil.

 

 Na manhã de quarta-feira, vamos pra praia Jabaquara, que fica perto da pousada. As praias de Paraty não são bonitas e o mar é flat, mas deve ser legal no verão, principalmente se você mora a mais de 1000km do oceano mais próximo. O céu estava nublado e coberto de névoa, fazia frio. Fumamos um béqui e só molhamos o pé na água gelada. É incrível a quantidade de cães vadios (Kães-Vadius) vivendo livremente nas praias e no centro.

 A noite, a cidade começava a fervilhar de turistas. Muita gente velha com cara de inteligente desfilava nos estandes. De um lado da ponte, estava a “Tenda dos Autores” onde Fernando Henrique Garboso discorria sobre Gilberto Freyre, o homenageado desse ano. Do outro lado, “a Tenda do Telão”, pra quem pagou para assistir sentado e um outro telão para que não tem ingresso e pode assistir do lado de fora em pé.

 Ali perto, ficava a loja que vendia os produtos da FLIP, tipo camisetas, canecas, moleskines e outras traquitanas que levam o nome do evento. Ao lado, ficava a Livraria da Vila, onde vários livros gringos do Crumb eram vendidos a preços abusivos. Destaque pro livro R. Crumb’s Heroes Of Blues, Jazz And Country que vem com um CD de músicas raras escolhidas pelo próprio Crumb e uma coletânea grossa que deve ter tudo do Freak Brothers, inclusive histórias coloridas. Apesar da tentação, não quis gastar mais grana e carregar mais peso, já que havíamos trazido vários books, na esperança de serem autografados. Um funcionário da livraria me dá a péssima notícia de que seriam distribuídas apenas 50 senhas para autógrafos no dia da mesa do Crumb / Shelton. Fui dormir preocupado.  

Foi mal gente, esqueci de avisar que estaria viajando esses dias. Pois é, fui para Paraty (RJ) curtir a 8º edição da FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty). Eu e a Karla partimos na Terça-feira (03/08) e voltamos na segunda-feira (09/08). Nossa missão era conseguirmos autógrafos do Robert Crumb e Gilbert Shelton e ainda fazer um camelô de livros, gibis e camisetas. Será que conseguimos? Façam suas apostas! Essas e outras respostas, você encontrará nas próximas postagens. É o que eu posso adiantar por enquanto. Estou mais do que enrolado com compromissos, mas logo vocês saberão de (quase) tudo. Aguardem!