Mike Muir ROCK vsmax web
É humanamente impossível assistir 38 shows em dois dias. Ainda bem que o line up do Festival porão do Rock 2013 era variado e para todos os gostos. Daí selecionei os show imperdíveis (pro meu gosto) e passei o resto do tempo que estive no evento confraternizando com os amigos.
Na sexta-feira (30/08), cheguei no local bem no finzinho do show do Dead Fish, mas a tempo de ver o vocalista Rodrigo pular do palco pra área VIP e depois pular a grade pra cair nos braços de seus fãs na pista. Ele voltou para o palco com a camiseta rasgada.
Passado esse começo esdruxulo, comecei minha exploração pelo novo “Porão”. Sempre fico curioso em ver a configuração do espaço, com está a estrutura. Na hora me lembrei das primeiras edições do festival, antes de usarem o estacionamento e o ginásio do Nilson Nelson. Também foi a primeira vez que cheguei perto do “novo” Mané Garrincha. Acho que vai demorar pra eu colocar meus pés lá dentro, já que não assisto futebol e não gosto das atrações musicais que estão programadas nesse ano.
Ví um pedaço do show d’Os Maltrapilhos, representando bem o punk rock do DF. A expectativa eram as duas últimas bandas do palco “Pesado”. Primeiro a dupla paulista TEST. Já tinha visto os caras tocarem aqui duas vezes, então pra mim não foi surpresa saber que o show seria fudido. João Kombi e Barata destruindo um grind minimalista e sofisticado. Os dois fazem mais barulho do que muitas bandas com quatro ou cinco integrantes.

Pra fechar essa primeira noite, a banda americana Soulfly, que tem como líder, o brasileiro Max Cavallera. Ele lembrou que a última vez que tocou em Brasília foi em 1994 com o Sepultura e não deixou de tocar alguns clássicos de sua ex – banda. Comunicativo com a plátéia, Max não se ateve somente ao passado e apresentou músicas de todas as fazes do Soufly, inclusive algumas que estarão no próximo disco, que sai ainda esse ano. Gostei mais desse show, do que o de Goiânia que assisti no ano passado.
No sábado (31/08), cheguei na metade do show do Krisium. Não sei se foi impressão minha, mas achei que o som dos caras estava mais limpo. Não que estivesse menos brutal, só que mais audível. Tive essa mesma impressão no show do Galinha Preta que tocou na sequencia. Suspeito que o som estava tão bom, que faltou aquela sujeira boa dos amplificadores e equipamentos ruins que favorecem o som da banda. Acho que eles foram os únicos a usarem elementos de cenário, com seus dois bonecos de ar, estilo posto de gasolina, só que com esqueletos desenhados. O show foi bem curto, segundo o Frango, foi por causa do show de um gringo em outro palco.
O trio de Bragança Paulista Leptospirose também não foi surpresa, já sabia que era bom. Tinha visto um show deles com o TEST no finado Cult 22 Rock Bar e se não me engano, foi o Frango que tocou baixo pra eles nesse show. O som dos caras e´rapidaço e engraçado, com certeza agradou a massa que aguardava a última atração da noite.
O que falar do Suicidal Tendencies? Em minha reles opinião, a melhor banda em atividade. Sou muito fã a mais de 20 anos, então cada vez que vejo o show deles (esse foi o meu quinto) eu piro mesmo. Mike Muir, o original ST está em boa forma, percorrendo o grande palco de um lado a outro pelo menos, sem exagero, uma centena de vezes. Na hora de “Possessed to skate” chamou os skatistas que estavam na plateia pra subir no palco e uns 20 doidos subiraram também. Tiveram que descer quando a música acabou, mas isso era só uma prévia do que normalmente acontece na música final, onde a banda chama todo mundo pra subir no palco ao som de “Pledge your allegiance”. Final apoteótico pra fechar o festival.
Minha resenha do festival acaba aqui, mas se você quiser saber como foi a minha missão pra entregar um ROCK vs. COMICS na mão do Mike Muir, continue lendo!
Ainda tinha muita gente em cima do palco quando o show acabou, daí entreguei um gibi pro Paulão (que é da crew do Porão) pra ele entregar pra banda, caso eu não conseguisse. Eu já estava achando que não ia rolar, quando vejo o Raul Sá (um dos organizadores do PDR) indo pra entrada do back stage. Eu já tinha falado com ele sobre a possibilidade de fazer essa missão. Entramos bem na hora que fecham a porta da vam com os caras dentro. Pensei: “QUE MERDA!”. Enfiei um gibi pela janela e disse: “A comics for you, Mike!”. Só vi uma mão no escuro pegando e ouvi: “thanks!”. O Raul, pergunta pro motora se eles iam pro camarim. Afirmativo! Ainda havia esperança, então fomos pra lá. No caminho, a Karla pegou o bonde e foi junto. Entramos e esperamos uns minutos. O Gustavo Sá, explicou a situação pro empresário da banda e eu mostrei o gibi e a página que fiz sobre o show do ST ano passado na virada Cultural de São Paulo. O cara falou; “very good! You can wait?” Respondi : “Sure!”, claro que posso, né? Passaram mais uns minutos e vimos o batera e o baixista saírem do camarim e entrarem na van. Achei que ia ser tipo, quando ele também saísse do camarim eu ia entregar outro gibi, apertar a mão dele e pedir pra tirar uma foto. O que pra mim já estava de bom tamanho, mas o empresário deixou a gente entrar. O Marcelo Costa (Nomes Feios) foi junto. O primeiro que ví foi O Guitar Dean Pleasants, apertei a mão dele dizendo “Good Night!” depois cumprimentei Mike. O Gustavo foi explicando que eu queria entregar o gibi e tal. Entendi Mike dizendo que tinha recebido, mas não tinha olhado ainda, aí eu mostrei a página do ST e ele exclamou: “OH! It’s me!” e ficou olhando e me perguntou: “You did it? Nice!” Eu respodi algo do tipo: “Foi, é eu desenho todo mundo feio mesmo!” e ele riu alto. Pedi pra tirarmos umas fotos e a Karla e o Marcelo começaram a fotografar. O outro guitarrista, Nico Santora substituiu o Mike Clark chegou lá também. No final, ele ficou foleando o gibi e se amarrando, tentei explicar pra ele sobre o projeto, mas me enrolei todo. Acabei desistindo e falei: “Sorry for my bad english!” e ele emendou: “Sorry for my bad portuguese!” e rimos. Então, achei que estava na hora de partir e deixar os caras em paz. Agradeci mais uma vez e nos despedimos. Eles foram super gente fina, good vibe total. Nem precisa dizer que voltei pra casa felizão!

ESFOLANDO O FESTIVAL PDR

setembro 12, 2012

O Festival Porão do Rock não é mais o mesmo, ainda bem! Mudanças significativas marcaram a 15° edição do festival que aconteceu nos dias 7 e 8 de setembro. O maior acerto foi o estrutural, com a nova configuração dos palcos externos. Dessa vez os palcos foram armados lado a lado e uma banda tocando de cada vez. O palco dentro do Ginásio Nilson Nelson, continuou abrigando as atrações mais pesadas do evento. Nas duas edições anteriores, os palcos ficavam muito longe um do outro, fazendo o publico se deslocar longas distâncias e três bandas tocando ao mesmo tempo, sempre me pareceu desperdício de atrações. Teve o lance da cobrança de ingressos, mas é aquela coisa: se é de graça, nego reclama e se cobram uma merreca, nego reclama também…

Quando cheguei, Os Cabeloduro já estavam sapecando seu punk rock HC guaraense dentro do ginásio. Recentemente, a banda passou por urucubacas, como uma cirurgia do baterista Daniel, que assistiu o show no palco, vendo o SUB Juninho Biloca em seu lugar. Se recuperando de uma capotagem espetacular que provocou um cancelamento de um show, o baixista Guilhermão mostrou que está firme e forte. Os titulares Gazú e Ralf ainda contaram com a participação do ex-vocal Marcelo Salsicha.

Enquanto a banda saia do palco, ví no telão, a exibição do teaser do aguardado documentário “Geração Baré-Cola – usuários de rock” do diretor Patrick Grosner , que pode ser visto aqui

http://www.youtube.com/watch?v=5hEqTzUKTyo&feature=related

Daí, fui roletar pra conhecer o novo formato do PDR, socializar com o povo amigo e saber das fofocas. Eu também estava ali pelos shows, então vamos a eles!

O show que mais me provocou curiosidade em todo o line-up de 40 atrações do PDR foi o combo carioca Autoramas + BNegão. Nunca me canso de ver o Autoramas ao vivo, mas tinha dúvida se essa parceria com BNegão funcionaria. E funciona bem demais, até porque o vocalista foi companheiro do batera Bacalhau na formação original do Planet Hemp e a interação entre os quatro já está merecendo um registro em DVD. A escolha do repertório foi o que mais surpreendeu quem achou que eles fariam um show baseado em seus trabalhos autorais. Lógico que teve músicas do Autoramas e do Seletores de Frequência, mas não foi abusivo e também tocaram sucessos (em novas versões) das ex-bandas, afinal tinham montes de fãs do Planet e do Little Quail na platéia. O restante do set list foram escolhas acertadas de covers que vão da discoteca ao trash metal e que previlegiam as caracteristicas vocalicas dos integrantes. Isso pode ser constatado principalmente quando os graves de BNegão duelaram com a voz doce e afinada da Flavinha em “Private Idaho” do B-52’s. Gabriel teve alguns problemas com as guitarras (cordas quebradas e ampli sem falar), mas teve o auxílio de um segundo guitarrista, quando BNegão empunhava o instrumento em algumas músicas. Destaque pra “Seek and Destroy” do Metallica, que encerra o show e pode ser vista no video abaixo.

http://www.youtube.com/watch?v=DqxfVVjZBFc&list=UU9XPW-BnSioRD8h8913tNlA&index=2&feature=plcp

Ví um pouco do show do Motosierra (Uruguay), que foi ok e duas músicas do Trivium (EUA), que é bem técnico e bem executado, agradadou os metaleiros, mas não faz muito meu tipo.

Se no ano passado, o público do Raimundos deu de goleada no público do Helmet (EUA), que tocava no mesmo horário, a dose se repetiu esse ano. Tocando de cabo a rabo o disco “lavô tá novo” (1995), a banda fez a alegria dos fãs que puderam conferir músicas que há tempos não eram ouvidas ao vivo. De “Tora Tora” a “Herbocinética”, todas as faixas foram executada em ordem. Depois sobrou tempo pra “Rebelde sem causa” que está no disco Raimundos VS. Ultraje a Rigor e sucessos de outros discos. Como convidados “especiais”, pessoas ligadas à história da banda , como o ex-técnico de som Guiminha (que também tocava guitarras e fazia backvocals nos bastidores) e os ex-integrantes Fred (bateria) e Luiz Eduardo Alf (baixo). O show terminou em um grande abraço coletivo. Espero que tretas antigas tenham sido definitivamente enterradas.

http://www.youtube.com/watch?v=PQgdQ6luvwo&list=UU9XPW-BnSioRD8h8913tNlA&index=1&feature=plcp

Se tocar antes do Raimundos é complicado, imagine tocar depois! O headline gringo Red Fang viu o público debandar do evento assim que os brasiliense encerraram sua apresentação. Mas ainda sobraram uns 1000 entusiastas do stoner rock praticado pelos caras, que ficaram até o fim. Muitos amigos disseram que a banda era maneira e tudo mais, assisti o show esperando que algo fantástico, o que pra mim não aconteceu. Definitivamente, não sou adepto desse tipo de som. Pelo menos o vocal/guitar desejou “feliz dia da independência”, coisa que não sei se foi lembrado por outras bandas brasileiras…

Nem todo mundo tem preparo físico pra aguentar dois dias de Porão, deve ser por isso que menos da metade do público que veio na sexta-feira, compareceu no sábado. Algumas das atrações desse 2° dia também devem ter desanimado muita gente. Cheguei na metade do show do DFC, que perde um pouco do carisma tocando em palco alto e distante do público. Suas melhores performances são em lugares menores com a platéia colada e dando stage dives. Mesmo assim, é sempre bom vê-los em posição de destaque em um grande festival que soube valorizar o que há de melhor na cena HC da cidade.

A área de “VIP” do ginásio ficou pequena na hora que o Sepultura começou a tocar. Fui lá pra trás, no povão, ver e ouvir a banda de metal brasileira de maior renome internacional. O repertório era baseado em músicas dos discos da era de ouro dos irmãos Cavalera e que consolidou sua imensa massa de fãs. Depois que a banda tocou “Roots Bloody Roots” e saiu do palco, declarei que o PDR 2012 também tinha acabado pra mim.

Ainda tinha muitas bandas pra tocar, mas nenhuma que eu quisesse realmente ver. O evento finalizaria com o Kyuss Live, outro stoner americano. Novamente, vários amigos disseram que a banda era demais e imperdível. Eu tinha certeza que não iria gostar, mesmo assim fiquei até o final pra constatar minhas suspeitas. Pra muitos, esse show foi o melhor da vida deles, pra mim, foi mais chato que fila do INSS. Sério, nunca ví uma banda demonstrar tanto desprezo pelo público, que aplaudia a antipatia e mau humor dos caras. O vocalista praticamente não se mexia e fazia cara de cuzeta o tempo todo, isso quando não ficava de costas pra sua audiência. Fazia gestos tipo reclamando do som e dava tapas no microfone, quando deveria estar dando tapas na própria cara. Vai ver estava putinho porque tinha pouca gente para vê-lo. Na última música, teve a pachorra de arremessar o microfone no público, mostrando que também não tem respeito pelo patrimônio alheio e nem pela produção que o contratou. Ainda teve quem pedisse bis e com enorme esforço eles voltaram pra mais duas musiquinhas fracas como todas as outras de seu enfadonho repertório.

Fazer um evento gigante como o PDR e agradar a todos é tarefa impossível. Fica os parabéns pra produça e os votos de que ano que vem, a 16° edição se supere!

Esse ROCK vs COMICS é do Festival Porão Do Rock de 2010.  Aproveito que o Dia do Quadrinho Nacional foi ontem, pra mandar um abraço a todos os quadrinistas e entusiatas das HQs brasileiras.

HQ PORÃO DO ROCK 2011

agosto 10, 2011

 

Essas duas últimas semanas foram uma correria punk sinistra. Teve todo o lance de tocar com o Quebraqueixo no Porão do Rock, o que acabou gerando um monte de ensaios e uma boa dose de ansiedade. Aproveito pra agradecer pelo convite dos irmãos Sá! Na sequência veio o Overmeeting, que pelo 3° ano seguido, eu trabalho na curadoria das bandas que tocam durante o campeonato e faço a direção de palco nos dois dias do evento. Eu me amarro em fazer parte dessa grande festa que é o Overmeeting e agradeço aos meus “patrões” Rodrigo, Juninho e Renato e toda a família Over Street por confiarem em mim. No final deu tudo certo e eu me diverti horrores, tanto no Porão como no Overmeeting. Entre um corre e outro, consegui fazer essa página de resenha ilustrada com a primeira noite do Porão do Rock 2011.

Dizem que o Porão do Rock é o maior festival de música independente do país, talvez seja mesmo. A estrutura é grandiosa, o número de atrações é enorme e a quantidade de público é bastante respeitável.

Nos dias 29 e 30 de julho, o PDR apresentou 43 atrações (cinco internacionais) para um público de 35 mil na sexta-feira e 15 mil no sábado. A discrepância de público podem ser justivicadas por dois fatores: as atrações de maior apelo na sexta e a canseira provocada pela distância entre os três palcos talvez tenha afastado o público no sábado. Vou te dar o papo: é preciso preparo físico para aguentar a maratona dos dois dias!

Foto: Amaranta Reis

O Quebraqueixo foi a segunda banda a tocar no Palco Extremo no primeiro dia. Os portões do festival foram abertos havia pouco tempo. Mesmo assim, devia ter uns 300 muleques cheios de energia que agitaram muito dentro do Ginásio Nilson Nelson. E no fim das contas, o que vale não é quantidade e sim, a qualidade do público. E se eu achava que tinha tocado pra pouca gente, fiquei supresso ao ver que tínhamos tocado pra muito mais gente que a grande maioria das bandas do sábado.

A banda à seguir foi o Bruto, que não ví pois estava usufrindo da meia hora de camarim a que tínhamos direito. Depois foi a vez do Ratos de Porão lotar o Ginásio. Já ví um monte de shows do RDP e sempre foram exelentes e esse não podia ser diferente. João Gordo contou sobre o primeiro show do Ratos em Brasília em 1986 onde levaram uma chuva de catarradas. Lembrei do show deles no Porão de 2001, onde João Gordo estava enorme e usando uma bengala. Ele fez o show sentado em uma cadeira e poucos meses depois, teve o piripaqui que quase o matou.

O grande duelo da noite foi Raimundos contra Helmet, que tocaram em palcos diferentes no mesmo horário. Pela quantidade e animação do público, o Raimundos fez a banda americana comer poeira. Ví os primeiros 15 minutos dos brasilienses sentindo uma forte tentação em ficar até o final, mas como já tinha visto uns 200 shows deles (e espero ainda ver outros 200), fui ver o Helmet. Tive a mesma impressão, quando os ví tocar no Goiânia Noise de 2008, um som arrastadão e com guitarras bem zoadas do comunicativo Page Hamilton. As últimas músicas do set eram as mais conhecidas e fez a platéia se agitar mais. Com o fim da apresentação, voltei pro palco do Raimundos e ainda peguei duas músicas finais. Com certeza, eles tiveram o maior público de todo o festival.

Quase 04h quando o Dead Fish subiu ao palco pro encerramento da primeira noite do Porão e ainda tinha bastante gente para ve-los tocar. João Gordo até tentou ver o show dos caras, mas a todo momento era importunado por marmanjos querendo tirar fotos com ele e acabou saindo fora com aquele jeitão de irritado. Eu mesmo gostaria de ter ficado até o final, mas só assisti uns 20 minutos antes de cair fora.

Depois de ficar bodado o dia inteiro e de passar gelol no pescoço e panturrilhas, cheguei quase às 22h no segundo dia do PRD. A visão era desoladora, poucas pessoas circulavam no espaço enorme e só um muvuquinha em frente aos palcos externos. O que tinha mais gente era o Extremo, mesmo assim, cerca de metade (pista e arquibancada) do Ginásio estava ocupado. Ele só ficou com uns 80% cheio no show do Krisiun.

Eu realmente não sei se gosto desse esquema do Porão ter três palcos tão distantes um do outro. E é aquele lance de você estar vendo um show e estar perdendo outros dois. Como nesse dia eu não tinha grandes favoritos, fui pingando de palco em palco.

Ví o final da apresentação da sempre charmosa Érica Martins; as três primeiras músicas do ébrio Wander Wildner; um pedaço do show desgracento (isso é um elogio) do Moretools; um pouco do “surf billy” do Dead Rocks; um pedação do som malíguino do Krisium (dava pra sentir a maldade no ar); duas músicas da “dupla trio” Lucy and the Popsonics (a Fernanda jogando um CD pro público foi hilário). Nesse rolê, devo ter andado uns 5KM.

Um show que eu nem tava botando muita fé, mas que me surpreendeu foi a da formação original do Defalla. Edu K é certamente um melhores frontmen do rock brasileiro, utilizando todos os espaços possíveis e impossíveis do palco. O seu jeito punkpopglam acaba ofuscando o restante da banda, mas acho que eles nem ligam.

Quem fechou a conta do festival foram os americanos do The Jon Spencer Blues Explosion com um gran finale apoteótico. Agora é esperar pelas surpresas que o PDR 2012 nos reserva.

Nessa sexta e sábado (29 e 30 de julho) rola em Brasília o 14° Festival Porão do Rock. Serão 43 bandas (38 nacionais e 5 gringas) divididas em três palcos simultâneos. O Quebraqueixo toca hoje! Abaixo vai a programação completa. Os shows começam a partir das 19h, no estacionamento do Ginásio Nilson Nelson. A entrada é franca.

Dia 29/7 – Palco Extremo – Gnomos da Jamaika, Quebraqueixo, Bruto, Ratos de Porão (SP), Angra (SP), Silent Raze e Hibria (ES). Palco Chilli Beans- Cultura & Mano, Garotas Suecas (RS), Copacabana Club (PR), Hamilton de Holanda, Cidadão Instigado (CE), Valdez e Helmet (EUA). Palco Uniceub – Marmitex S.A., The Tormentos (Argentina), Vespas Mandarinas (SP), Brown-Há, The DT´s (EUA), Raimundos e Dead Fish (ES).

Dia 30/7 – Palco Extremo – Pleiades (MG), Selenita, Red Old Snake, Eminence (MG), MoreTools, Krisiun (RS), Totem e Symfonia (Alemanha/Brasil). Palco Chilli Beans – Mary Stuart, Brollies & Apples (SP), Érika Martins (RJ), The Neves, The Dead Rocks (SP), Lucy & the Popsonics e DeFalla (RS). Palco Uniceub- Distintos Filhos, Bang Bang Babies (GO), Etno, Camarones Orquestra Guitarrística (RN), Wander Wildner (RS), Bílis Negra e Jon Spencer Blues Explosion (EUA).

SAMBA NO PORÃO

setembro 21, 2010

Essa cobertura especial do Porão do Rock 2010 foi uma parceria entre o “Esfolando Empreendimentos”, a Revista Samba e a fotógráfa Carol de Góes.

No trajeto entre a Rodoviária e o Ginásio Nilson Nelson, milhares de peregrinos faziam a procissão de subida até a Meca do rock em Brasília. De todos os cantos do DF e até de fora do “quadradinho branco”, mais de 30 mil roqueiros foram celebrar a diversidade musical oferecida pelo Festival Porão do Rock no dia 11 de setembro. Um dia que valeu por dois, ou três…

 

Camisa preta e jeans era o uniforme universal, mas houve quem caprichasse mais e houve que caprichasse “demais”. Tinha de tudo: punks, playboys, gostosas, topetudos, patricinhas, skinheads, emos, rappers, metaleiros, popozudas e até uma dupla de vampiros anêmicos. Com 33 atrações em três palcos simultâneos, era difícil não ter pelo menos uma banda que agradasse a esse público tão heterogêneo e tão igual ao mesmo tempo. O que o Porão do Rock 2010 fez de melhor, foi misturar todo mundo numa maçaroca só.

 

E tinha rock de todos os tamanhos, desde o rock magrinho até o rock ultra-obeso. Só era preciso disposição para encontrar o palco certo pro ouvido exato. Rock gringo também tinha, mas eles só serviram pra mostrar que o produto nacional é ainda melhor. Durante a maratona, muitos foram noucateados pelo cansaço e pelo álcool. Bebuns e uma montanha de alumínio e plástico ficaram esparramadas pelo chão.

 

Na manhã do dia 12, poucos fanáticos fiéis resistiram até o final, aproveitando até os últimos decibéis gratuitos, a final de contas, Porão do Rock agora só ano que vem. E pra quem iria a pé até a Rodoviária, ficava o consolo de que a volta era só descida e o que o óleo da Pastelaria Viçosa nunca para de ferver.

                 

Fotos: Carol de Góes
Texto: Evandro Esfolando
Ilustrações: LTG, Gabriel Góes e Gabriel Mesquita

Depois que o Autoramas terminou sua apresentação, boa parte do público do Palco Pílulas foi embora junto. Os espanhóis do The Right Ons ajudou a espantar os poucos que ficaram. No Ginásio, o cheiro de suvaco e enxofre feriam as narinas mais sensíveis. Vi um pedaço do show do Korzus, mas alguma coisa me dizia para ir ao Pílulas.

 

Meus instintos estavam certos. O show mais bizarro, ganhador do Troféu Esfolando na categoria “Bizonho” estava começando e pouca gente iria testemunhá-lo. Os goianos do Mechanics iniciava seu ruidoso espetáculo freak com o auxílio de dois integrantes do Grupo EmpreZa.

Eu tinha visto uma apresentação muito loca do Mechanics com esses caras no Goiânia Noise do ano passado, tem até um vídeo no post que eu fiz do festival. Dessa vez, enquanto a banda tocava, os dois rapazes vestidos com camisas sociais e gravatas, ficaram dando tapas na cara um do outro durante alguns minutos. O Som sujo da banda combinaria mais com os shows do Ginásio, os metaleiros iriam pirar. Depois de algumas músicas, os dois voltam ao palco e um fica atrás do outro. O de trás começa a enfiar o cabelo comprido do outro dentro da boca. Nogentão! Pra fechar, os caras tacam fogo numa placa de cera, que nem uma vela com vários pavios acesos e um deles a ergueu sobre a cabeça. Uma chuva de cera derretida ficava caindo sobre o rosto do sujeito durante três minutos. Assista aos vídeos se tiver estômago. Como disse Márcio Jr no final da apresentação para os boquiabertos espectadores: “quem viu, viu…”.

Lá pelas 3h, o cansaço se fazia presente, mesmo assim, dei a volta inteira pra ver de qualé da tal banda americana She Wants Revenge, mesmo sabendo que não iria gostar. É mais uma daquelas bandas lentas que eu acho um saco. Volto tudo de novo para ver outros americanos. Mais animadinhos, o The SuperSuckers tem mais pose do que peso e encerraram o Palco Pílulas tocando pra pouquíssimas pessoas.

 

No ginásio, o barulho ainda iria durar mais tempo. Pra não dizer que não falei das bandas de Brasília, vi um pedaço do hardcore Straight Edge do X Lost in Hate X e do metal moderno do Deceivers.

 

Coisas medonhas ainda iriam acontecer. “Cuidado com a Cuca, que a Cuca te pega e pega daqui e pega de lá!”. A risada sampleada da Cuca nunca foi tão sinistra! Personagens nada infantis assumem suas posições no palco/terreiro. É pra rir ou pra temer? Os ganhadores do Troféu Esfolando na categoria “Figurinos e Adereços Malignos” vieram do Rio de Janeiro trazendo oferendas de metal e hardcore. As entidades do Gangrena Gasosa fizeram o show mais original de todo o festival. Já conhecia o som deles de longa data, mas nunca tinha visto eles ao vivo. Muitas são as lendas que permeiam a história folclórica da banda. Renzo, velho conhecido do rock brasiliense por ter tocado bateria por anos no DFC, assumiu as baquetas do Gangrena quando mudou-se pra RJ. Usando chifres na testa, ele parecia o Hellboy adolescente. O público pareceu estar “pissuído” e quase arrebenta as grades de proteção da área vip. O efeito cenográfico da apresentação me fez lembrar da banda “The Residentes”. Fecharam o corpo e o show com “Benzer inté morrer/ kurimba ruim”, homenagem ou maldição que fizeram para o RDP.

Com os ouvidos e pés esfolados, ainda tive curiosidade para ver o Show do Musica Diablo. Derrick Green percebeu que o público restante estava cansado, mas conseguiu boa reação com esse seu projeto musical. O som é brutal, veloz e não frustra os fãs de sua outra banda. Tivessem tocado mais cedo, capaz do teto do Nilson Nelson cair (de novo).

 

Amanhecia quando o Frango cantava de galo e o Galinha Preta ciscava os últimos roqueiros de plantão. Apesar do trocadilho infeliz, a banda, pilhada como sempre, teve a honra/castigo de encerrar o Porão do Rock de 2010. Doidão que sou, esqueci onde tinha estacionado o carro e achei que tivesse sido roubado. Andei pra porra até achar a caranga.   

PS: ainda rolou um “churras” classe A na casa de parentes do Gabriel Thomas com presença de vários amigos das antigas. Das quase 200 fotos que tirei nesse fim de semana, a melhor de todas com certeza foi essa do Bacalhau/Mario Bros.

Fotos, vídeos e textos por: Evandro Esfolando

Pra não dizer que eu cheguei atrasado no Porão do Rock, duas da tarde eu já estava lá, batalhando por pulseirinhas.  Foi bom chegar cedo e ver como funciona e o tanto de trabalho que dá fazer um evento desse porte. Debaixo de um sol impiedoso, uma centena de operários erguia um templo de aço para a celebração anual do rock em Brasília.  De quebra, assisti à passagem de som do Autoramas e ainda ganhei da amiga Vanessa, um protetor de ouvidos e um vidrinho de pimenta da Chilli Beans.

(foto de celular)

Depois que o Raul e o Ceará liberaram as “credences”, logicamente voltei pra casa e só reapareci às 21h. Ao cruzar o portão de acesso, tive a infeliz surpresa em ver que uma banda que eu acho Mó Merda ainda estava tocando. Corri pro ginásio, e pra minha alegria, Death Slan estava arregaçando. 20 anos de zoada não é pra qualquer um, que o diga o semi-senil CDC, mostrando pra todos, que os roqueiros podem chegar à terceira idade com muita dignidade.

 

Quando saiu a programação oficial do Festival, uma das poucas bandas que eu realmente tinha vontade de assistir era o Sick Sick Sinners, um Psichobilly curitibano bonzão, que eu já tinha visto no Jambolada em 2008. A única coisa que quase tirou o brilho da apresentação foi uma briga besta.

 

Quem deu continuidade à alegria rockabilly (só que menos hardcore) foram os argentinos do Los Primitivos. Bem bom o som dos portenhos.

 

Enquanto rolava a troca de palco, fui dar um role! E que role! Ir do Palco Pílulas ao Palco Chilli Beans exigia preparo físico, pois a distância entre eles era considerável. Pelo menos nenhum palco interferia no som do outro. A meu ver, o problema maior do Porão era decidir qual show assistir, já que três bandas tocavam simultaneamente. Foi por isso que assisti só um pouco do show do GOG e optei ver o sempre impecável show do Autoramas. Cheguei no finalzinho da participação de Érika Martins na “Música de amor”. Gabriel e Bacalhau que me desculpem, mas o Troféu Esfolando na categoria “Destaque da Avenida” fica com a baixista Flavinha, que agita pra caramba e é super fotogênica.

 

Depois eu tive que ir embora porque tava com sono e tinha que acordar cedo. MENTIRA! Fiquei quase até fechar o “portão do rock”. As bandas mais pesadas e bizarras ficam pro próximo post. Tem um texto meu sobre o Porão, ilustrado pelos caras da Revista Samba e com fotos da Carol de Góes no http://revistasamba.blogspot.com/ .

Fotos, vídeos e texto por: Evandro Esfolando

LQ&MB no palco principal do Porão do Rock. Clicado por Patrick Grosner

LQ&MB no palco principal do Porão do Rock. Clicado por Patrick Grosner

Chegar de van no Porão do Rock foi uma beleza, principalmente porque estacionar na Esplanada em dia de evento é uma verdadeira merda. Descemos na área dos camarins, palco principal e área de imprensa. Prestativos voluntários nos encaminharam ao camarim destinado ao LQ&MB. Ganhamos credenciais especiais que nos davam acesso ao palco principal. Ainda faltavam 2 horas pro show e eu saí pra dar um role. Passei na banca do Natinho e vi uns pedaços de shows do Trampa e Kanela Seca no Placo Pílulas.

Quando voltei, o camarim foi compartilhado também pelo Raimundos e virou festa. Voltei 20 anos no tempo quando aquela mesma galera que ensaiava na casa do Berma. Assisti no palco, as músicas finais do Maskavo Roots. Que banda boa, né? Presenciei a confraternização dos integrantes atrás do palco após o show. Sei que todo mundo é ali tem seus projetos, além das questões do outro Maskavo, mas eles bem que podiam se animar e fazer outras reuniões como aquela.

Enquanto o palco era preparado para receber o Little Quail, a Codorna aquecia suas asinhas dedilhando o baixo. Ele já estava deveras elegante com a camiseta que eu dei pra ele do Quebraqueixo, mas perto do início do show, Zé Ovo arranca as calças e fica com um short que parece (ou era) uma cueca samba canção. Agora sim ele está com o figurino adequado. A banda vai pra frente do palco e Gustavo Ceará anuncia uma das atrações mais aguardadas do festival. Gabriel convoca os amigos que estão de sobreaviso para abrirem o show de forma apoteótica com 1,2,3,4. Eu e uma cabeçada fomos pra frete cantar uma das músicas mais emblemáticas do trio. Daí em diante, foi um passeio sonoro com as músicas que foram trilha para a juventude de muitas pessoas ali presentes e que se mantém viva através de uma nova geração de fãs.

Fiquei revezando nas filmagens com a Larissa em um dos lados do palco. Chegou um bebum vestindo roupa laranja (será que ele queria aparecer?) e ficava perturbando. Frango chamou os seguranças que tiveram trabalho pra tirar o cara de lá sem usar de violência. Deu cinco minutos e o cara invade o palco novamente, dessa vez a equipe de segurança não foi muito delicada. O show parou até a hora que o elemento foi arremessado na platéia. Tinha que ter baixaria! Fora as piadinhas e agradecimentos que deram o tom irreverente de todo o show, a química entre Bacalhau, Gabriel e Zé Ovo ficou evidente. Carisma, autenticidade e amizade verdadeira são a formula certeira do sucesso. Não do sucesso fácil e passageiro, mas do sucesso que deixa marca. São por essas e outras razões que essas três caras estão no pequeno hall da fama do rock brasiliense.

 

A Codorna batendo asas. Clicado por Patrick Grosner

A Codorna batendo asas. Clicado por Patrick Grosner

Epílogo:

Depois do show do Raimundos, o público foi minguando. Voltamos pro camarim para as festividades finais. Eram quase 4h quando eu, Berma, Zé Ovo e Salsicha pegamos uma van de volta pro hotel. Passamos ao lado da estrutura do festival um pouco antes do show do MCA, não tinha quase ninguém e uma chuva fina começava a cair. No quarto, Gabriel já estava deitado, quase dormindo. Zé Ovo apertou o derradeiro béqui. A aventura chegava ao fim. Salsicha foi embora na seqüência. Segui seu exemplo minutos depois. O Berma ficaria até às 6h pra aplicar o golpe do café da manhã chique do hotel. A chuva tinha aumentado, mais de longe ainda se ouvia música vindo do palco do Porão do Rock.  

PS: Um dia eu coloco outras fotos e videos desse show.